O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) reiterou, no dia 14 de Janeiro, que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul é “globalmente positivo” para Portugal e recusou fazer política com o tema e a instrumentalização da organização.
“Não estamos interessados em fazer política ou campanhas eleitorais e recusamo-nos a ser instrumentalizados”, afirmou o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, ao ser questionado pelos jornalistas sobre a diferença de opiniões no setor sobre o acordo.
Álvaro Mendonça e Moura assinalou que a CAP quer “defender os seus associados e os agricultores”, lembrando que estes são “quem cá fica no terreno, todos os dias, a lidar com os problemas da agricultura”.
O dirigente falava em conferência de imprensa após uma reunião sobre o acordo do Mercosul e a proposta para a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) entre representantes de organizações da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA) e a CAP, em Beja.
Considerando que o acordo do Mercosul “é globalmente positivo” para a agricultura portuguesa, Álvaro Mendonça e Moura salientou que este pacto “tem mais vantagens do que desvantagens”, mas também “tem riscos” para o setor.
“Temos setores que serão claramente ganhadores, como o vinho, azeite, frutas e queijos”, enquanto o acordo “pode ter impacto negativo no setor das carnes”, que será controlável por vários motivos, entre os quais as cláusulas de salvaguarda, disse.
O presidente da CAP frisou que “cada um tem direito a ter as suas opiniões”, mas admitiu que será necessário promover o esclarecimento e diálogo entre os agricultores sobre o acordo.
“Hoje, viemos a convite da FAABA e, a partir de agora, em todo o país, com os chamados conselhos consultivos regionais explicaremos não só o acordo do Mercosul, mas também a reforma da PAC, que me preocupa muitíssimo mais”, sublinhou.
Ainda assim, Álvaro Mendonça e Moura reconheceu que “há uma insatisfação enorme e com toda a razão” no setor, por considerar que “a Comissão Europeia não tem prestado nenhuma atenção à agricultura”.
“A Comissão parece que começou a dar sinais de querer corrigir algumas coisas, mas é preciso compreender que os agricultores se têm sentido completamente abandonados pela Comissão Europeia”, acrescentou.
Na conferência de imprensa, o presidente da FAABA, Rui Garrido, disse que os agricultores que participaram na reunião ficaram mais informados em relação ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul.
“E parece que o acordo para Portugal poderá ser vantajoso, [ainda que] trará problemas, mas temos que fazer por isso”, sublinhou.
O Conselho da União Europeia anunciou na sexta-feira a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul.
Este acordo vai ser assinado no sábado, no Paraguai.
O acordo UE-Mercosul permitirá aos europeus exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América do Sul.
No sentido oposto, facilitará a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja.
O ministro da Agricultura já aplaudiu o acordo e destacou o impacto importantíssimo para Portugal, que poderá agora saldar o défice com este mercado.

SM/ASYS (PE/JH) // EA
Lusa/Fim

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