Em 2011, o Governo PSD/CDS-PP, iniciou uma estratégia para garantir que as tarifas em Alta nas concessões que geria, e onde a generalidade das autarquias era também acionista, teriam preços equilibrados, diminuindo as diferenças verificadas entre litoral e interior.

Esta estratégia culminou, em 2015, na agregação de concessões entre o litoral e o interior, colmatando os défices tarifários do interior com menos densidade populacional com os superávites do litoral, permitindo a realização de tarifas idênticas em locais com menos rentabilidade.

O CDS-PP lamenta que, a nível do distrito de Portalegre, não se tenham ouvido vozes que defendessem o interesse dos seus habitantes quando com a viragem à esquerda do Governo em finais de 2015, a empresa então criada, no seguimento da estratégia acima explicada, e que agregava litoral e interior, denominada “Águas de Lisboa e Vale do Tejo” se tenha visto usurpada das empresas do litoral que lhe davam dimensão, passando a partir de então a não ter qualquer poder de decisão a nível local no distrito de Portalegre, figurando mais um exemplo do abandono do Alentejo, que vê os seus habitantes sempre mais longe do poder de decisão.

Era, entre 2011 e 2015, preocupação do Governo garantir no futuro, e na sequência da medida anteriormente descrita, que o preço da tarifa da água em baixa (ao consumidor final) passaria também ela a estar equilibrada em todo o território, através de uma verticalização, à imagem do que acontece em vários outros países Europeus. Este caminho consolidaria todos os custos numa única tarifa, passando para as concessões toda a responsabilidade de abastecimento ao consumidor, incluindo os investimentos tão necessários nas infraestruturas em baixa, como se verifica no caso de Elvas, onde os investimentos realizados hoje não justificam o preço imputado ao consumidor final.

O CDS-PP jamais poderá apoiar as escolhas que têm sido feitas no que diz respeito à gestão da água, que destruíram a busca por maior equilíbrio entre litoral e interior.

O CDS-PP não assistirá calado a que, ao abrigo de uma fantasiosa “descentralização”, se empurrem para as autarquias responsabilidades acrescidas sem o garante de almofadas orçamentais e de conhecimento técnico que permitam uma adequada gestão do ciclo urbano da água, deixando de colocar em primeiro lugar o consumidor final, que é forçado a sustentar as ineficiências dos sistemas e que, com o tempo, terá naturalmente estruturas com menos investimento na sua renovação e que conduzirão a um decréscimo na qualidade da água e saneamento, consequentemente reduzindo a segurança do consumidor.

O CDS-PP relembra os habitantes do Distrito de Portalegre que não basta falar em descentralização para que de facto haja uma aproximação de Lisboa ao Alentejo, são necessárias medidas concretas que permitam mais qualidade de vida às populações e é imperativo que se lute pelo interesse de todos e não apenas de alguns.

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