Os violentos sismos que atingiram a Venezuela continuam a provocar preocupação junto de quem mantém ligações familiares ao país. É o caso de Julieta Garriapa Conceição, natural de Santa Eulália, que viveu vários anos na Venezuela e que ainda tem familiares a residir naquele país sul-americano. Em declarações ao Linhas de Elvas, Julieta Conceição contou que as últimas horas foram vividas com grande ansiedade devido à dificuldade em contactar alguns familiares que se encontravam em zonas próximas das áreas afetadas.
“O meu marido, graças a Deus, está salvo, não lhe aconteceu nada. Tenho também um sobrinho e uma sobrinha na Venezuela. Depois do primeiro sismo ainda conseguiram comunicar, mas após o segundo perdemos o contacto durante algum tempo”, explicou.
Entretanto, a sobrinha, residente em Maracay, conseguiu voltar a estabelecer contacto com a família. “Ela avisou que iria ficar sem internet e sem eletricidade, mas felizmente já sabemos que está bem”, referiu.
O marido de Julieta reside há cerca de 45 anos na Venezuela. Segundo relatou, nessa região não foram registados danos graves.
A situação é, contudo, muito diferente noutras zonas do país. “Em Caracas é gravíssimo. Em La Guaira, onde está o aeroporto, também é muito grave. Valencia, Tucacas e várias zonas costeiras foram fortemente atingidas”, afirmou.
Julieta mostra-se particularmente preocupada com a capacidade de resposta das autoridades perante uma catástrofe desta dimensão.
“O país não estava preparado para enfrentar uma situação tão grave. Há muitos anos que existem problemas ao nível das infraestruturas, da energia e das comunicações. As equipas de socorro não têm os recursos necessários para responder a uma tragédia desta dimensão”, lamentou.
Segundo Julieta Conceição, vários hospitais das zonas mais afetadas terão sido evacuados por questões de segurança, enquanto os cortes de eletricidade e as falhas nas comunicações dificultam o conhecimento da verdadeira dimensão da tragédia.
“Não há eletricidade nem internet em muitas zonas e ainda existem áreas das quais não se tem informação. Há muitas pessoas desaparecidas e ainda não existe uma contabilização correta das vítimas”, disse.
Apesar da preocupação, Julieta admite sentir algum alívio por ter conseguido confirmar que os familiares mais próximos se encontram em segurança.
“Já conseguimos falar com a maioria dos familiares e amigos. Graças a Deus, estão bem. Mas continua a haver muita preocupação com quem ainda não foi localizado”, referiu.
A natural de Santa Eulália espera agora que a ajuda internacional chegue rapidamente às regiões mais afetadas.
“Esperemos que a comunidade internacional consiga ajudar o mais depressa possível, tanto no resgate das pessoas que continuam sob os escombros como no restabelecimento da energia e das comunicações. É uma situação muito triste para a Venezuela”, concluiu.

