A UGT Portalegre, que “tem vindo a acompanhar as consequências da evolução da propagação do coronavírus SARS-CoV-2”, denunciou, em comunicado, o “estado de esgotamento” em que se encontram os enfermeiros.
“Ao aumento do número de novos casos e de mortos pela doença, soma-se o elevado nível de exaustão destes profissionais, tendo a UGT Portalegre informação de muitos estarem a atingir o seu limite e do evidente aproximar do colapso do sistema de saúde, nomeadamente no Alentejo”, alertou a estrutura.
De acordo com a UGT, “para uma luta eficaz no combate a esta infecção, para além das devidas defesas que ficam a cargo exclusivamente de cada cidadão, necessitamos ter os profissionais de saúde nas condições adequadas quanto à sua capacidade, tanto profissional como prática, mas também emocional”, contudo, “a evolução da pandemia não ajuda”.
“Assustadoramente, e provavelmente por um agravar da doença, existem relatos que os ventiladores não estão exclusivamente a ser usados por pessoas de idade mais avançada, mas por gente de todas as idades, e, mais grave ainda, em pessoas mais novas que nem se apresentam sequer com qualquer patologia associada”, acrescentou.
Ainda segundo a UGT, “os enfermeiros, profissionais de saúde que se encontram na linha da frente, têm vindo a acrescentar, a um trabalho de rotina demasiado exausto, uma necessidade de um equilíbrio emocional que se torna cada vez mais difícil, inquestionável, até pela diversidade de seres humanos que lhes vão passando pelas mãos todos os dias”.
Além disso, prossegue, “os hospitais do Alentejo não têm hospitais particulares de suporte, como em Lisboa, e têm que trabalhar com os meios ao dispor”. “Aumentam-se o número de camas em espaços que não eram previsíveis, para socorrer um número ainda maior de pessoas infectadas, mas que são imediatamente preenchidas assim que exista qualquer vaga”, observou.
A estrutura referiu igualmente que, “com demasiados doentes para o número de enfermeiros em serviço, mais as horas extraordinárias e as acumuladas dentro dos equipamentos de protecção individual, sem férias, há quem apele ao retorno dos cerca de 20.000 enfermeiros portugueses a trabalhar no estrangeiro, muitos deles convidados a sair do País há bem pouco tempo atrás”. “Aposentados de regresso ao serviço, mais possíveis colegas de outros países em auxílio, serão a resolução para o problema”, questionou.
Finalmente, a UGT Portalegre transmitiu “toda a sua solidariedade para com os enfermeiros do Alentejo”, que “têm incansavelmente elevado o seu sentido de missão”, e colocou-se “inteiramente ao dispor, também através dos sindicatos afectos à UGT, como o SINDEPOR, sedeado em Évora”, com quem tem “trocado informações, assim como com a UGT Évora e UGT Beja, para tudo o que considerem oportuno”.
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