O 11.º dia oficial de campanha para as presidenciais ficou pelos apelos ao voto após as recentes sondagens, com Cotrim Figueiredo a pedir o voto útil do PSD e mais uma presença de Montenegro na campanha.
A sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público que aponta para uma segunda volta nas eleições entre André Ventura, António José Seguro ou João Cotrim Figueiredo, marcou o dia, que começou com o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal (IL) a pedir ao líder social-democrata, Luís Montenegro, que recomende ao PSD o voto na sua candidatura para evitar que André Ventura ou António José Seguro cheguem à Presidência da República.
Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS-PP, retaliou acusando Cotrim Figueiredo de fazer “número político” e de exibicionismo com nova carta a Luís Montenegro, anunciou que o líder do PSD vai estar hoje novamente na sua campanha, e avisou que para ser eleito tem de passar à segunda volta, não podendo “haver grande dispersão de votos”.
O candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, afirmou que a carta que escreve “todos os dias” é aos portugueses e voltou a apelar à concentração de votos na sua candidatura para garantir que um democrata passe à segunda volta, pedindo aos portugueses que “evitem um pesadelo” no domingo.
Henrique Gouveia e Melo, por sua vez, considerou que o regresso do primeiro-ministro à campanha eleitoral se deve à perceção de que o candidato apoiado pelo PSD não passará à segunda volta e manifestou-se angustiado com a escolha do próximo chefe de Estado, considerando Cotrim Figueiredo subserviente ao Governo e que votar André Ventura, “que não quer ser Presidente”, é um desperdício.
André Ventura disse que Luís Montenegro, ao entrar novamente em campanha, procura ser “o salva boias” [salva-vidas] de Espinho para tentar ajudar a campanha de Marques Mendes, enquanto Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, acusou Cotrim Figueiredo de querer agradar a todos “menos aos colegas de partido”, sublinhando que se veem poucas pessoas da IL “ao seu lado”.
Houve ainda espaço para outros temas, com André Ventura a afirmar que, se for eleito, irá usar a magistratura de influência para mudar a Constituição – o que exigiria um processo legislativo da competência da Assembleia da República -, considerando que aquela lei fundamental “não é a Bíblia” e que o país tem de se adaptar.
Já Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, avisou que “as sondagens não são votos” e voltou a insistir no apelo ao voto por convicção, defendendo que só dessa forma a democracia “terá todas as soluções” numa eventual segunda volta.
António Filipe, apoiado pelo PCP, disse que não se deve “violar a correspondência alheia” e recusou comentar a carta que Cotrim Figueiredo enviou a Luís Montenegro, preferindo alertar para a falta de acesso à justiça por grande parte da população.
Numa ação de campanha em no emblemático bairro lisboeta de Campo de Ourique, Manuel João Vieira criticou a expansão do metro de Lisboa por considerar que coloca em risco o Jardim da Parada e apelou para que seja construído “um bocado mais ao lado”.
Frases da campanha para as eleições presidenciais de domingo
“Não é saudável para a nossa democracia ter na Presidência da República alguém que é demasiado próximo do Governo. Não é bom, porque é sempre melhor ter alguém vigilante que faça, desde logo, a vigilância constitucional das propostas e também uma vigilância política daquilo que é o trabalho que sai do Governo.”
Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre
13-01-2026
“O país precisa que alguém com firmeza e com radicalismo de convicções venha a estar à frente dele.”
André Ventura, candidato apoiado pelo Chega
13-01-2026
“Se não queremos um populista, nem queremos um socialista em Belém, só há um voto possível: é no Dr. Luís Marques Mendes.”
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, num comício de apoio à candidatura de Marques Mendes, no Centro Cultural de Ansião
13-01-2026
“O candidato da IL diz ‘não sei onde é que tinha a minha cabeça’, ou seja, ele está a dizer que é um exemplo de imaturidade e de precipitação, e nós não podemos ter na Presidência da República uma pessoa imatura e uma pessoa precipitada.”
Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelo PSD/CDS-PP
13-01-2026
“Essa segunda volta, se assim fosse [entre André Ventura e António José Seguro] mostraria que o doutor António José Seguro, que praticamente não disse nada, que teve sempre posições redondas e que na minha muito modesta opinião é uma pessoa que não está preparada para os tempos que nos espera, tinha ganho a confiança dos portugueses, porque seria ele necessariamente o Presidente da República.”
Henrique Gouveia e Melo, candidato presidencial
13-01-2026
“A sondagem da Universidade Católica comprova que Marques Mendes já está fora da corrida. Com Marques Mendes sem qualquer hipótese, a nossa candidatura é a única alternativa para mudar Portugal.”
