Arquivo de Opinião - Linhas de Elvas https://linhasdeelvas.pt/category/opiniao/ O diário digital do jornal Linhas de Elvas. O semanário de maior audiência no distrito de Portalegre Wed, 08 Jun 2022 15:54:30 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.8.3 https://linhasdeelvas.pt/wp-content/uploads/2020/07/favicon-16x16-1.png Arquivo de Opinião - Linhas de Elvas https://linhasdeelvas.pt/category/opiniao/ 32 32 Carlos Zorrinho defende imigração legal para UE https://linhasdeelvas.pt/2022/06/08/carlos-zorrinho-defende-imigracao-legal-para-ue/ https://linhasdeelvas.pt/2022/06/08/carlos-zorrinho-defende-imigracao-legal-para-ue/#respond Wed, 08 Jun 2022 15:54:28 +0000 https://linhasdeelvas.pt/?p=57510 “A União Europeia precisa de atrair imigrantes legais para fazer face ao inverno demográfico de que padece, para assegurar a ambição da transição energética e digital e enfrentar a falta de recursos humanos qualificados em áreas chave, de que o turismo e a saúde são exemplo”, considerou o deputado Carlos Zorrinho.

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“A União Europeia precisa de atrair imigrantes legais para fazer face ao inverno demográfico de que padece, para assegurar a ambição da transição energética e digital e enfrentar a falta de recursos humanos qualificados em áreas chave, de que o turismo e a saúde são exemplo”, considerou o deputado Carlos Zorrinho, esta quarta-feira, na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, ao intervir no ponto da ordem de trabalhos intitulado “Atrair capacidades e talentos para a UE, em particular a parceria de talento com os países do norte de África”.

De acordo com o Eurodeputado socialista, “a fragilidade das políticas migratórias da UE tem gerado graves problemas humanitários e políticos, atraindo fluxos não regulados e com elevado risco de exploração dos migrantes por redes ilegais e alimentando o discurso populista, xenófobo e radical contra as migrações na União”.

Saudando a iniciativa proposta pela Comissão Europeia, no qual se “inclui um quadro legislativo mais adequado e prevê o estabelecimento de parcerias específicas com países terceiros, promovendo a mobilidade entre eles para efeitos de trabalho ou qualificação”, Carlos Zorrinho referiu, por outro lado, o projeto piloto com a Ucrânia que, na sua opinião, “tem mostrado a oportunidade e exequibilidade da nova plataforma”.

De acordo com o eurodeputado socialista, “uma parceria com África no quadro de uma visão de parceria entre iguais é fundamental para dar consistência prática ao estabelecido na Estratégia UE-África e no acordo de pós-Cotonou”, o qual, recordou, “aguarda a ratificação do Conselho”.

Carlos Zorrinho, que é copresidente da Assembleia Parlamentar Paritária ACP-UE, considerou igualmente que “o estabelecimento de projetos piloto com os países do norte de África, inspirados no projeto piloto com a Ucrânia, é um passo que se impõe com urgência”, tanto mais que por esta via se estará também a dar “resposta a algumas das preocupações debatidas na 41.ª Assembleia Parlamentar Paritária ACP-UE” realizada em Estrasburgo em abril deste ano.

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O grande Goya e a Guerra das Laranjas https://linhasdeelvas.pt/2022/06/03/o-grande-goya-e-a-guerra-das-laranjas/ https://linhasdeelvas.pt/2022/06/03/o-grande-goya-e-a-guerra-das-laranjas/#respond Fri, 03 Jun 2022 09:52:59 +0000 https://linhasdeelvas.pt/?p=57341 A Guerra das laranjas de 1801 que conheceu uma resistência decisiva em Elvas e entra a população de Campo Maior deu origem à já referida, nesta coluna e em várias publicações científicas, anexação de Olivença.

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A Guerra das laranjas de 1801 que conheceu uma resistência decisiva em Elvas e entra a população de Campo Maior deu origem à já referida, nesta coluna e em várias publicações científicas, anexação de Olivença. Era então primeiro-ministro de Espanha Manuel de Godoy, Duque de Alcudia e mais tarde de Sueca, em Espanha, Príncipe da Paz, e Conde de Évora-Monte concedido em 1797 por decreto da Rainha D. Maria I de Portugal – na prática provavelmente seria do príncipe regente (cf. Jacqueline Hermann, «O rei da América: notas sobre a aclamação tardia de D. João VI no Brasil», 2007). Por parte da família materna o ambicioso governante espanhol, natural de Badajoz e nascido no seio da nobreza de província, tinha ainda ascendência portuguesa – por via de sua mãe Antónia Justa Álvarez de Faria. A Guerra das Laranjas termina em junho e entre julho e outubro Manuel Godoy ou Carlos IV terá encomendado uma grande pintura que visava comemorar as vitórias da Guerra das Laranjas na fronteira com Portugal.

