O candidato presidencial João Ferreira defendeu hoje que o declínio do interior não é “uma realidade inevitável”, mas sublinhou que é necessário inverter essa situação e não geri-la, como tem sido feito até aqui.
“Aquilo de que nós precisamos não é de gerir o declínio, é de inverter o declínio do interior”, considerou, notando que não se deve partir de “pressupostos errados” de que as causas dos problemas estão nos próprios territórios.
Numa sessão com organizações sociais em Portalegre – um distrito em que a população na reforma e no desemprego é superior à população ativa -, o candidato apoiado pelo PCP e PEV alertou para a situação “insustentável” em que está o interior do país, frisando que é nos próprios territórios que estão os recursos e as potencialidades para reverter esse declínio.
“É possível combater este trajeto de declínio, é possível alterá-lo, com políticas de desenvolvimento regional sérias”, sustentou, lamentando que os planos de desenvolvimento para o interior tenham um “enviesamento de partida”, que é “associar as causas de subdesenvolvimento aos próprios territórios”.
Para o eurodeputado, que falava na Biblioteca Municipal de Portalegre, “quando há um erro de partida, as soluções normalmente nunca dão bom resultado”, embora esta não deva ser vista como uma “realidade inevitável”.
João Ferreira lembrou que a situação no distrito “já era complicada devido à pandemia”, com a diferença “que esses impactos caíram em cima de uma realidade que era já marcada por políticas que provocaram uma situação de isolamento e abandono”.
“Nem aquilo que aconteceu durante muitos anos a este distrito, nem as consequências que resultam do impacto económico e social da pandemia têm de ser vistas como uma realidade inevitável, pelo contrário”, sublinhou.
Antes da intervenção do candidato, várias pessoas do distrito de Portalegre fizeram um retrato da realidade de múltiplos setores, caso de Joaquim Manuel, da Confederação Nacional de Agricultura (CNA).
Joaquim Manuel defendeu que a terra seja dada “a quem a trabalha” e que o interior “não se povoa aumentando a concentração da propriedade a terra”, sendo necessário fixar gente nova que para ali vá viver e explore a terra.
Por outro lado, referiu, é preciso que o próprio Estado adquira os alimentos produzidos localmente para consumo local, pois “não se percebe como os refeitórios escolares podem ser abastecidos por hortícolas que vêm de Marrocos”.
“Não é possível assim, em que o principal item da contratação pública é o preço, quando devia ser a proximidade”, alertou, sublinhando que, desta forma não “vale a pena encherem a barriga e a boca do interior” sob pena de se caminhar para uma desertificação ainda mais acentuada.
Também Inês Fonseca, do movimento Chão Nosso, considerou que as culturas intensivas estão a comprometer o território, com “muitos milhares de hectares a alterar a paisagem”, realidade que é vendida à população “como se não houvesse outro caminho”.
Já Jorge Borlinhas, dos Bombeiros voluntários de Avis, queixou-se de “lacunas muito grandes, principalmente no financiamento público” e de que o Estado não dá aos profissionais equipamentos de proteção individual, que são equipamentos “caros”.
O candidato comunista vai estar hoje por terras alentejanas, seguindo durante a tarde para a Universidade de Évora para uma visita ao Laboratório HÉRCULES.
João Ferreira termina o dia numa sessão pública em Serpa, visitando depois uma padaria naquela cidade.
As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.
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