Há uma agitação política no Norte Alentejo com a demissão irrevogável de Francisco Vinagre do cargo de Vice-Presidente da Comissão Política Distrital da Juventude Social Democrata (JSD) de Portalegre.
Em nota de imprensa, o dirigente não se poupa nas críticas à estrutura local e nacional e atira-se a João Pedro Luís, o novo líder nacional dos jovens social democratas, acusando-o de “colocar os interesses próprios à frente”.
A decisão surge no rescaldo do XXIX Congresso Nacional da JSD, realizado em maio, em Viseu, que elegeu João Pedro Luís como novo líder nacional. Francisco Vinagre justifica a sua saída por um “profundo desalinhamento” com a liderança e acusa a atual direção de promover o “caciquismo” e o “compadrio”, que considera lesivos para o futuro do país e da região.
Leia abaixo, na íntegra, o comunicado emitido por Francisco Vinagre:
“Na JSD, estamos a lidar com um líder Nacional que coloca os interesses próprios à frente e, por esse motivo, saio desta Comissão Política desiludido pelo caminho político que estamos a deixar para o Alto Alentejo e o futuro do nosso país.
Eu, Francisco Vinagre, Vice-Presidente da Comissão Política Distrital da Juventude Social Democrata, após reflexão dos acontecimentos no XXIX Congresso Nacional da Juventude Social Democrata, nos dias 22, 23 e 24 de maio, onde se elegeu em Viseu João Pedro Luís como Presidente da Comissão Política Nacional da JSD, venho comunicar a minha desvinculação do cargo que exerço na estrutura distrital da Juventude Social Democrata com efeitos imediatos.
Este ato final deve-se ao profundo desalinhamento que existe entre a minha pessoa e a restante estrutura distrital e o novo Presidente Nacional da JSD. É minha convicção pessoal que as Juventudes Partidárias devam ser um espaço de confrontação, de diálogo, debate e combate de ideias que ajudem a resolver os problemas de todos os jovens e, no fundo, de todos os portugueses. As Juventudes Partidárias devem servir o país acima de tudo e de todos e não devem servir para alimentar o que de pior existe na política portuguesa: o caciquismo, o compadrio e a criação de uma ilusão profunda de que uma vida ao serviço da política é servir as pessoas e não o seu contrário.
O João Pedro Luís é um jovem inteligente e muito astuto, no entanto, não posso concordar com o caminho que está a traçar para o futuro da JSD, caminho esse que tem por base tudo aquilo que já referi. E para não me alongar muito nos esclarecimentos que são devidos a todos deixo, em tom de despedida, a seguinte questão a todos os jovens portugueses:
Desde quando é que a Humanidade passou a achar aceitável que o amigo dos “copos”, aquele que até fala “bem”, é o melhor para nos liderar e não aqueles que levaram uma vida a batalhar pela excelência em todos os caminhos por onde passaram?”

