O Grupo Parlamentar do CHEGA apresentou o Projeto de Resolução n.º 967/XVII/1.ª, recomendando ao Governo a adoção urgente de medidas de salvaguarda, conservação e valorização do conjunto patrimonial constituído pela Igreja, antigo Convento de São Francisco e antiga Fábrica Robinson, em Portalegre.
Na exposição de motivos, o partido considera que a antiga unidade corticeira representa “um dos mais relevantes conjuntos de património industrial português associado à indústria da cortiça”, destacando a ligação entre património conventual, património fabril, memória operária e identidade urbana da cidade alentejana.
O documento recorda que a fábrica foi fundada em 1848 e que, segundo o Inquérito Industrial de 1881, empregava cerca de 560 operários, entre homens, mulheres e jovens trabalhadores, assumindo um papel central na economia e na vida social de Portalegre. Na apresentação do projeto, o grupo parlamentar do CHEGA, sublinha ainda que a Robinson marcou várias gerações de famílias portalegrenses, constituindo um símbolo da história industrial do Alto Alentejo.
Os deputados defendem que a salvaguarda do complexo não pode limitar-se à preservação dos edifícios, alertando para a importância da maquinaria, autoclaves, caldeiras, arquivos, espólio industrial e património móvel integrado. Segundo o projeto, a perda destes elementos representaria “a erosão de uma memória coletiva ligada ao trabalho, à cortiça e à vida operária”.
A iniciativa destaca igualmente o valor patrimonial das chaminés industriais da antiga fábrica, consideradas elementos emblemáticos da paisagem urbana de Portalegre. O CHEGA refere existirem sinais públicos de degradação do complexo e defende uma avaliação técnica urgente do estado estrutural das chaminés e restantes infraestruturas.
Entre as recomendações dirigidas ao Governo, o partido propõe o arranque prioritário de trabalhos de inventariação e avaliação técnica, patrimonial e estrutural do conjunto classificado, abrangendo o edificado, maquinaria, arquivos e condições de segurança. O projeto prevê que seja apresentado um primeiro ponto de situação no prazo máximo de 120 dias.
O CHEGA recomenda também a adoção imediata de medidas cautelares de conservação preventiva para evitar danos irreversíveis provocados por intempérie, vandalismo ou degradação acelerada, sobretudo nas chaminés industriais, coberturas e equipamentos fabris.
Outra das propostas passa pela clarificação do processo de alteração da classificação patrimonial do conjunto, com o objetivo de incluir todas as estruturas fabris e o património móvel integrado, bem como pela criação de uma estrutura de acompanhamento técnico e institucional que envolva entidades governamentais, a Património Cultural, I.P., a CCDR Alentejo, I.P., a Câmara Municipal de Portalegre, a Fundação Robinson e instituições científicas e culturais.
No texto, os deputados defendem que a valorização da Robinson deve ser encarada como uma questão de coesão territorial, desenvolvimento regional, turismo cultural e preservação da memória coletiva do interior do país. O projeto recomenda ainda que a Assembleia da República seja informada, no prazo de um ano, sobre o ponto de situação técnico, financeiro e institucional das medidas adotadas para a recuperação e dinamização do complexo patrimonial.
