Como me costumo levantar muito cedo, mais cedo do que as galinhas, comecei a ficar impressionado com a dimensão e abrangência dos fogos e, acima de tudo, com o número de pessoas que iam morrendo ou sendo descobertas, já mortas, por estes fogos anómalos, assustadores, inquietantes…
Parece que ninguém aprendeu nada com Pedrógão…
Parece que ninguém, dos que mandam e são responsáveis, anda na rua, talvez porque vivem em casas com ar condicionado, andam em carros com ar condicionado e trabalham em gabinetes com ar condicionado, e não se apercebem que, apesar de o Outono ter começado em 21 de Setembro, o calor continua como se Verão fosse…
Mais, provavelmente, porque está muito calor, resolveram diminuir a temperatura dos ares condicionados e começaram a ter algum frio e, vai daí, toca a desativar os meios de combate aos fogos e toca de acabar os contratos com os aviões apaga-fogos, com os sapadores e lá acabaram com a “fase Charlie”… e a culpa não é de ninguém…
A “senhora” ministra queixa-se que não teve férias e não lamenta a sua incompetência e esqueceu-se é de dizer que os mortos de Pedrogão, esses, é que nunca mais irão ter férias…
O senhor primeiro ministro escuda-se atrás do relatório e esqueceu-se que, no tempo do Sócrates, foi ministro da Administração Interna e que não pode fugir das responsabilidades…
A verdade é que morreram 100 pessoas que não deviam ter morrido… passaram 4 meses sobre Pedrógão e ainda este Estado continua a discutir as responsabilidades e não indemniza ninguém.
Este país não existe… é um país que só vê o país dos “êxitos” económicos, dos turistas que nos visitam… um país que produz um orçamento em que há dinheiro para subir os ordenados dos funcionários públicos, para satisfazer as exigências dum mini partido, que perdeu as eleições autárquicas e uma data de câmaras municipais, mas que não tem dinheiro para a defesa do território e das populações.
Um país em que os governantes dizem que as populações têm que ser mais resilientes, mais proactivas, esquecendo, ou nem sequer imaginando, que essas populações são os velhos que ficaram abandonados nas aldeias, que tratam das suas hortas e das ovelhas para seu único sustento… mas que sabem lá ir buscar o dinheiro dos impostos para os mercedes e bmws em que se passeiam quando vão fazer as visitas acompanhados das televisões.
Estou em choque… impressionado… ao fim de 70 anos da minha vida e de 45 a tentar salvar vidas e cuidar da saúde dos doentes… Estas mortes, gratuitas e inglórias, deixam-me em choque.
Quem é que nos governa? Será que temos, mesmo, um governo?
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