O que tem a ver o célebre pintor Don Francisco de Goya (Fuendetodos 1746 – Bourdeaux, França 1828)com este episódio da História do início do século XIX? Aparentemente nada. Porém, é precisamente Francisco deGoya que é escolhido e executará o icónico retrato triunfal de Manuel de Godoy no rescaldoda Guerra das Laranjas, cheio de simbolismo para a Coroa de Espanhae certamente tristemente lembrado pelas populações da raia e pelos Reis de Portugal. Àquele período quemarcou decisivamente epermanece em larga medida na memória portuguesa esteve ligado, imortalizou e deu o seu cunho o primeiro pintor da Corte, o genialFrancisco de Goya autor de LosCaprichos.

O que nos leva a que, mesmo sem especial gosto pelo acontecimento e guerra, voltemos com atenção à obra-de-arte do mestre(juntamos imagem do quadro para se compreender a dimensão e atentar aos detalhes). A pintura está actualmente no museu da Real Academia de Bellas Artes de San Fernando em Madrid – proveniente da colecção de Godoy, permanece na academia desde 1816, depois da conturbada era napoleónica (cf. Red Digital de Colecciones de Museos de España – Resultados de la búsqueda (mcu.es), consultado em junho de 2022).

Goya sob o título «Godoy como general» de alguma forma aqui deixou inculcado, explicitamente pelo menos ao retratá-lo trajando uniforme de capitão-general embora numa postura dúbia e curiosa e apresentando as bandeiras, para a Arte e para a História algo da impressão da sociedade de então.

Tiago Matias é licenciado em Estudos Europeus (Faculdade de Letras de Lisboa)

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Novo livro «Foral Manuelino de Olivenza» https://linhasdeelvas.pt/2022/04/14/novo-livro-foral-manuelino-de-olivenza/ https://linhasdeelvas.pt/2022/04/14/novo-livro-foral-manuelino-de-olivenza/#respond Thu, 14 Apr 2022 15:40:00 +0000 https://linhasdeelvas.pt/?p=55755 Torna-se decisivo para uma coluna como esta estar atento à História e à Cultura regional e às publicações, tanto antigas como actuais, que as abordam. Não podíamos por isso deixar passar e é importante dar aqui nota do livro (dois tomos) recém lançado em Badajoz: Foral Manuelino de Olivenza – 1510, carta de foral de Dom Manuel I que é essencial para todos os que gostam de História e das relações históricas entre localidades da fronteira luso-espanhola no Alentejo.

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Torna-se decisivo para uma coluna como esta estar atento à História e à Cultura regional e às publicações, tanto antigas como actuais, que as abordam. Não podíamos por isso deixar passar e é importante dar aqui nota do livro (dois tomos) recém lançado em Badajoz: Foral Manuelino de Olivenza – 1510, carta de foral de Dom Manuel I que é essencial para todos os que gostam de História e das relações históricas entre localidades da fronteira luso-espanhola no Alentejo. De grande valor pelo documento e pela localidade que trata. Foi lançado no dia 26 de março último no Convento de São João de Deus/ Convento de San Juan de Dios e as vendas do dia do lançamento reverteram para a Santa Casa de Misericordia de Olivenza.

Evidentemente não se dedica à questão histórico-política existente, contudo ajuda a compreendê-la abordando exaustivamente Olivença e sua população – actualmente integrada em Badajoz e contígua a terras portuguesas – e torna mais acessível o conhecimento local e, no caso, internacional.

A publicação, resultado de vários anos de investigação, além da beleza da encadernação, prima pelo rigor e detalhe que caracterizam os seus autores, Saul António Gomes, Mário Rui Simões Rodrigues, José Antonio González Carrillo – alguns já lemos por diversas vezes em obras de referência da historiografia portuguesa. E, o que me parece fazer toda a diferença, transparece nela dedicação e boa-vontade de todas as instituições envolvidas que fica bem patente nestas linhas do discurso do alcalde do Ayuntamiento de Olivenza na sessão de apresentação: “…la lengua española e la lengua portuguesa, de lo que fuimos y de lo que somos y de lo que Olivenza quiere ser, sentindo- se orgullosa de esta Historia compartida entre España y Portugal…”.

Fazia falta. Estará disponível no serviço de publicações da Universidad de Extremadura.

Fica a recomendação de leitura. E votos de feliz Páscoa.

