A situação de pandemia atual veio exacerbar os desafios sistemáticos das empresas do interior de Portugal. Confrontadas com uma forte quebra na atividade económica e consequente redução da receita, vêm-se afastadas dos grandes centros populacionais, e como tal as oportunidades de obter faturação alternativa são reduzidas.

A somar a isto, os desafios sistemáticos são, por um lado, o envelhecimento da população e um grande défice na reposição geracional. E por outro, a fraca oferta de emprego, o baixo empreendedorismo, e os baixos níveis de desenvolvimento de infraestruturas e serviços. Estas circunstâncias obrigam a população a migrar, o que acentua a desertificação, criando assim um ciclo negativo do qual é progressivamente mais difícil escapar.

Mão de Obra Qualificada

A espiral negativa da desertificação torna difícil às empresas preencher postos de trabalho que exigem mão de obra qualificada. A falta de mão de obra qualificada dificulta o processo de inovação, o que reduz as condições propícias para o empreendedorismo se estabelecer. As Universidades e Politécnicos aqui têm um papel fundamental na atração de jovens de diferentes partes do país que procuram obter a sua formação. Um modelo de parceria entre o tecido empresarial e as instituições de ensino é um método comprovadamente eficaz pois por um lado promove a aplicação das aprendizagens no mundo real permitindo aos jovens obter experiência de trabalho, e por outro oferece às empresas a oportunidade de contratar mão de obra qualificada com formação específica para as suas atividades.

Inovação

Os constrangimentos acima referidos tornam imperativo a necessidade de investir na inovação. Mas esta não se cinge apenas na criação de novos produtos, mas também fundamentalmente na atualização dos métodos e ferramentas de trabalho, em que o foco deve ser sempre a máxima eficiência em todos os aspetos da organização.O «boom» da Internet no início do século 21 tornou ubíquo o seu uso e redes sociais, sites de e-commerce e até plataformas de encontros online, são hoje visitadas por milhões de pessoas em todo o mundo. Consequentemente a presença online é atualmente deveras importante, pelo que a promoção dos produtos e da marca deve, hoje em dia, ser feita através de múltiplos canais online.

Acessibilidades

Apesar dos fortes investimentos das décadas passadas, o nível de infraestruturas no interior do país continua a ser insuficiente. Para mais, o grosso do investimento focou-se em ligações rodoviárias, que embora importantes não são suficientes para mitigar o custo da exportação dos produtos produzidos nestas regiões. Uma maior aposta na ferrovia e na sua ligação coordenada com as ligações rodoviárias torna-se fundamental para ligar o interior aos portos e grandes centros urbanos.

Centralização

A centralização excessiva dos serviços do estado nas maiores metrópoles do país, dos quais são maiores exemplos o Porto e, principalmente, Lisboa, têm como consequência a virtual monopolização do investimento público e privado nestas regiões elevando entre outras coisas o custo de vida para os seus habitantes. Da mesma forma, a população é atraída para estes centros perseguindo os trabalhos que aqui são fixados em torno desse mesmo investimento. Isto tem resultados nefastos nas regiões do interior, que se vêm o seu capital humano forçado a migrar.

A regionalização e consequente descentralização do país torna-se assim uma necessidade para que um desenvolvimento equilibrado e equitativo possa acontecer. As regiões autónomas são disto um exemplo, e nomeadamente a Região Autónoma da Madeira viu um ritmo de desenvolvimento impressionante nas passadas décadas apesar dos constrangimentos da insularidade.

Financiamento, Investimento e Empreendedorismo

Todos os fatores acima mencionados dificultam o acesso ao financiamento especialmente no contexto da pandemia de Covid-19. As linhas de crédito fornecidas pelo Governo da República são fundamentais para permitirem às empresas locais manterem-se à tona neste período de baixa faturação. Contudo, no futuro pós pandemia a falta de financiamento ao investimento irá previsivelmente manter-se. O estado deverá ter um papel mais interventivo na promoção da fixação das empresas nestas regiões. A criação de zonas económicas especiais agarradas a critérios como o emprego direto gerado, ou incubadoras de start-ups com acesso privilegiado a linhas de crédito ou fundos europeus são aqui opções.

Sinais de Esperança

Apesar do panorama apresentado aparentar ser irremediável, existem alguns sinais de esperança e exemplos que contrariam este cenário. Várias autarquias têm feito investimentos e desenvolvido políticas de incentivos com o objetivo de fixar os mais jovens. Desde a construção de centros de saúde e contratação de médicos, passando pelo apoio monetário aos nascimentos, e até o apoio à aquisição de equipamentos por parte de empresas. Mas mesmo com todas as medidas as dificuldades persistem pelo que apenas uma política concertada do governo da república poderá vir a contrariar esta tendência.

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