Quando se investiga sobre a história local fica-se com a noção clara da importância de Elvas na História portuguesa. Provavelmente por ser das principais portas de entrada por terra em território português e talvez a mais estratégica, o que é aliás atestado em 1513 quando D. Manuel I lhe concede o título de cidade. E em 1570 é elevada à dignidade de Sé com bispo. É na zona de Elvas que acontece no século XVIII a célebre “troca das princesas”: de grande relevância para a história de dois países. Para assegurar a paz entre Portugal e Espanha, os respectivos reis casam os filhos, como era costume na época, mediante acordo nupcial. Os príncipes herdeiros encontram-se no rio Caia, numa ponte/casa de madeira construída sobre o mesmo e simbolizando as relações e paz entre os dois reinos – até então em guerra por disputa do Rio da Prata na América Latina. Das duas margens da ponte, em território português de Elvas e em território espanhol de Badajoz, foram construídos pavilhões para se comemorar os casamentos cuja apresentação e entrega das princesas acontece a 19 de Janeiro de 1729. No contexto de um cerimonial protocolar rigoroso, apresenta-se a 19 de Janeiro na raia junto ao Caia a princesa D. Maria Bárbara de Bragança (filha de D. João V e futura rainha de Espanha) ao príncipe herdeiro de Espanha, futuro Fernando VI (filho do monarca espanhol D. Filipe V). E também seguindo o mesmo acordo une-se o príncipe herdeiro de Portugal e irmão de D. Maria Bárbara – trata-se de D. José I, que reinará durante o grande terramoto de 1755 – à princesa espanhola D. Mariana Vitória de Bourbon futura rainha de Portugal (filha de Filipe V), comemorando-se ali os tratados matrimoniais feitos por procuração em 1727. Sabemos que “fora do pavilhão, aguardava uma enorme multidão que se aglomerou nas margens do rio Caia” – o assunto está devidamente estudado em tese de mestrado pela historiadora Sónia Borges na Faculdade de Letras de Lisboa, 2016.

O cortejo com centenas de pessoas entra em Elvas vindo de Vila Viçosa e, a meio da rua de Olivença, é construído um festivo arco triunfal, seguindo depois para o Caia.D. João V, um dos reis mais influentes da Europa da época, fica hospedado em Elvas no paço episcopal desde 16 de Janeiro durante mais de uma semana, pois houve 11 dias de festa. São organizados arraiais, caçadas e missas solenes na Sé, situada na actual praça da República, com presença do povo e da nobreza.

Tiago Matias, licenciado em Estudos Europeus (Faculdade de Letras de Lisboa)

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