Tiago Matias licenciado em Estudos Europeus (Faculdade de Letras de Lisboa)

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Os desafios de Duarte Cordeiro https://linhasdeelvas.pt/2022/04/11/os-desafios-de-duarte-cordeiro/ https://linhasdeelvas.pt/2022/04/11/os-desafios-de-duarte-cordeiro/#respond Mon, 11 Apr 2022 08:57:41 +0000 https://linhasdeelvas.pt/?p=55589 O seu primeiro desafio, e mais urgente, vai requerer energia. Portugal tem feito uma aposta considerável nas energias renováveis, em particular eólica e solar.

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Duarte Cordeiro é um político de craveira. O ex-secretário de estado e director da campanha eleitoral que elegeu, por maioria absoluta, o novo governo de Portugal, foi a escolha do primeiro-ministro para a pasta ministerial do Ambiente e da Acção Climática (MAAC), que alberga também as pastas da mobilidade urbana, da conservação e florestas e da energia. Baseando-me na biografia que o agora ministro disponibiliza na página oficial do Governo, parece-me justo dizer que Duarte Cordeiro tem pouca experiência profissional e política nas áreas que vai ministrar.

Todavia, não é justo condenar ou louvar o ministro pelo que ainda não aconteceu e, apesar de apreciar ministros com experiência prévia, acredito que, se auxiliado por técnicos e especialistas das áreas que vai administrar, Duarte Cordeiro poderá surpreender-nos pela positiva. Gostaria de utilizar este artigo para apontar o que na minha opinião serão os principais quatro desafios (para não ser exaustivo) que Duarte Cordeiro terá de enfrentar enquanto ocupar a pasta.

O seu primeiro desafio, e mais urgente, vai requerer energia. Portugal tem feito uma aposta considerável nas energias renováveis, em particular eólica e solar. Contudo estas energias apresentam dois problemas: 1) precisam de espaço e 2) estão reféns das condições climatéricas. Nenhum país pode depender exclusivamente de energias em que não controle quando e em que quantidade produzem, pelo menos até avanços significativos nas baterias de armazenamento de energia. Portugal tem de completar o seu mix energético com outro tipo de energias. A aposta do Partido Socialista parece ser o hidrogénio verde e o gás natural. São apostas legítimas, todavia seria no mínimo interessante uma discussão sobre a energia nuclear. Chamo à atenção de que o conflito na Ucrânia fez disparar os preços da energia e, muitos países da Europa voltaram a re-activar ou atrasar os seus planos de encerrarem centrais a carvão e, no caso da Alemanha, a energia nuclear. Portugal não está dependente do gás Russo como outros países, mas continuamos vulneráveis às oscilações dos preços. Será uma opção re-activar as centrais a carvão, ou esse assunto está encerrado?

Em segundo lugar fica, o que para mim é o mais crítico, a falta de água. As alterações climáticas levarão a que a falta de água em Portugal seja cada vez mais severa e frequente. Duarte Cordeiro pode optar pelo óbvio: construção de barragens. Mas, a inflação aconselha a moderação nos gastos do estado e as barragens custam muito dinheiro, para além de apresentarem uma série de problemas ambientais. Há também que considerar que a seca é geograficamente desigual, com o Sul do país sempre mais afectado que o Norte, pode-se assim, equacionar os transvases (canais que desviam água de um rio para outro). Alguns dos locais mais afectados pela seca, também o são por questões económicas, como a agricultura intensiva, e demográficas (turismo massivo no Verão). É o caso da costa alentejana e do Algarve. Nesses casos, penso que será necessário uma política de gestão da água específica para cada caso e também, centrais de dessalinização. Veremos se este assunto é tratado com a relevância que merece ou se vai pelo cano.

Que floresta queremos? Certamente, uma com menos fogos. Na minha opinião, um dos grandes problemas na gestão florestal em Portugal tem sido confundir-se “florestas naturais” (plantas de várias espécies nativas e de diferentes idades “aleatoriamente” dispersas no espaço), com florestas de produção industrial (plantas da mesma espécie com as mesmas idades rigorosamente espaçadas umas das outras). Pessoalmente acho que o MAAC se deve preocupar com as florestas nativas ao passo que a tutela sobre as florestas de produção (essenciais na economia e na substituição dos plásticos de uso único) deveria passar para o Ministério da Agricultura. Falando por isso exclusivamente nas florestas nativas, o êxodo rural cria um problema e uma oportunidade. Por um lado, os terrenos deixados livres estão disponíveis para a plantação de novas florestas, por outro, há a acumulação de matéria vegetal que não é removida nem consumida e que irá alimentar os fogos. Uma solução para este problema poderia ser a bioenergia, que transforma a biomassa em energia eléctrica e calorífica.

