Depois de na passada semana ter aqui destacado o património gastronómico elvense, plasmado na actual diversidade e qualidade de espaços de restauração, proponho debruçar-me desta vez sobre uma das jóias da doçaria local. As tradicionais Ameixas d’Elvas são assim, desta vez, as protagonistas da minha reflexão.
Reza a História que a receita original das ameixas de conserva era parte integrante do receituário do Convento de Nossa Senhora da Consolação ou das Dominicanas, fundado em 1528 e extinto em 1861. Entretanto em 1834 tinha início a produção de ameixa confitada, com a fundação da empresa José da Conceição Guerra & Irmão, uma fábrica a vapor que produzia frutas em conserva de açúcar.
Já no século passado, em 1919, Manuel Joaquim Candeias fundava a empresa “Frutas Doces”, que em 1970 passaria para as mãos do afilhado Mário Renato da Conceição e deste último para seu filho Luís, oficialmente a partir de 1999. Pelo caminho ficou entretanto a fábrica Carvalho & Sobrinho, fundada também neste último século; e mais recentemente, em 2010, nasceu a empresa Artesanal Frutas, liderada por Eduardo Barrena, que entre outras coisas se dedica igualmente à produção da ameixa seca e em calda.
São muitas e variadas as recordações que as Ameixas d’Elvas me evocam. Lembro, por exemplo, os maravilhosos bordados em papel que saíam das mãos da saudosa Cecília Camoesas diretamente para embelezar as caixas do fruto; a primeira visita que, a convite do também já falecido Mário Conceição, fiz à fábrica da Rua Martim Mendes; ou ainda os magníficos odores que se desprendiam da fábrica Carvalho & Sobrinho, na Rua do Sineiro, a poucas dezenas de metros da RDP Elvas, onde na altura eu trabalhava.
Com épocas melhores e piores – como tudo na vida – as Ameixas d’Elvas conquistaram ao longo dos tempos os mais díspares reconhecimentos, tanto a nível nacional como internacional. E só o facto da sua produção acontecer a uma escala relativamente reduzida inviabilizou a exportação massiva do produto para outras paragens, nomeadamente Inglaterra e Estados Unidos.
Regresso à empresa Frutas Doces, que agora transitou da gerência de Luís Conceição para a família Sereno Fonseca, adaptando precisamente a designação comercial Sereno & Fonseca, Limitada. Um nome que, por si só, constitui um feliz tributo a dois ramos familiares que se têm vindo a destacar no universo elvense.
Tenho a felicidade de conhecer suficientemente a Olívia Sereno, o José Carlos Fonseca e o filho de ambos, o nosso craque do futebol Henrique Sereno Fonseca, para augurar desde já um futuro promissor na nova actividade empresarial que agora abraçam. Destaco sobretudo a presença do Henrique neste projecto porque, sendo ele ainda futebolista profissional – actualmente na Índia depois das bem-sucedidas passagens por Portugal, Espanha, Alemanha e Turquia -, encara a entrada no mundo dos negócios como (con)sequência natural do próximo final de carreira desportiva. E ainda por cima na sua Elvas natal.
A julgar pelas amostras que aos poucos vão sendo reveladas, a Sereno & Fonseca, Lda., tem tudo para dar certo. Falo, nomeadamente, do layout das embalagens e dos textos de apresentação da empresa, a dar o mote para um projeto disruptivo porque conjuga tradição e modernidade em doses certas.
Como dizem os ingleses, “the best was yet to come” e, nesse pressuposto de que o melhor está para vir que acredito muito no ressurgir das Ameixas d’Elvas por via da Sereno & Fonseca. Ganhará a empresa e ganhará um produto que tem que recuperar terreno como um dos nossos maiores ex-libris.
Caros Olívia, Zé Carlos e Henrique, estou a torcer por vós e acredito piamente no êxito do projecto. Vocês são o perfeito exemplo de uma família unida e cujo trabalho dá frutos!
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