Os fabricantes e instaladores de janelas eficientes têm registado um “enorme aumento da procura”, com a disponibilização de apoios estatais para a melhoria da eficiência energética dos edifícios, mas queixam-se de escassez de matéria-prima e mão-de-obra.
Em entrevista à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Janelas Eficientes (Anfaje), João Ferreira Gomes, disse que se tem registado “um enorme aumento da procura” por janelas sustentáveis e congratulou-se com o lançamento dos programas de apoio no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), nomeadamente o lançamento dos programas Edifícios Mais Sustentáveis e Vale Eficiência, da responsabilidade do Fundo Ambiental.
O responsável apontou, no entanto, que já antes da pandemia de covid-19 e do lançamento daqueles programas, o setor das janelas, portas e fachadas eficientes registava uma “procura muito positiva, devido à forte dinâmica de investimento na reabilitação e construção de novos edifícios”.
A associação espera que os valores totais previstos no PRR para a melhoria da eficiência energética dos edifícios, na ordem dos 620 milhões de euros, “sejam completamente aproveitados pelas entidades públicas e privadas”.
“Contudo, cremos que será necessário que o Fundo Ambiental promova uma comunicação mais eficaz e direta junto dos portugueses para que haja um melhor conhecimento dos apoios disponíveis existentes”, realçou João Ferreira Gomes.
Apesar do aumento da procura, o setor enfrenta alguns desafios, causados pela pandemia e pela disrupção de algumas cadeias logísticas, que têm vindo a trazer “enormes dificuldades no abastecimento de algumas matérias-primas”, como o alumínio, o aço, o vidro e o PVC (policloreto de vinilo, um polímero sintético de plástico), bem como um permanente aumento dos respetivos preços de aquisição, apontou a associação.
A acrescer a estas dificuldades, João Ferreira Gomes referiu também que o setor enfrenta ainda um problema de falta de mão-de-obra, sobretudo nas áreas de instalação em obra, razão pela qual a Anfaje tem em curso um conjunto de iniciativas para promover novas ações de formação profissional para o setor.
Segundo a Anfaje, as características das janelas eficientes contribuem para o reforço do isolamento térmico e acústico, aumentando o conforto dentro da habitação e permitindo uma poupança em cerca de 40% no consumo e na fatura energética.
Anatoly Ladyka, que tem uma empresa de instalação de janelas de PVC de classe energética A+, desde 2019, com uma loja em Évora e outra nas Caldas da Rainha, disse à Lusa que desde que foram disponibilizados os apoios do Fundo Ambiental, registou um aumento da procura pelos seus produtos.
Para ele o motivo é muito simples: as janelas são caras (cerca de 250 euros por uma janela branca, de tamanho normal, com vidros duplos) e com o incentivo de 1.500 euros, dá para cada cliente trocar seis janelas.
“Ainda é muita janela”, considerou o empresário de 28 anos, que veio da Ucrânia para Portugal com nove anos, dizendo também notar que quem procura janelas tem já um maior conhecimento sobre as vantagens da instalação de janelas eficientes, uma situação também referida pela Anfaje.
Ladyka partilha das queixas apresentadas pela associação, relativamente à escassez de materiais e ao aumento dos preços da matéria-prima na ordem dos 23% a 29%, segundo o empresário, que estão a causar atrasos na produção de janelas.
“Nós estamos a sofrer um bocadinho. Não sei se foi por causa da pandemia, se foi por causa do navio [Ever Given, que encalhou em março no Canal de Suez, uma das passagens mais importantes para o comércio mundial], se foi por causa de tudo ao mesmo tempo –, mas neste momento há muita falta de matéria-prima”, apontou o empresário.
De acordo com a análise da associação ambientalista Zero ao relatório do grupo de investigação da Comissão Europeia ‘Joint Research Centre’ (JRC), divulgado no final de outubro, sobre o progresso dos Estados-membros na implementação da Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD, na sigla inglesa), que está atualmente sob revisão, “Portugal é o país da UE-28 a apresentar os valores mais baixos de poupança energética nos edifícios residenciais nos três níveis de renovações” (profundas, médias e ligeiras).
Segundo o relatório, a maior parte dos investimentos nacionais em renovação ocorreu em renovações médias e ligeiras (onde se inclui a substituição de janelas), onde as taxas de poupança energética são menores.
A Zero considerou que os incentivos fiscais e instrumentos financeiros promovidos para a melhoria da eficiência energética em Portugal têm “ainda resultados limitados”.
“Portugal ainda está aquém do desempenho energético desejado para os edifícios e necessita avançar com as ações a nível nacional, em consonância com as políticas e estratégias atuais para cumprir com o objetivo de neutralidade climática”, defendeu a Zero.

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