Não poderia finalizar este artigo sem uma nota para a conservação da natureza. Os cientistas afirmam que a taxa de destruição da Natureza é hoje mais elevada do que em qualquer momento da Nossa História. Portugal tem ecossistemas únicos e espécies ameaçadas que precisam de protecção. Um grupo de organismos dos quais estamos dependentes e que enfrentam risco de extinção são os polinizadores. Existem várias organizações e projectos tanto nacionais, como internacionais, que se focam exclusivamente neste tema. A conservação de polinizadores, protege os ecossistemas naturais mas também a agricultura. O MAAC deveria desenvolver um conjunto de directivas que se foquem especificamente na conservação de polinizadores.

Portugal tem um papel importante no que toca à conservação de espécies e ecossistemas. Devido ao nosso clima, topografia e localização geográfica, temos zonas de capital importância para a conservação da biodiversidade a nível mundial. Uma das estratégias que poderia ser utilizada, seria a criação do segundo Parque Nacional (o primeiro e único é o Peneda-Gerês). Na minha opinião este parque poderia ser dedicado à preservação das zonas de floresta mediterrânea e localizar-se nas serras algarvias perto do já existente Parque Natural do Vale de Guadiana.

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As Belas-Artes e o mundo rural https://linhasdeelvas.pt/2022/03/11/as-belas-artes-e-o-mundo-rural/ https://linhasdeelvas.pt/2022/03/11/as-belas-artes-e-o-mundo-rural/#respond Fri, 11 Mar 2022 12:10:00 +0000 https://linhasdeelvas.pt/?p=54483 Temos escrito algumas notas que apontam a dimensão social e económica da comunidade elvense e da região do Alto Alentejo ao longo dos séculos. Ainda não nos tínhamos dedicado, porém, a tentar compreender a dimensão artística no mundo rural. E confirma-se a pujança.

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Temos escrito algumas notas que apontam a dimensão social e económica da comunidade elvense e da região do Alto Alentejo ao longo dos séculos. Ainda não nos tínhamos dedicado, porém, a tentar compreender a dimensão artística no mundo rural. E confirma-se a pujança.

O conceito de “belas-artes” é usado no século XVIII e pelo pintor e arquitecto que vamos citar no seu sentido clássico que abrange a pintura, escultura, arquitectura, gravura e música e não é contrário ao método científico. Aliás logo em 1548 foi fundado na Universidade de Coimbra o Colégio das Artes com o intuito de melhorar e renovar o ensino humanista em Portugal, numa perspectiva mais laica, preparando os alunos para a academia. Como clarifica Helena Costa Toipa “Eram as Humanidades e as Artes que se estudavam essencialmente no Colégio das Artes, tanto sob a orientação dos jesuítas, como a dos professores que os tinham precedido nas suas funções, «bordaleses» ou «parisienses».” (cf A ratio studiorum do Colégio das Artes, nos primeiros anos em que esteve sob orientação da Companhia de Jesus (1555-1561), Didaskalia, XXXIII (2003), pág. 653).

Torna-se mais ou menos evidente ao caminhar pela cidade e município de Elvas que a monumentalidade das construções e a marca paisagística do património são fortes e, em certa medida, influenciadoras dos hábitos sociais. A Pintura e a Escultura nas Igrejas são sumptuosas. Então, como se desenvolveram ao longo do tempo? Houve artistas na cidade? Quando viveram? Como o nosso autor refere, em toda a parte houve pessoas com estima pelas “boas pinturas, e d’outros objectos da Arte”.

Socorremo-nos, para introduzir uma abordagem ensaística da questão, de fonte privilegiada – obra dividida em três partes ao estilo de livro historiográfico e de memórias – do invulgar artista e estudioso esquecido por muitos investigadores de cátedra, o pintor e arquitecto Cyrillo Machado (1748-1823).

Sabe-se que foi educado em Roma e, como deixa escrito, “Meu Pai aprendeo, e professou a Arte da Cirurgia, e os seus parentes nada mais erão que honrados lavradores do termo de Setubal”, foi responsável pela pintura de alguns tectos do Palácio da Ajuda em Lisboa. Trata-se do interessante livro «Colecção de Memorias, Relativas às vidas do Pintores, e Escultores, Architetos, e Gravadores Portuguezes, e dos Estrangeiros, que estiverão em Portugal, recolhidas, e ordenadas por Cyrillo Volkmar Machado, Pintor ao serviço de S. Magestade. O Senhor D. João VI», impresso em Lisboa em 1823 na Imp. de Victorino Rodrigues da Silva.

Para além dos artistas que conheceu, oriundos de várias regiões do país e do mundo, o autor refere o seu próprio percurso profissional, o que nos dá oportunidade de conhecer o meio artístico da segunda metade do século XVIII e das primeiras décadas do século XIX. Quem melhor do que um artista dedicado e de escrita agradável nos poderia ajudar a compreender a ligação e presença das Artes ao mundo rural português?

Poder-se-ia pensar que um pintor que serviu o Rei D. João VI se referiria às capitais europeias, que também conheceu, nesta obra. Contudo vamos ouvir falar de vilas e cidades que hoje nos parecem afastadas da produção cultural e artística de vanguarda.

