A construção da ponte internacional sobre o rio Sever e respectivas acessibilidades, entre Montalvão, no concelho de Nisa, e Cedillo, na Extremadura, foi ontem consignada, num investimento de 19,5 milhões de euros.
A ponte é um projecto financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e foi acordada entre Portugal e Espanha na XXV Cimeira Ibérica, realizada em Faro, em 23 de Outubro de 2024.
O auto de consignação da obra foi assinado numa cerimónia em Nisa, presidida pelo ministro da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que considerou que o projecto vai contribuir para a criação de riqueza, desenvolvimento económico e bem-estar das populações.
Mas, acima de tudo, realçou, a iniciativa será “um factor de coesão” territorial e “um reforço das relações fronteiriças”.
O governante destacou ainda que o interior não deve ser tratado por igual em relação ao litoral, defendendo que os territórios de baixa densidade necessitam de “uma diferenciação positiva”.
“Tratar tudo por igual não é igualdade. Nós precisamos de ter uma diferenciação positiva das regiões do interior do país, se queremos nivelar o país”, argumentou o ministro.
“E, se nós queremos atenuar as assimetrias e o desenvolvimento que hoje temos em Portugal, temos de ter o interior a crescer mais do que o litoral”, avisou.
Castro Almeida afirmou que “Portugal está a crescer e é bom que continue a crescer” e insistiu que, “para atenuar assimetrias de desenvolvimento, o interior tem de crescer mais do que a média nacional”.
Defendendo o investimento no interior, o ministro da Coesão Territorial considerou ainda que é importante que, no futuro, a aposta passe pela criação de emprego.
“Sem emprego não há pessoas e o emprego atrai pessoas. O despovoamento de toda esta região resolve-se se criarmos emprego”, alertou.
Já o presidente da Câmara de Nisa, José Dinis Serra, explicou que este projecto “moroso” vingou graças a “um exemplo claro de persistência colectiva” das autoridades de Portugal e Espanha.
“A obra que hoje se consigna representa muito mais do que uma intervenção física no território, representa uma resposta concreta aos desafios estruturais das regiões do interior”, afirmou.
Segundo o autarca, o projecto de construção da ponte e das respectivas acessibilidades vai contribuir “evidentemente para a melhoria das acessibilidades, para o reforço da atractividade territorial, para a dinamização económica e social e para a criação de novas oportunidades para as populações”.
Na cerimónia, José Dinis Serra lembrou os passos que o projecto deu após o seu avanço ter sido acordado entre Portugal e Espanha, na Cimeira Ibérica realizada em Faro.
Já este ano, relatou, o processo culminou com a emissão do parecer técnico favorável por parte da comissão técnica mista luso-espanhola, em 8 de Julho, tendo o projecto sido submetido aos governos dos dois países para aprovação final.
Esta foi formalizada no passado dia 19 deste mês, através de resolução do ministro dos Transportes e Mobilidade Sustentável de Espanha e do ministro português da Coesão Territorial, acrescentou.
A obra, que a Câmara de Nisa adjudicou no passado dia 26 de Setembro, assume “um significado particularmente relevante” para ambos os lados da fronteira, “encurtando distâncias” entre dois países e duas comunidade em particular, frisou o autarca.
Além da construção da nova ponte, o projecto, uma reivindicação antiga na região e que vai permitir ‘cortar’ 85 quilómetros no actual percurso por estrada entre Montalvão e Cedillo, contempla a requalificação da Estrada Municipal 1139, ao longo de “aproximadamente nove quilómetros”.

HYT // RRL
Lusa

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