Passaram pouco mais de duas semanas sobre os trágicos incêndios em Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, que ceifaram 64 vidas humanas e deixaram um rasto de destruição estimado em mais de 500 milhões de euros. Na nossa memória vão perdurar por muito tempo as imagens das casas consumidas pelas chamas e dos moradores em desespero, mas, sobretudo, das viaturas carbonizadas na fatídica estrada EN-236-1, onde perderam a vida quase meia centena de pessoas.Na retina guardamos ainda as peças televisivas e fotos com bombeiros no limite da resistência, deitados sobre as pedras da calçada para tentar atenuar a exaustão. Particularmente tocante foi o depoimento de uma funcionária do centro de saúde de Castanheira de Pera a quem um bombeiro, no mais completo desespero, pediu para lhe ser ministrada uma injeção que acabasse com a sua vida.Da gigantesca tragédia que se abateu sobre a região Centro do nosso país, os “soldados da paz” emergem como verdadeiros heróis, levando ao limite a expressão “Vida por vida”, que é o lema dos bombeiros. Tão ao limite que entre as vítimas mortais figura um elemento da corporação de Castanheira de Pera, Gonçalo Conceição, de 40 anos, que perdeu a vida em consequência das queimaduras sofridas quando tentava salvar uma família na fatídica estrada 236.É precisamente aos bombeiros que dedico desta vez as minhas Linhas Soltas. E mais concretamente aos Bombeiros Voluntários de Elvas que, como se relata noutra página desta edição, apresentaram no último sábado o seu dispositivo de efectivos e viaturas para a fase Charlie de combate a incêndios.O acto realizado no Rossio de S. Francisco, com o imponente Aqueduto da Amoreira como cenário de fundo, serviu também para fazer o lançamento da campanha “Ajude quem sempre nos ajuda”. Com ela, os nossos “soldados da paz” pretendem angariar até 15 de Agosto a verba correspondente à sua fatia de comparticipação na compra de uma viatura de combate a incêndios florestais cujo custo ronda os 200 mil euros.A meta a atingir é assaz ambiciosa. São nada mais nada menos que 30 mil euros, mas, a julgar pela amostra inicial, tudo se encaminha para um final feliz. É que só naquele momento foi possível assegurar um pouco mais de metade do valor pretendido, graças ao anúncio da comparticipação do Município no montante de 10 mil euros e das Juntas de Freguesia com cinco mil, aos quais se juntam 500 euros angariados pela Associação Aboim Jovem, de Vila Boim, e 200 resultantes de uma parceria entre a associação Ialbax Running e o ginásio Go Fitness.Assim, durante pouco menos de um mês e meio, nós elvenses somos chamados a contribuir na medida das possibilidades de cada um. As caixas para recolha de donativos estão disponíveis no Balcão Único dos Paços do Concelho, nas sedes das Juntas urbanas e rurais e, passe a publicidade, nos supermercados Intermarché e Continente Modelo, e nas agências do Banco BPI e da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Elvas.Deixem-me ainda fazer referência a Gonçalo Feiticeiro, o rapper Dy Low, autor e intérprete do tema “Guardião de Vida”, dedicado ao universo dos bombeiros e que o nosso jovem conterrâneo estreou no final da cerimónia de sábado.Eu, pela minha parte, sinto enorme orgulho por fazer parte da equipa de apoio à campanha dos nossos bombeiros disponibilizando os meus modestos préstimos na comunicação da mesma. Tenho aliás para mim que apoiar esta causa é um imperativo de cidadania, na verdadeira acepção da palavra.Conhecendo sobejamente o espírito altruísta e solidário das gentes da minha Elvas, atrevo-me a admitir que a meta dos 30 mil euros será seguramente atingida e eventualmente antes do equador de Agosto. Para já, “só” faltam cerca de 14 mil…Fica pois o desafio aos elvenses: Vamos ajudar quem sempre nos ajuda?

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