Escreve Cyrillo Machado que passou a colorir e, mais tarde, teria “Chegado a esta Capital no Outubro de 1777 fui convidado pelo Bispo de Coimbra, Reitor da Universidade, para me empregar nas Obras de que elle podia dispor, tanto de pintura, como de architectura, promettendo-me tambem solicitar a meu favor a Cadeira destas Artes, que estava vaga. Eu não acceitei, mas annuí a outro convite que me erão fiz os meus amigos de Alemtejo, e occupeime em Evora, e Elvas até o S. João de [17]79.” (cf Collecção de Memorias, pág. 306).

O célebre Cyrillo passou assim dois anos da sua vida entre Évora e Elvas, por escolha própria, cultivando as suas obras, como faz questão de referir nas memórias. O que nos permite antever os trabalhos de Belas-Artes (entendidos lato sensu) que estariam a decorrer nestas cidades alentejanas e que levaram a que tenham sido mais apelativas para um artista de primeira linha do que a ideia de ocupar uma Cadeira na Universidade de Coimbra.

Poder-se-á dizer, caros leitores e leitoras, que seriam obras circunscritas a capelas, igrejas e talvez alguns palácios e casas nobres. Certamente. Não deixa todavia de nos abalar, no bom sentido, que existindo naquele fim de Antigo Regime necessidade, gosto, oportunidade do contributo de gravadores, pintores, arquitectos, escultures e tantos outros artistas e intelectuais, e que não haja hoje o mesmo gosto nem intenção em cultivar as Artes e as Letras. Que foram e continuam a ser, assim nos parece, pedra de toque fundamental para o florescimento das sociedades europeias.

Sem esta publicação do pintor Cyrillo Machado boa parte dos artistas ali mencionados seriam desconhecidos e talvez fossemos levados a pensar que a Arte estava confinada às grandes cidades, à Corte ou às capitais da Europa (tendência com as suas excepções), e principalmente que os artistas nasciam no seio das classes altas ou urbanas, o que geralmente não acontecia.

Neste século o que cultivamos? Há escultores, pintores, letrados, dramaturgos – tal como a agricultura que ou é cultivada ou inexiste – a produzirem nas vilas e cidades do interior? No fundo, a Cultura, esse bem alardeado mas porventura pouco desejada. Ou somos levados a pensar que hoje em dia em que há apoios da UE para a promoção e ensino artístico, em que há escolas politécnicas, poderá não haver desejos de animar o saber e a criação?

Será hoje a Arte apanágio do mundo urbano?

Bastam-nos as políticas do alcatrão legítimo. Ao que não iremos é à visão utilitária e imediatista que não foi a que trouxe progressos (evidentemente não se cria oposição aos saberes ou disciplinas mais recentes). Nem é a responsável por influenciar o incremento com vista ao bem-estar e fruição das pessoas, desafiadora da criatividade, tranquilidade e reflexão.

Já das Artes, das Letras e da Música, a que se juntaram novas e outras dimensões, estamos cientes que são essenciais.

Tiago Matias licenciado em Estudos Europeus (Faculdade de Letras de Lisboa)

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A seca em Portugal https://linhasdeelvas.pt/2022/03/04/a-seca-em-portugal/ https://linhasdeelvas.pt/2022/03/04/a-seca-em-portugal/#respond Fri, 04 Mar 2022 10:00:34 +0000 https://linhasdeelvas.pt/?p=54245 Como disse Pequito Rebelo em A Terra Portuguesa de 1929, “Portugal é mediterrâneo por natureza, atlântico por posição.” É talvez a frase que melhor resume o clima em Portugal.

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Como disse Pequito Rebelo em A Terra Portuguesa de 1929, “Portugal é mediterrâneo por natureza, atlântico por posição.” É talvez a frase que melhor resume o clima em Portugal. Clima esse que é cada vez mais discutido, quer seja a propósito das alterações climáticas ou da mais recente situação de seca no nosso país.

Penso que surpreenderei alguns leitores ao afirmar que não chover no Verão é algo estranho para a maioria da população mundial. O clima mediterrâneo (não confundir com o Mediterrâneo que se refere à área geográfica do Mar Mediterrâneo) tem a particularidade de a estação onde mais chove (Inverno) e a estação onde os dias são maiores e as temperaturas são mais altas (Verão) serem temporalmente separadas. Nos climas temperados, tropicais, etc., tal não acontece e a estação das chuvas coincide com a estação com mais horas de sol diárias.

