2013 foi o ano em que, no âmbito da chamada reorganização administrativa imposta pela maioria PSD e CDS, culminou o processo de agregação/extinção de 1168 freguesias apesar da contestação e oposição das populações e da maioria dos órgãos autárquicos.

Ora com isto convém relembrar que se perdeu a proximidade dos eleitos com as populações, com a redução de eleitos; tornou-se mais difícil a capacidade de intervenção na resolução de problemas; perdeu-se a identidade de cada freguesia e reduziu-se a capacidade reivindicativa das populações e dos seus órgãos autárquicos.

Era propagandeado na altura que se justificava pelos ganhos financeiros. Afinal a visão economicista não trouxe os referidos ganhos o que trouxe foi um acentuar das assimetrias regionais existentes com o encerramento de diversos serviços públicos o que veio esvaziar e agravar a vida do povo em muitas localidades especialmente nas rurais e no interior, visto que a freguesia era a entidade que restava.

Desde a sua extinção tem surgido várias iniciativas como abaixo-assinados, petições, moções aprovadas em órgãos autárquicos, movimentos de freguesias, para a sua reposição. Passaram as eleições de 2017 e PS, PSD e CDS chumbaram a proposta de reposição do PCP.

A ANAFRE (associação nacional de freguesias) nos seus dois últimos congressos colocou o assunto como questão central. O PS, com “manobras de diversão” tem andado a empurrar a questão para que não seja efectiva antes das próximas autárquicas.

Em mais uma tentativa o PCP apresentou para votação, a 11 de março, um projecto de lei para reposição das freguesias extintas e mais uma vez foi rejeitado com votos contra do PS, PSD e CDS aos quais também se juntaram PAN, IL e CHEGA.

As expectativas e vontade das populações foram mais uma vez frustradas. Mas o PCP, como nos tem habituado, irá continuar a intervir e a lutar pela reposição das freguesias extintas.

Filipe Mota é licenciado em Gestão e Organização de Empresas pela Universidade de Évora

  • E vão setenta e um

    A melhor dádiva e alento que uma empresa pode ter é sempre a satisfação do seu consumidor …
  • Parcerias opacas – parte II

    Todos conhecemos casos em que o Estado, em matéria de contratação publica, especialmente n…
  • Parcerias opacas – parte I

    “Litígios nas parcerias público-privadas envolvem 878 milhões de euros”. Este título de um…
Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais artigos por Redacção
Carregar mais artigos em Opinião

Veja também

Portugal regista mais um morto e 230 infectados. Alentejo com 38 novos casos

Portugal regista hoje uma morte atribuída à covid-19, o valor mais baixo desde maio, assim…