O Museu de Arte Contemporânea de Elvas inaugura no sábado a exposição “Ecos da figura interna”, de Alexandre Estrela, atual representante de Portugal na Bienal de Veneza, uma mostra que integra desenhos de teias de aranha feitos por crianças.
Segundo um comunicado do museu, esta exposição encerra uma trilogia expositiva de Alexandre Estrela, iniciada com “A Natureza Aborrece o Monstro”, apresentada na Culturgest, em Lisboa, em 2024, e prosseguida com “Intervalo”, exibida no CIAJG, em Guimarães, em 2025.
A folha de sala especifica que a exposição explora a relação entre desenho infantil, representação interna e conceitos filosófico-matemáticos, articulando referências da arte, da ciência e da filosofia.
Para esta exposição, Alexandre Estrela, em colaboração com o Museu de Arte Contemporânea de Elvas, convidou crianças entre os 18 meses e os 8 anos a desenhar teias de aranha.
Os desenhos percorrem a exposição como um fio condutor e dialogam com a teoria desenvolvida pelo artista de que a representação de uma teia funciona como espelho, ou mapa, do desenvolvimento cognitivo.
Essa teoria propõe que o desenho de uma teia de aranha reflete a figura interna da criança, incluindo a sua estrutura mental e arquétipos, permitindo acompanhar diferentes etapas do desenvolvimento cognitivo.
Segundo essa abordagem, entre os 18 e os 24 meses as crianças produzem traços difusos e retilíneos, descritos como “sopa primordial”.
Entre os 2 e os 3 anos, os traços adquirem curvatura e formam círculos, delimitando limites e núcleos, e entre os 3 anos e meio e os 4, a criança distingue o dentro e o fora, desenhando membranas e procurando um núcleo.
Ainda de acordo com a folha de sala, a partir dos 4 anos a figura organiza-se concentricamente, com hierarquia e perspetiva, e, aos 6, as teias surgem como grelhas que representam mapas mentais com ordem matemática.
A partir dos 7 anos, a teia torna-se orbital, surgindo a aranha no centro, como reflexo de figuras externas e de relações de poder.
A exposição organiza-se a partir dessa sequência de desenhos, cuja estrutura remete para a denominada “Teoria dos Ecos da Figura Interna”, que dá titulo à mostra.
Além dos desenhos de teias, a exposição integra outras peças mais antigas do artista, que ecoam conceitos matemáticos, filosóficos e artísticos, abordando temas como fogo, o polvo, as drogas, a gasolina, a crueldade e a gravidade, segundo a folha de sala.
O percurso é feito “à maneira infográfica de um Museu de História Natural”, guiando o visitante por câmaras que representam diferentes estágios do desenvolvimento humano.
Entre as obras apresentadas encontra-se “The Ultimate Relaxing Experience”, instalação que recria o crepitar do fogo a partir de articulações humanas, e “Mono-Polvo”, que combina um filme documental de Jean Painlevé com uma instalação de projeção de um macaco em escafandro e um polvo.
A exposição inclui igualmente “A Escola de Groningen”, projeção de vídeo que mostra a influência da escola de Groningen na matemática aplicada a objetos tridimensionais e na teoria do movimento perpétuo.
“Vida y Costumbres de Alexander”, composta por risografias de um livro de insetos, desenhos de teias e fotografias de jardins, explorando processos de metamorfose, “Melencolia II”, com poliedros que evocam a melancolia e o anjo de Dürer através de projeções de vídeo, e “O Som no Ar II”, que mapeia espaços recorrendo a vídeos de cabos metálicos e à ecolocalização de morcegos, são outras peças da mostra.
O texto que acompanha a exposição, refere que o conjunto das obras aborda temas como mudança, abstração e a impossibilidade de medir a transformação de forma fixa.
A folha de sala refere ainda diversas relações entre imagens, conceitos filosóficos e científicos, incluindo referências à teoria do cálculo, à impossibilidade de dividir um poliedro em números inteiros, à melancolia associada à bílis negra e a artistas como Jackson Pollock e Albrecht Dürer.
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