A CDU acusa o Governo PSD/CDS-PP de sabotagem das obras do novo Hospital Central do Alentejo, em Évora, por considerar que tem criado obstáculos e empurrado as responsabilidades na empreitada para cima de outras entidades.
Em comunicado, a coordenadora de Évora da CDU alerta que “esta atitude do Governo tem consequências no atraso e no aumento dos custos” da empreitada e exige “firmeza à autarquia [agora gerida pelo PS] para contrariar os entraves” criados pelo executivo.
“O Governo PSD/CDS-PP, desde o início, tem criado obstáculos e dificuldades à concretização da obra, quer empurrando as suas responsabilidades para cima de outras entidades, quer dificultando as soluções para que a obra avance”, critica.
A CDU alega que esta atitude pretende “criar as condições para a crítica às obras públicas e justificar a opção pelo negócio das Parcerias Público-Privadas” e se utilize a obra como “instrumento de disputa política e partidária e de favorecimento do PSD”.
“O recente despacho da ministra da Saúde a delegar competências no secretário de Estado da Gestão da Saúde confirma todas essas circunstâncias”, realça, aludindo a um despacho publicado, há pouco mais de uma semana, em Diário da República.
O despacho subdelegou “no secretário de Estado da Gestão da Saúde as competências relativas à prática dos atos necessários à execução do contrato de empreitada de obra pública para a construção do Hospital Central do Alentejo”.
Para a CDU, o despacho confirma que “foi a ministra da Saúde quem deliberadamente atrasou o processo, prejudicando o Alentejo e os alentejanos para favorecer o PSD nas eleições autárquicas e justificar o saneamento político da anterior direção da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC)”.
A coligação PCP/PEV diz ainda que o Governo “continua a procurar empurrar para cima da Câmara de Évora e da ULSAC a responsabilidade pela obra”, considerando que esta é “uma forma de sabotar a construção do novo hospital”.
“Nem a autarquia se pode substituir ao Governo na responsabilidade pela obra, nem a ULSAC tem os meios técnicos ou jurídicos para gerir uma obra cujo custo ultrapassa os 200 milhões de euros”, argumenta.
No comunicado, a CDU afirma que o contrato de fiscalização da obra caducou em fevereiro e o da empreitada de construção terminou em dezembro e “continuam por resolver, por responsabilidade do Governo, questões como as das expropriações e das acessibilidades”.
Ainda em relação às acessibilidades, a CDU acrescenta que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMT) e a Infraestruturas de Portugal (IP) “se recusaram a desclassificar um troço” da Estrada Nacional 114.
A mais recente data prevista para a conclusão da construção do novo Hospital Central do Alentejo é 2027, revelou a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, numa deslocação a Évora, no início de dezembro de 2025.

SM // VAM
Lusa/Fim

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