Acresce que a pandemia veio acordar em cada de um nós, de forma violenta, a consciência da nossa fragilidade - da precariedade humana Fragilidade que esquecemos em épocas de prosperidade, iludidos que andamos então por seguranças falsas.
Acresce que a pandemia veio acordar em cada de um nós, de forma violenta, a consciência da nossa fragilidade - da precariedade humana Fragilidade que esquecemos em épocas de prosperidade, iludidos que andamos então por seguranças falsas.
Contava-te, avó, que não poderias sair ao degrau vermelho da porta para sentir a brisa vespertina da vila sem que o raio de um bicho mau invisível quisesse logo entrar.
Sete da tarde. Já vou sentindo que o relógio anda agora para trás e que o retrocesso das horas me traz más notícias do meu país. Vou sentindo que há uma humidade mais pesada no ar e que a humanidade que enchia as casas é agora substituída por esperas, angústias e desencontros.
Chaves, lista, sacos. Não quero levar nada a mais que o necessário. Faço uma dança que apalpa os bolsos e revista com olhos atentos a casa à minha volta. Está tudo? Está. Os sapatos? Estão lá fora, do outro dia.
O percurso quaresmal já leva muitos dias em cima e chega agora ao fim, mas no seu princípio – como acontece todos os anos – revesti-me de um espírito ascético que me fez crer ser possível renunciar a todas as coisas do mundo naquele imediato momento.
Vivo agora com quem partilho coração há 19 anos. Apenas as duas. Pensava que a conhecia bem, porque vi muitos dos desgostos, participei em muitas das alegrias e aplaudi certamente todas as conquistas. Mas, se me perguntassem, nunca saberia qual a sua primeira refeição após todo este pesadelo, o que é, sobretudo, triste.
Vê-se pouca gente para o que é habitual a esta hora. Já nem o vento do mar bravo promete acalmar os corações inquietos que madrugam. As pedras estão polidas e húmidas e a areia dourada pura e virgem.
A verdadeira Imagem de Jesus de Nazaré
Comunicar boa informação é vencer mais depressa a guerra Com a pandemia do novo coronavírus, Portugal enfrenta neste momento um desafio que no espaço de dias deu uma volta completa às nossas vidas, deixando-nos, a cada um individualmente e como sociedade, vulneráveis perante a ameaça e o desconhecido.
(em isolamento, dia 6)