Cumpriu-se na semana passada 10 anos da intervenção da troika em Portugal. A Comissão Europeia, o BCE e o FMI, trio que ficou conhecido como a troika, entraram por Portugal a dentro e fizeram aquilo que é difícil de descrever e foi custoso vivenciar.
A 6 de abril de 2011 o governo, chefiado por Sócrates, anunciava ao país o pedido de intervenção com o apoio do PSD e CDS, vincado com a assinatura do memorando de entendimento. A ameaça de banca rota, despesismo do povo a quem se atribuíram culpas por viver acima das possibilidades, foram os principais argumentos.
Aqui o grande capital, a começar pela banca, esfregou as mãos de contente e contou com a bênção do Presidente da República. O que se seguiu já é do conhecimento de todos. O PSD/CDS fizeram cumprir a sentença e foram os carrascos. Foram anos de agonia, sofrimento e desesperança. A nossa lei fundamental sofreu atropelos diversos. Alteração da legislação laboral, redução de salários, privatizações, crescimento da divida, desemprego, aumento da pobreza, emigração em massa, redução investimentos publico. Uma vez mais as consequências foram para a maioria – o povo, os trabalhadores e as PME’s – pois uma minoria encontrou, na conjuntura da altura, chão fértil para engordar ainda mais os bolsos.
Felizmente na legislatura que seguiu o povo disse basta. É bom recordar que a intervenção do PCP foi fundamental para devolver ao povo, aos trabalhadores e às PME’s uma nova esperança que se traduziram na reposição de direitos e garantias entre outras contribuições no sentido que manter firmes os valores de Abril.
10 anos passados, ainda que em circunstâncias totalmente diferentes, tem-se assistido através das medidas que decorrem da utilização consecutiva do estado de emergência e por conseguinte da sua banalização, a um favorecimento do grande capital em detrimento e prejuízo do povo, dos trabalhadores e das PME’s. Um exemplo para reflectir:
No decorrer dos estados de emergência os hipermercados em funcionamento, com horários controlados e cumprindo as medidas sanitárias, maximizando a utilização dos meios digitais fizeram o seu negócio. Então porque é que as pequenas lojas/mercearias de proximidade não puderam também estar abertas? Ou seja, os grandes negócios com mais possibilidades e meios podem viver os outros não, porquê? A luta PCP é contra estas e outras desigualdades.

Filipe Mota é licenciado em Gestão e Organização de Empresas pela Universidade de Évora

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais artigos por Redacção
Carregar mais artigos em Opinião

Veja também

Três crianças com vómitos ficaram internadas “por precaução” no hospital de Beja

Das 42 pessoas que deram entrada hoje nas urgências do hospital de Beja devido a vómitos, …