João Cotrim Figueiredo, candidato presidencial
13-01-2026
“Meu almirante, vossa excelência é o homem e é o candidato do sentido da responsabilidade. E daquilo que eu chamarei a assunção do conhecimento. Em contraponto a outros, que não identificarei, porque não importa identificar, que têm ou a defesa do ego. […] Ou, então, para aquilo que vossa excelência bem sabe que são os interesses pessoais.”
Fernando Seara, ex-presidente da Câmara de Sintra, numa intervenção num jantar comício de Gouveia e Melo na vila da Terrugem, em Sintra
13-01-2026
“Não sou um neoliberal, mas sou um liberal da economia, mas numa economia que ajude a população, porque no fim, bem no fim, a economia somos todos nós, as pessoas. E são as pessoas que fazem a economia.”
Henrique Gouveia e Melo
13-01-2026
“Não chega passar à segunda volta, e aqui sou muito exigente, nós temos que passar à segunda volta em primeiro lugar porque não podemos permitir que, passados 50 anos após o 25 de Abril, o candidato do extremismo e do radicalismo que insiste em nos dividir e pôr portugueses contra portugueses possa passar em primeiro lugar esta eleição.”
António José Seguro, candidato apoiado pelo PS
13-01-2026
“Nós temos visto agora que há uma espécie de campeonato da moderação, vemos os candidatos, todos querem ser moderados. Até já há uns candidatos a dizer que os candidatos da extrema-direita parecem moderados.”
António Filipe, candidato apoiado pelo PCP
13-01-2026
“Sei que Portugal será melhor se, no domingo, se contarem os votos fortes de uma esquerda paritária, democrática, responsável e combativa.”
Catarina Martins, candidata apoiada pelo BE
13-01-2026
“Com sentido de responsabilidade, e sem querer menorizar a candidatura apoiada pelo partido liderado por vossa excelência, assim como pelo CDS-PP, venho hoje apelar ao voto do PSD na minha candidatura à Presidência da República.”
João Cotrim Figueiredo, num apelo público a Luís Montenegro
14-01-2026
“Acho que isto é um número político, é mais um número. Não é muito para levar a sério, portanto, não levo a sério. É um número político, é um exibicionismo, é um espetáculo. É que Luís Montenegro vai estar hoje na minha campanha.”
Luís Marques Mendes
14-01-2026
“Aquilo que eu peço a cada portuguesa e a cada português é que evitem um pesadelo. E, para evitarem um pesadelo na noite de dia 18 para dia 19, e dormirem bem, é garantir que um democrata possa passar à segunda volta, que é o meu caso.”
António José Seguro
14-01-2026
“Há outras campanhas, nomeadamente a Iniciativa Liberal, em que dizem que têm dois amores e que em nada são iguais. Um dia querem Ventura, no dia seguinte querem Montenegro.”
Rui Moreira, mandatário nacional de Luís Marques Mendes
14-01-2026
“Lá tem que vir o salva boias, lá tem que vir o nadador de Espinho salvar a campanha do doutor Marques Mendes.”
André Ventura, sobre entrada hoje de Luís Montenegro na campanha
14-01-2026
“Cotrim Figueiredo parece estar preocupado com tudo menos com escrever e falar diretamente aos portugueses que são quem merece as cartas que nós escrevemos.”
Jorge Pinto
14-01-2026
“Quanto custaria alcatifar Portugal inteiro?”
Manuel João Vieira, candidato presidencial, para Paulo Rodrigues, funcionário de uma loja de tecidos em Campo de Ourique
14-01-2026
“10.000 ‘criptonotas’ de Santo António.”
Paulo Rodrigues, respondendo a Manuel João Vieira
14-01-2026
“Não é preciso os meus adversários andarem a dizer: ‘Ele vai mudar a Constituição’. Ouçam, leiam os meus lábios: Vou, vou.”
André Ventura
14-01-2026
“As sondagens não são votos. As pessoas vão votar e nós estamos a disputar a primeira volta das presidenciais. A força das ideias da primeira volta vai garantir as soluções de democracia também na segunda volta.”
Catarina Martins
14-01-2026
“Acho que o que motiva a entrada do primeiro-ministro na campanha é a perceção, eventualmente, que existe, que o Dr. Luís Marques Mendes não vai chegar à segunda volta.”
Henrique Gouveia e Melo
NP // SSS
MPE // SF
Lusa/Fim