Esta fenómeno tem várias consequências, a primeira, e a mais agradável, são os Verões secos e de céu limpo que tornam os países com este clima num verdadeiro paraíso para os veraneantes. A segunda consequência é mais dramática, torna-nos muito maus para a agricultura. Algumas plantas e variedades agrícolas poderão apresentar maior produtividade, por exemplo a oliveira e outras árvores de fruto, como os citrinos, mas no geral não temos um clima apropriado à agricultura. As plantas necessitam de duas coisas para crescerem: água e luz. Se no mediterrâneo a estação das chuvas (Inverno) está separada da estação com os dias mais longos (Verão), significa que as plantas nunca têm os dois componentes essenciais ao mesmo tempo. Este problema tem sido mitigado fornecendo água de forma artificial através de poços, canais, rega manual, entre outros, nos meses mais secos, permitindo assim uma produção agrícola mais rentável do que a que seria de esperar só contando com a água da chuva.

A partir daqui tudo se complica, se as plantas não têm água na altura de mais luz, não se desenvolverão como as de outros climas. Temos uma flora dominada por plantas arbustivas e com folhas duras de forma a resistirem à seca. Essas plantas são menos nutritivas, o que torna mais difícil a criação de gado e a nossa própria alimentação.

Políticas de gestão dos recursos de água são necessárias porque como expliquei, nós como povo mediterrânico, já temos problemas sistémicos de falta de água e de secas. Contudo estas estão-se a tornar mais frequentes e intensas como consequência das alterações climáticas.

Uma das medidas que imediatamente nos ocorre é a construção de mais barragens e açudes. Não sou contra esta medida. Contudo ela apresenta vários problemas. O primeiro é que são necessários grandes investimentos financeiros para a sua construção, fazendo assim com que esta solução dependa mais dos recursos financeiros do que propriamente da necessidade de armazenar água. Além disso, as barragens apresentam impactos ambientais graves. Desde a destruição de ecossistemas até à quebra dos círculos hidrológicos e de transporte de sedimentos e nutrientes.

As barragens têm ainda uma segunda função, a produção energética. Nem sempre, mas esta função pode entrar em conflito com o armazenamento de água. Estou convicto de que em Portugal, e nos outros países mediterrâneos, teremos de abdicar de uma parte significativa da produção de energia através das barragens de forma a aumentar o volume de água armazenada.

Actualmente, o aumento da eficiência na utilização e no transporte de água são apontados como novas estratégicas preferíveis à ampliação da capacidade de armazenamento. Isto significa renovar as condutas e canais de transporte de água e inovação nos métodos agrícolas e industriais.

Gostaria também de apontar que a gestão do território constitui uma boa ferramenta de gestão de água. A decisão de onde e o que plantar, não impermeabilizar o solo em zonas ribeirinhas ou possíveis de serem alagadas têm um impacto positivo na gestão de água, bem como a reflorestação de áreas abandonadas e com graves problemas de erosão de solo. O aumento do coberto florestal permite reter mais água no solo, ficando esta disponível para as plantas.

A Humanidade enfrenta de forma desigual as consequências das alterações climáticas. Prevê-se que as regiões de clima mediterrâneo sejam principalmente afectadas pela diminuição da precipitação e que venham a ter episódios de grandes chuvadas com muito mais frequência. Mais do que fechar centrais a carvão, mais do que reduzir as nossas emissões de gases com efeito de estufa, prepararmo-nos para um futuro com menos água e com padrões de chuva irregulares deve, na minha modesta opinião, ser a principal preocupação dos próximos ministros do ambiente.

Paulo Sousa é biólogo Investigador em Biologia Evolutiva e do Desenvolvimento na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

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O Rei que casou em Elvas https://linhasdeelvas.pt/2022/02/11/o-rei-que-casou-em-elvas/ https://linhasdeelvas.pt/2022/02/11/o-rei-que-casou-em-elvas/#respond Fri, 11 Feb 2022 15:30:00 +0000 https://linhasdeelvas.pt/?p=53428 Foi a 12 de janeiro do ano de 1633 que um rei e uma rainha se olharam e casaram em Elvas. Em rigor ainda não eram reis. Mas viriam a ser.

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Foi a 12 de janeiro do ano de 1633 que um rei e uma rainha se olharam e casaram em Elvas. Em rigor ainda não eram reis. Mas viriam a ser. O dia estava chuvoso.

Refiro-me ao casamento de D. João, Duque de Bragança, que habitava em Vila Viçosa, e de D. Luísa de Gusmão, fidalga espanhola nascida em Sanlúcar de Barrameda, com ascendência portuguesa, que viria a ser decisiva no futuro da organização política nacional. O duque era filho de D. Teodósio de Bragança e a duquesa era filha do 8º Duque de Medina Sidónia.

O Duque de Bragança vem a ser aclamado em Lisboa e será o Rei D. João IV, que é, como sabemos, o Restaurador da independência em 1640.

