Novo tiroteio em Badajoz. Desta vez em vários pontos do bairro de San Roque, entre eles a zona envolvente do albergue de El Revellín, o parque do Rivillas e a avenida Santo Cristo de la Paz. Para já, há duas pessoas detidas pela sua ligação ao sucedido.
Os factos ocorreram ao início da tarde, por volta das 15,30h, quando pelo menos quatro pessoas trocaram tiros entre si.
Segundo testemunhos recolhidos por “La Crónica de Badajoz”, ouviram-se dezenas de disparos e os envolvidos, vestidos de preto, terão fugido a correr do local em direcção à zona de La Picuriña e à avenida Santo Cristo de la Paz, onde estiveram esta tarde numerosos agentes a recolher provas e depoimentos.
Refugiados numa farmácia
Mariano Enrique, director da ONG YMCA, cuja sede se situa nesta avenida, viu dois jovens a fugir a correr e a refugiarem-se numa farmácia aberta 24 horas, mesmo em frente às instalações da organização. As funcionárias pensaram inicialmente que se tratava de um assalto, mas “rapidamente perceberam que estavam a proteger-se dos tiros”, contou.
Por sua vez, uma das farmacêuticas presentes no momento dos acontecimentos relatou que se viveram momentos de grande confusão e medo. Segundo o seu testemunho, dois jovens de nacionalidade colombiana, com cerca de 22 ou 23 anos, entraram a correr na farmácia a pedir ajuda e a gritar: “Fechem a porta ou matam-nos a todos”.

A testemunha explicou que tanto ela como a colega pensaram inicialmente tratar-se de um assalto, o que lhes causou grande susto, já que nunca tinham vivido uma situação semelhante. De seguida, chamaram a Polícia Nacional e saíram para a rua, enquanto os dois jovens permaneceram dentro do estabelecimento.
Acrescentou ainda que uma bala atravessou o balcão, uma vez que a porta da farmácia estava aberta naquele momento.
Por fim, referiu que desconhecem se os jovens estavam armados. “Sabemos que entraram vestidos com uma camisola preta e que, quando foram levados, já não a tinham”, disse.
Rajadas de arma automática
Um morador da rua e agente da polícia reformado contou que ouviu vários disparos a partir de casa. Explicou que primeiro ouviu um som distante que descreveu como uma rajada de tiros, com várias detonações seguidas. Pouco depois, afirma ter ouvido mais dois disparos, mais próximos, o que o levou a espreitar para perceber o que se passava.
Segundo a sua versão, nesse momento viu dois jovens vestidos de preto a correr e a pedir ajuda, depois de terem subido por uma zona de mato a partir das imediações do rio Rivillas.
O morador sustenta que, pela sua experiência profissional, consegue distinguir diferentes tipos de armas de fogo. Nesse sentido, afirma que os primeiros sons lhe pareceram compatíveis com uma arma automática, enquanto os dois últimos disparos, já muito próximos, os identifica como disparos de caçadeira.
No seu depoimento, menciona também a presença de um veículo Volkswagen Touran, que os agentes estiveram a analisar e que, segundo várias versões, pertencerá a uma das pessoas envolvidas no tiroteio.
Os factos
O incidente terá começado na rua García de la Huerta, no bairro de San Roque, onde os suspeitos efectuaram vários disparos contra um morador sem o atingir. Após o ataque, os autores colocaram-se em fuga, o que deu origem a uma perseguição em que participaram outras pessoas.
A situação agravou-se na zona do Revellín, onde ocorreu uma nova troca de tiros. Os envolvidos continuaram a fuga a pé pelo parque do rio Rivillas, enquanto eram alegadamente perseguidos pelas pessoas que tinham atacado, que seguiam num veículo em sentido proibido pela zona do colégio Juventud e da praça de touros, momento em que se registaram mais disparos. A sequência de tiroteios prolongou-se até às imediações da avenida Santo Cristo de la Paz, junto à farmácia, onde voltaram a ouvir-se detonações.
Fontes consultadas por “La Crónica de Badajoz” admitem a hipótese de dois dos envolvidos poderem ser uma dupla contratada para matar uma pessoa específica, embora esta versão não tenha sido confirmada oficialmente. Segundo apurou o jornal, ambos já terão sido detidos e não se excluem novas detenções. A polícia, para já, não confirma qualquer detenção enquanto decorre a investigação.
A eventual ligação destes factos com os tiroteios registados em Badajoz nos últimos meses entre duas famílias, dirigidos contra habitações em San Roque e Cerro de Reyes, não foi confirmada pela Polícia Nacional.
Texto e foto: La Crónica de Badajoz
