Temos agora o PRR (plano de recuperação e resiliência) em discussão publica, que teve em conta o plano elaborado por Costa e Silva, a estratégia 2030, o PNPOT, o PNEC 2030, o PNI 2030, o Portugal digital, o programa de valorização do interior, o plano de melhoria de resposta do SNS, entre muitos outros. Estamos mergulhados em planos numa economia liberalizada onde o Estado não comanda estrategicamente e, tem primazia a economia não planificada, anárquica, que avança ao sabor dos mercados, da concorrência, ou seja, da busca exclusiva do lucro, da exploração das assimetrias e fragilidades sociais, concentração de riqueza e das crises. O Estado ao fazer planos nas referidas circunstâncias não está a planificar, pois os planos sucedem-se uns aos outros com promessas e objetivos que não são exacta e rigorosamente verificáveis e mensuráveis porque num passo seguinte surge um novo plano com novas promessas e objectivos que substitui o anterior e assim se vão sucedendo os planos. Todos eles contendo milhões que observamos, espantados e muitas vezes incrédulos, a passar de plano em plano sem percebermos se se trata de dinheiro novo ou usado por outros planos e igualmente desconhecendo se é exactamente a fundo perdido ou se teremos de devolver ou se surgirão outros planos que empurrarão os milhões prá frente ou seja, para os próximos anos, até que venha o próximo fechar a porta. Certeza de muitos planos pouca planificação e sentimento real de vida hipotecada.

Na opção estrutural actual (Estado sem comando estratégico numa economia liberalizada) o Estado planeia como fazer para atrair, estimular e promover investimento privado. Todavia a consequência é o Estado cair na teia dos planos do grande capital. Situação deveras conveniente para estes pois são uma boa forma de camuflar a apropriação de fundos públicos e sustentação de seus privilégios.

O que faz falta é um Estado para todos e ao serviço de uma economia planificada assente, mais na cooperação que na competição. Assente na propriedade publica de determinados sectores e meios de produção básicos que garanta a todos (Trabalhadores, Povo e Micro pequenas e médias empresa) a possibilidade de disfrutarem de uma vida plena.

Filipe Mota é licenciado em Gestão e Organização de Empresas pela Universidade de Évora

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