Porquê em Elvas? “He de saber antes de proseguir, que antes de rezolver o duque donde se despozaria, foi vezitar a sua exçelencia o bispo de Elvas Dom Sebastião de Matos de Noronha e offeresseu sua exçelencia ser ele menistro de sua união e matrimonio e sua caza, e o gasto dos que fossem servindo e acompanhando a sua exçelencia aceitou o duque e rezolveu sua partida aa cidade de Elvas.” (cf Maria Teresa Oliveira «Relação do casamento do Duque de Bragança, D. João II, com D. Luísa Francisca de Gusmão (1633)» Fragmenta Histórica – História Paleografia e Diplomática (2020) Nº 8).

O noivo, ainda longe de ser rei, chegou na véspera, dia 11 de janeiro, foi recebido solenemente pela corregedoria de Elvas, pernoitou na cidade com os irmãos e houve luminárias e foguetes por toda a cidade. Foi encontrar-se com a noiva no dia 12 que vinha do reino vizinho via Badajoz e celebraram o matrimónio na Sé de Elvas às duas horas da tarde – é a actual Igreja de Nossa Senhora da Assunção. E acabada a missa com o bispo e o cabido houve muitos músicos e instrumentos. Sabemos também que “toda a gente inferior do servisso de suas excelências, portugueses e castelhanos, que foi muita, comeo em caza do bispo…”.

O Bispo de Elvas esperou o duque no lugar de Mesa d’el Rei, a meia légua de Elvas, acompanhado por Luís de Miranda Henriques e Rui de Mattos de Noronha, com criados e mais de sessenta homens nobres de Elvas. O documento da Relação do Casamento descreve-os “todos vestidos de veludo negro, com cadeas e galas competentes, sentilhos de ouro, espadas douradas, etc. e hião em muy bons cavalos todos.” O que revela a dimensão e pujança económica e social de Elvas no século XVII.

O casal seguiu ao fim do dia 12 de janeiro para Vila Viçosa, localidade do seu paço ducal – que merece uma visita – onde houve oito dias de festa e de onde anos mais tarde seriam chamados a reinar em Portugal.

Diz a tradição: “boda molhada, boda abençoada”. Elvas testemunhou assim um matrimónio que o futuro e a História elevaram à condição régia e que a população conheceu de perto.

Votos de bom ano pós-pandémico de 2022.

Tiago Matias licenciado em Estudos Europeus (Faculdade de Letras de Lisboa)

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Os Cavalleiros de Elvas antiga https://linhasdeelvas.pt/2021/12/02/os-cavalleiros-de-elvas-antiga/ https://linhasdeelvas.pt/2021/12/02/os-cavalleiros-de-elvas-antiga/#respond Thu, 02 Dec 2021 15:33:40 +0000 https://linhasdeelvas.pt/?p=50997 Deu-se a feliz coincidência de encontrar uma referência à cidade de Elvas e aos Elvenses que os coloca numa posição especial e privilegiada, enquanto me debruçava sobre o livro «Privilegios da Nobreza, e Fidalguia de Portugal», em que o autor* trata de forma curiosa e típica do século XIX a ascensão social, digamos assim, de pessoas do Terceiro Estado ao estamento da Nobreza através de diversas profissões, normalmente através de feitos e muitos deles como se sabe vêm através das armas, feitos militares.

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Deu-se a feliz coincidência de encontrar uma referência à cidade de Elvas e aos Elvenses que os coloca numa posição especial e privilegiada, enquanto me debruçava sobre o livro «Privilegios da Nobreza, e Fidalguia de Portugal», em que o autor* trata de forma curiosa e típica do século XIX a ascensão social, digamos assim, de pessoas do Terceiro Estado ao estamento da Nobreza através de diversas profissões, normalmente através de feitos e muitos deles como se sabe vêm através das armas, feitos militares.
Diz o autor: “Os Capitães, Alferes, e Sargentos das Companhias das Ordenanças; os Moradores do Reino do Algarve; os da Cidade da Guarda; os de Elvas; e alguns outros, a quem foi concedida a fruição dos privilégios de Cavalleiros, só tem Direito a gozarem dos que pertencem a Cavalleiros simples, e não dos que competem a Cavalleiros confirmados, ou a Cavalleiros das Ordens Militares. De Cavalleiro simples sobe-se por acrescentamento a Cavalleiro Fidalgo, mas nunca a Fidalgo Cavalleiro.”.
Trata-se da página 303 da referida obra e, como fica evidente, é atribuída de forma directa e relativamente rara um privilégio especial a Elvas. Independentemente do nascimento, os seus habitantes tinham o privilégio atribuído aos cavaleiros, que é um dos graus menores da nobreza ou de viver nobremente – embora o autor faça clara distinção entre estes cavaleiros e os fidalgos, que estavam noutro patamar do grupo social.
O que trazia facilidades como, por exemplo, não serem sentenciados com a pena de morte, um dos privilégios atribuídos à nobreza pelo carácter da sentença e, neste caso, provavelmente correspondia a isenções de jugada (pagamento por junta de bois, de primeira importância nos trabalhos em áreas rurais) e acesso a lugares da câmara.
Este teria sido um incentivo que a Coroa dava aos Elvenses para que fosse povoada a cidade e a vida facilitada, por um lado, e por outro para estarem disponíveis para se defenderem e defender o país de invasões e cercos, que de resto Elvas já tinha conhecido resistentemente e que os reis provavelmente quiseram reforçar.
Segundo o historiador António Martins Costa, a quem agradeço o esclarecimento, “Atribuir estes privilégios, que poderia corresponder a isenção de guardar prisioneiros e a isenções fiscais, seria um estímulo à fixação de gentes. Desde os alvores, o Algarve era terra pobre e pouco povoada. E na fronteira era importante haver população. Para a defesa era muito importante, devendo essa população constituir base de recrutamento para o Exército, Milícias
e Ordenanças. Em Elvas porque era a principal linha de infiltração no reino em direcção a Lisboa.” (doutorando na Universidade de Coimbra).

