Começo por dizer que não assisti em directo à edição do pretérito dia 30 de Outubro do programa televisivo.
“Prós e Contras” da RTP 1, dedicada ao presente e futuro do Alentejo. No dia seguinte à transmissão, alertado por pessoas amigas, recorri ao bendito sistema das gravações automáticas para ver os principais momentos daquele espaço de debate e opinião sobre temas de actualidade.
Depois de visionar a rubrica pude não apenas confirmar como até ampliar aquilo que me havia sido transmitido. E que, aliás, o João Alves e Almeida abordou de forma exemplar no seu editorial da passada edição do Linhas.
A excelente análise feita pelo João e o facto de, entretanto, ter passado mais de uma semana sobre o “Prós e Contras” levou-me a pensar se ainda faria sentido dedicar esta minha reflexão ao tema. Acabei por manter a intenção inicial, reforçada pelo tema de capa da revista Sábado da semana transacta.
Para quem não tenha visto o programa da RTP ou lido a referida publicação, passo a explicar ao que venho.
Tal como sucedeu no “Prós e Contras”, o Alentejo foi tema para uma reportagem que se estendeu por várias páginas da Sábado, tendo como ângulo de abordagem um conjunto de roteiros turísticos de excelência no Alentejo interior. E, por incrível que pareça, em quatro percursos sugeridos o distrito de Portalegre quase prima pela ausência.
Aquilo que acabei de escrever está em linha com o ostracismo a que a região norte-alentejana foi votada no espaço televisivo moderado por Fátima Campos Ferreira. Quem assistisse ao programa desconhecendo em absoluto a realidade de uma região que corresponde “só” a sensivelmente um terço do território continental português, ficaria a saber que existe um Alto Alentejo, cuja capital é Évora; e o Baixo Alentejo, que tem em Beja o seu epicentro. E o “outro” Alto Alentejo – ou Alentejo Central -, aquele que corresponde geograficamente ao distrito de Portalegre, onde fica?
No fundo este esquecimento do “Prós e Contras” para com a região na qual estamos administrativamente incluídos, mais não é que um claro reflexo do escasso peso que o também denominado Norte Alentejano possui no contexto nacional. Somos poucos, pouco reivindicativos e, salvo conhecidas e honrosas excepções, o nosso tecido empresarial tem escasso peso na economia regional e do país. Não é, pois, por acaso que o círculo eleitoral de Portalegre já teve três deputados na Assembleia da República, hoje são dois e vamos ver se as coisas ficam por aqui, caso uma futura alteração constitucional faça diminuir o número de parlamentares.
Curiosamente – ou talvez não… – algumas personalidades que estiveram no auditório da Fundação Champalimaud para o programa da RTP 1 e poderiam ter feito a diferença no que respeita a uma concepção abrangente e mais efectiva do Alentejo, quase não tiveram tempo de antena. Dou como exemplo o actual presidente da CCDRA do Alentejo, Roberto Grilo, lamentavelmente ignorado pela produção do “Prós e Contras”.
Urge mais que nunca sentar à mesa as chamadas forças vivas do distrito de Portalegre – políticos, autarcas, empresários, dirigentes associativos e agentes culturais, entre outros – para criar uma plataforma de defesa dos interesses comuns. Sem medo de fazer lobby, pressão ou o que lhe queiram chamar.
Como se costuma dizer amiúde, o melhor de uma sanduíche é aquilo que está no meio do pão. Permitam-me recorrer a esta imagem para dizer que, na “sandes” em que parecem ter transformado o Alentejo, Évora e Beja até podem ser o pão mas Portalegre, entalada entre duas apetitosas fatias, proporciona um não menos suculento recheio.
Temos consciência que somos bons em diversas áreas. Só precisamos lembrar aos demais que somos. E que o sabemos.
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