A vida só é vida depois de se atribuírem significados às coisas.

Os contextos onde estamos inseridos vão inevitavelmente mudar os significados que atribuímos a tudo, seja a algo que nos aconteceu na rua, a uma palavra que um colega nos disse, a um não que tivemos de dar, a uma escolha que tivemos de fazer, a um episódio que nos marcou na infância, àquela relação que temos com um amigo, a notas que tivemos na escola, à conjuntura atual em que estamos, ao que acontece noutro país. Tudo, sem exceção, é algo depois de lhe ser atribuído um significado.

Na verdade, a forma como se pensa e interpreta o mundo depende mesmo destes significados, que surgem depois de um conjunto de conceitos, imagens e ideias estabelecidas e criadas por nós mesmos.

Curiosamente, é conhecida a expressão “a mente comanda o corpo”. Pois bem… todos, cada um à sua própria maneira, criamos produções mentais daquilo que observamos do mundo e da realidade.

O ser humano ao ser dotado de linguagem consegue verbalizar aquilo que vê e sente. Daí as palavras terem um poder enorme no entendimento de tudo, por permitirem descrever as tais produções mentais, por possibilitarem a partilha acerca do que cada um decidiu representar na mente depois de, deliberadamente ou não, ter observado e sentido.

Os significados e os sentidos que damos à vida só acontecem depois de ser criada uma narrativa mental, que é entendida como pessoal e baseada na história e verdade individual, à luz do contexto em que se está inserido, das vivências que se vai tendo, das crenças que se defende e dos valores orientadores.

Ou seja, na verdade, o modo como se vive a vida é meramente o significado que se dá depois de se aceitar e interiorizar uma dada realidade e, por sua vez, da sua representação mental. Com isto, tendemos a compreender-nos ou até a atribuir um rótulo mental e social para lá de nós próprios.

Não existe uma poção mágica que faça dar sentido às pessoas ou atribuir significados às realidades. Mas, de facto, entendemos o mundo através dos processos de pensamentos, onde descodificamos o que acontece ou a forma como vivemos esses acontecimentos. Cada um tem a sua abordagem para a vida e para os episódios pelos quais vai passando, sendo esta abordagem única, levando, pois, a histórias únicas.

Estas diferenças acabam por chocar com as expectativas que a sociedade tem, na medida em que toda a construção mental é meramente ilustrativa e à luz de cada pessoa que a protagoniza.

Os comportamentos alteram de acordo com o contexto social e a vida resume-se a um teatro permanente, onde cada um tem de representar o seu papel. Caso contrário, não acompanha esta experiência dramaturga que é a vida social.

Leonor Abelha Terrinca
(Licenciatura em Relações Públicas e Comunicação Empresarial pela ESCS e Mestrado em Comunicação Estratégica e Liderança pela UCP)

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