A presidente da Agência europeia do medicamento (EMA) afirmou recentemente que a vacina russa Sputnik-V é comparável a “uma roleta russa” aconselhando assim os países da união europeia a não a autorizarem. Como se deve imaginar a reação dos criadores da vacina foi imediata, exigindo estes um pedido de desculpas. Segundo estes, tal comentário não tem sentido e até põe em causa a credibilidade da EMA pois o processo de avaliação da dita vacina está a decorrer. No primeiro impacto só haverá um comentário a fazer – e que por sinal poderá estar na razão do atraso da validação daquela – que é o facto de existirem interferências políticas.

Note-se que a vacina já foi reconhecida por 46 países, não obstante o fornecimento das autorizadas pela EU estar longe de corresponder às expectativas.

O objectivo, pelo menos inicial, seria imunizar a população o mais rápido possível e para isso não se olharam a meios (dos contribuintes) aceitando contratos descaradamente favoráveis às farmacêuticas, de onde se salienta a desresponsabilização destas em caso de eventuais efeitos secundários entre outras clausulas secretas. Perguntar-se-á então porque razão a EMA retarda a validação da Sputnik-V e nem sequer encara a possibilidade de apreciar a 4 vacinas chinesas já aprovadas?

A China arrancou com a produção em massa no verão de 2020 e propõe-se produzir 500 milhões de doses a 45 países. Recentemente duas farmacêuticas chinesas anunciaram que poderiam produzir 4 mil milhões de doses por ano. Impressionante não? Bem vistas as coisas, já poderíamos estar todos imunizados e as implicações que isso teria na nossa vida social e económica? Já pensaram?

Perante isto não me parece ter sentido pensar que a China ou a Rússia queiram “eutanaziar” a sua população de 1,5 biliões e 144,5 milhões de habitantes respetivamente, com vacinas de “roleta”. Será isto criticável porque, a China no caso, se comprometeu a torna-la um bem público comum e distribuído de forma justa e equitativa?

Chegados aqui o que pensar? Pois. É este o normal que estaremos destinados a aceitar – Os interesses do Capitalismo sem rédeas que se sobrepõe a tudo e a todos. Política não é isto. Política é colocar o interesse dos povos em primeiro.

Filipe Mota é licenciado em Gestão e Organização de Empresas pela Universidade de Évora

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