Artistas, agentes culturais, investigadores, autarcas e outras personalidades do Alentejo lançaram uma petição pública dirigida ao Governo para defender a continuidade de Ana Paula Amendoeira como vice-presidente para a cultura na CCDR da região.
No texto da petição, consultado hoje pela agência Lusa, subscrita por mais de 470 personalidades, dirigida ao Primeiro-Ministro e à ministra da Cultura, Juventude e Desporto, os subscritores solicitam “atenção e reflexão sobre a continuidade, considerada amplamente necessária”, das funções desempenhadas por Ana Paula Amendoeira como vice-presidente para a Cultura na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo.
Contactada pela Lusa, uma das subscritoras que pediu para não ser identificada, explicou que o Governo está a pretender substituir a vice-presidente para a cultura da CCDR do Alentejo e que os subscritores se opõem a essa possibilidade, face à competência de Ana Paula Amendoeira.
“Consideramos a sua permanência fundamental para a estabilidade institucional, a boa implementação das políticas culturais definidas pela tutela, e a relação de proximidade construída com a comunidade cultural da região, num quadro raro, amplo e transversal de valorização do seu trabalho”, adiantam os subscritores no texto da petição.
Esta posição, acrescentam, “nasce de uma experiência prolongada, vivida no terreno, ao longo de muitos anos”, durante os quais Ana Paula Amendoeira desempenhou funções de “elevada responsabilidade”, primeiro como diretora Regional de Cultura e, mais recentemente, como vice-presidente da CCDR Alentejo com a tutela da Cultura.
“Para quem trabalha efetivamente no território, nos municípios, nas estruturas independentes, nos projetos artísticos e patrimoniais, longe dos grandes centros e fora do radar mediático, a sua ação representou uma política de proximidade real”, realçam.
“Não uma proximidade retórica, mas um acompanhamento continuado dos processos, o conhecimento direto das pessoas e dos contextos, a atenção às especificidades locais e às desigualdades internas da região”.
A petição é assinada pela reitora da Universidade de Évora (UÉ), Hermínia Vilar, a ex-reitora da UÉ, Ana Costa Feitas, o vice-presidente da CCDR Alentejo, Aníbal Reis Costa, o colecionador de arte contemporânea, António Cachola e o presidente da Associação Cultural O Espaço do Tempo, Rui Horta, entre outros.
Entre os subscritores contam-se ainda dezenas de artistas, escritores, investigadores e autarcas.
Num momento particularmente sensível, de acordo com o texto da petição, em que “o Alentejo se encontra comprometido com desafios de grande escala e responsabilidade internacional, nomeadamente no âmbito de Évora 2027 – Capital Europeia da Cultura, a continuidade das funções desempenhadas na vice-presidência para a Cultura assume uma importância acrescida”, pois “a fase que se aproxima exige estabilidade, memória institucional”.
Ainda segundo a petição “preservar quem conhece profundamente o território, o seu património e os seus processos é também preservar a dignidade das instituições públicas e o respeito por quem nelas trabalha e com elas colabora”.
Os candidatos a presidentes das CCDR propostos por PSD e PS, num acordo eleitoral, foram eleitos na segunda-feira, em eleições indiretas, por colégios de autarcas.
Os vice-presidentes, um por cada região, são eleitos por um colégio eleitoral constituído pelos presidentes das 278 câmaras municipais do continente.
Além destes dirigentes eleitos indiretamente, cada CCDR terá um outro vice-presidente escolhido pelo conselho da região (exceto autarcas) e mais cinco nomeados pelo Governo para as áreas da educação, saúde, cultura, ambiente e agricultura, que reportam diretamente ao executivo nacional.

TCA // SB
Lusa/Fim


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