*O autor é Luiz da Silva Pereira Oliveira e aplica considerável rigor; apresenta-se como cavaleiro professo na Ordem de Cristo, corregedor da comarca de Miranda do Douro e sócio da Real Academia das Ciências de Lisboa. Foi impresso no ano de 1806 em Lisboa na nova Oficina de João Rodrigues Neves com licença da Mesa do Desembargo do Paço e é dedicado ao Marquês de Abrantes.
Nas bibliotecas há destas descobertas. Viva a nobre cidade de Elvas.

Tiago Matias licenciado em Estudos Europeus (Faculdade de Letras de Lisboa)

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Há Uma Poesia Alentejana? https://linhasdeelvas.pt/2021/10/12/ha-uma-poesia-alentejana/ https://linhasdeelvas.pt/2021/10/12/ha-uma-poesia-alentejana/#respond Tue, 12 Oct 2021 15:05:12 +0000 https://linhasdeelvas.pt/?p=49560 Há aquela ideia de Portugal ser, no espaço europeu, o país dos poetas e das poetisas. Tal como a Alemanha é o berço de grande filósofos e França é de historiadores.

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Há aquela ideia de Portugal ser, no espaço europeu, o país dos poetas e das poetisas. Tal como a Alemanha é o berço de grande filósofos e França é de historiadores. Diz-se que em toda a parte há poetas de brilho que, mais populares ou mais eruditos, dominam a arte.
Nunca pensei muito nisso até conhecer outras culturas e perceber que de facto temos uma maneira de estar cultural peculiar. E há no Alentejo os tais poetas, nomeadamente uma poetisa que conjuga a sabedoria popular ao pensamento clássico como é pouco comum encontrar. Vale a pena conhecer ou voltar a Florbela Espanca através deste soneto célebre e marcante onde é clara a capacidade e domínio linguístico da escritora:

«Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…»

Florbela Espanca, nascida em Vila Viçosa (na actual rua Florbela Espanca), Alentejo, em 1894, morreu em Matosinhos em 1930 e em poucos anos de vida deixou tão interessante obra.

Tiago Matias é licenciado em Estudos Europeus pela Faculdade de Letras de Lisboa

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Opinião: Paula Calado poderá ser quem mais ordena. Ou não! https://linhasdeelvas.pt/2021/09/27/opiniao-paula-calado-podera-ser-quem-mais-ordena-ou-nao/ https://linhasdeelvas.pt/2021/09/27/opiniao-paula-calado-podera-ser-quem-mais-ordena-ou-nao/#respond Sun, 26 Sep 2021 23:07:49 +0000 https://linhasdeelvas.pt/?p=48967 Opinião: Paula Calado poderá ser quem mais ordena. Ou não!

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Governará Rondão Almeida ou Nuno Mocinha à frente de uma geringonça?

Com estes resultados, em que nem o Movimento Cívico por Elvas nem o Partido Socialista ganhou com maioria absoluta, o fiel da balança poderá ser Paula Calado, a candidata da coligação PSD/CDS-PP que foi eleita vereadora para o próximo mandato autárquico.

Mas outro cenário é sempre possível, atendendo a que Mocinha e Rondão já pertenceram ambos ao mesmo partido e elenco camarário. Outro ainda será plausível: Nuno Mocinha não aceitar assumir o mandato como vereador e tudo ficar facilitado para o vencedor Rondão Almeida.

Vamos esperar para onde tendem as negociações dos próximos dias entre todos os intervenientes.

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