A Fonte da Vila, conhecida como Fonte da Misericórdia por ter sido originalmente implantada no largo com o mesmo nome, é uma das mais emblemáticas construções da cidade de Elvas. Esculpida em mármore branco do Alentejo, segundo o desenho do arquiteto Pêro Vaz Pereira, num estilo de transição maneirista, surgiu para acolher as águas do Aqueduto da Amoreira. Entre outros detalhes notáveis, destaca-se a figura equestre no centro da fonte, representando D. Sancho II com as armas de Portugal, o rei conquistador da cidade.

A importância que o monumento continua a ter para Elvas, não só como elemento decorativo, mas como símbolo vivo da história da região e do país, tem prevalecido ao longo dos seus quatro séculos de existência, desde a sua construção em 1622.

Espanta, por isso, que a envolvente da edificação se apresente descuidada, evidenciando sinais de desleixo que beliscam a beleza e, consequentemente, a dignidade da fonte.

Os elvenses mais atentos ao património já notaram o abandono e houve mesmo quem tomasse a iniciativa de colocar um cartaz questionando: Quem trata deste espaço? e Quem nos roubou a relva?, chamando a atenção para a ausência do tapete verdejante que antes circunscrevia o fontanário localizado na Praça 25 de Abril.

A insatisfação popular chegou ao Linhas de Elvas, acompanhada de fotografias que comprovam a degradação do espaço envolvente. Onde antes existia uma zona verde bem cuidada, resta agora terra batida, e um cenário de desinteresse por parte de quem tem a responsabilidade de zelar pelo património público.

Numa cidade classificada como Património Mundial pela UNESCO, deixa a desejar que um dos seus ex-libris mais antigos se encontre entregue ao desleixo. Fica o apelo e a pergunta das populações às entidades competentes: quando devolverão a dignidade e a relva à Fonte da Misericórdia?

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