Se queres ajudar-me aprende a olhar-me… Quando me olhares, não te detenhas nas minhas aparências:
Roupas coçadas, cabelos desalinhados, calçado roto, corpo magro, olhar vago e distante…
Se queres ajudar-me põe-te no meu lugar, pois tu poderias ser
eu…
As oportunidades que tiveste, a mim, foram-me negadas, porque não soube fazer escolhas acertadas.
Olha-me com respeito, com amizade, com carinho…
Não sou um “coitadinho”… Sou teu irmão, e companheiro do caminho…
Tens um aliado que te ensina a olhar-me.
Olha-me, com compaixão, como olha JESUS, que não julga, não condena, apenas acolhe e ama…
Olha para mim, não passes indiferente; dentro de mim late um coração como o teu, capaz de fazer o bem e amar.
Questiona-te:
Porque estou assim?
Porque sou de fracos recursos económicos?
O que falhou? A culpa será apenas minha? Do mau uso da minha liberdade? Ou todos falharam, um
pouco, porque passaram à margem do meu problema?
Acredita em mim. Olha-me, como se olhasses Jesus.
O que me fizeres será feito a Ele.
Queres olhar para Ele?
Olha para mim, que por mim se fez pobre e se deu na Cruz.
Olha-me e acredita em mim.
Sou mais que este “farrapo humano”, que aparento. Mais que os erros que cometi…
Se soubesses quanto desejo ser diferente!
Ajuda-me a acreditar em mim. A crescer na minha autoestima
e a fazer parte da minha mudança para viver como pessoa.
Se a vida me foi negada não foi porque eu quis.
Simplesmente enganei-me e enganaram-me,
quando procurava, como tu, ser feliz e encontrar sentido para viver.
Sabes o meu nome?
Tens- me na lista dos teus amigos?
Sabes onde vivo? Tens o meu contacto? Conheces a minha história?
Peço-te:
Olha-me como quem olha para um irmão, para um amigo, para um ser humano
capaz de Deus e criado à Sua imagem e semelhança.
Se não é por amor, que vens ao meu encontro, fica em casa.
Se não é por amor não me olhes, não me toques,
não me ajudes, não me procures.
Não mereço mas necessito-te e bato-te à porta em nome de Deus
Não sou “ mais um marginal”, sou o teu irmão mais frágil.
Mas, se não me amas não me olhes.
Prefiro a minha solidão…
Maria de Fátima Magalhães stj