A 18.ª edição da Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação política de jovens que se realiza desde 2003 (com dois anos de paragem em 2020 e 2021 devido à pandemia de covid-19), decorre em Castelo de Vide desde segunda-feira e até domingo, com o encerramento a cargo do presidente do partido, Luís Montenegro.

O antigo líder do PSD Luís Marques Mendes assegurou ontem, dia 31 de agosto, não ter ambição de se candidatar à Presidência da República ou a outro cargo político, e defendeu que o PSD tem “grande oportunidade” de vencer as europeias e legislativas.
Numa longa ‘aula’ perante os alunos da 18.ª edição da Universidade de Verão do PSD, Marques Mendes fez também uma previsão quanto ao pacote de medidas de apoios sociais que o Governo deverá aprovar na próxima segunda-feira em Conselho de Ministros.
“Vai ser um pacote muito robusto, um pacote tanto quanto sei impactante, com muita despesa pública. Não conheço as medidas, pode até ultrapassar a proposta já de si ousada e robusta de Luís Montenegro. O pacote do Governo pode ser um pacotão”, anteviu.
Marques Mendes foi desafiado pelo diretor da Universidade de Verão, o antigo eurodeputado Carlos Coelho, a fazer uma antevisão do ciclo eleitoral que começa com eleições europeias em 2024, continua em 2025 com autárquicas e termina em 2026 com legislativas e presidenciais.
Sobre Belém, o antigo presidente do PSD entre 2005 e 2007 considerou ser “muitíssimo cedo” para fazer previsões, mas salientou que os quatro chefes de Estado civis eleitos até hoje foram antes líderes partidários.
Na fase das perguntas dos alunos, Mendes foi desafiado a concretizar se irá seguir o percurso do atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e depois de ser líder do PSD e comentador televisivo protagonizar uma candidatura a Belém, ou quem veria nesse lugar no centro-direita.
“Repetindo pela enésima vez – embora alguns achem que isto não é genuíno, mas é -: não está nas minhas ambições, nos meus propósitos, nos meus objetivos de futuro qualquer candidatura seja essa seja a outro cargo qualquer”, afirmou, sem apontar nomes possíveis a esse cargo.
O antigo líder social-democrata procurou também contestar semelhanças com o atual Presidente da República, dizendo que este foi muito superior quer no comentário político – “foi o papa do comentário” – quer do ponto de vista político.
“A única grande semelhança que há entre nós é que nos une uma grande amizade”, disse.
Quanto ao restante ciclo eleitoral, Marques Mendes defendeu que a “grande ambição do PSD” deve ser “primeiro ganhar as eleições europeias”, salientando que seria a primeira vitória eleitoral do partido em nove anos.
“Segundo, tentar ganhar ou ter o maior resultado possível em autárquicas e, sobretudo, tentar voltar ao Governo em eleições legislativas”, apontou.
Sobre estas últimas, que se deverão realizar após as presidenciais, Marques Mendes considerou que o PSD “pode ter uma grande oportunidade” de as vencer, antevendo que o opositor do lado do PS já não será o atual primeiro-ministro, apontando algumas dificuldades nos próximos anos para António Costa.
“Toda a gente sabe que o primeiro-ministro adoraria ter um cargo europeu – e se não tivesse havido eleições antecipadas provavelmente não disputaria legislativas em 2024 para tentar um cargo europeu -, isto pode introduzir uma frustração pessoal e política enorme no atual primeiro-ministro”, advertiu.
Para Mendes, “vai ser um drama ter um primeiro-ministro frustrado, desiludido, maldisposto, não feliz da vida”.
“É um primeiro-ministro que não tem toda a capacidade para a direção do Governo”, apontou.
Ao longo de mais de hora e meia, Marques Mendes defendeu que o país e os políticos devem ter mais ambição nos seus objetivos, não temer as reformas estruturais e fazer “o que é importante e não apenas o que é urgente”.
“A vida política é dinâmica, é mais como um filme do que uma fotografia. A demissão da ministra da Saúde é um excelente exemplo de como a política tem ciclos, altos e baixos. O poder é a coisa mais efémera do mundo, convém que as pessoas mantenham a coerência e humildade”, desafiou.

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