De acordo com o último recenseamento, o Alto Alentejo perdeu cerca de 13 mil pessoas nos últimos 10 anos. Isto significa que o problema de desertificação se tem vindo a agravar e que é urgente introduzir novas medidas.

Em 2021, António Costa Silva, então coordenador do Programa Económico para Portugal 2020-2030, destacou as potencialidades da região enquanto polo da indústria agroalimentar. Contudo, referiu que a região precisa de mais ciência e conhecimento para transformar esse potencial em empregos e apenas depois será possível resolver o problema demográfico existente.

Enquanto a indústria agroalimentar não avança o suficiente para constituir uma resposta mais efetiva à desertificação, começa a surgir um movimento que pode contribuir para atenuar. Referimo-nos à tendência do trabalho remoto e ao crescente desejo de viver no campo, de forma mais livre, sem horários rígidos, nem condicionantes como o trânsito.

O apelo de uma vida mais tranquila

O interior do país e em particular o Alto Alentejo, possui características únicas que tornam a vida quotidiana agradável. Os distritos de Portalegre e de Évora oferecem uma vasta variedade de paisagens. Desde as planícies às zonas serranas, mas também vilas e aldeias históricas repletas de carisma. E tudo isto a apenas 2 horas de distância de Lisboa.

Principalmente no setor tecnológico, muitas pessoas estão a aproveitar a nova realidade, em que a presença no escritório não é fundamental, para optarem por um estilo de vida mais livre, com menos pressão e com mais tempo para dedicarem ao que realmente importa.

A lista de empresas que já aderiu total ou parcialmente ao trabalho remoto em Portugal não para de crescer e inclui nomes como a agência de SEO AWISEE e o gigante da banca digital Revolut.

Sabendo que grande parte dos profissionais que estão ou pretendem adotar o trabalho remoto possuem famílias com crianças pequenas, fica claro que a sua deslocalização pode contribuir para rejuvenescer territórios com maior densidade populacional, como é o caso do Alentejo Interior.

O 5G e a fibra ótica como soluções de conectividade

Um dos obstáculos que ainda impede que mais profissionais das novas tecnologias se fixem no interior do país é a ausência de ligações à Internet de qualidade. Muitas regiões do interior, não contam ainda com fibra ótica, nem com tecnologia 5G, o que faz com que não seja possível assegurar um ambiente de trabalho estável para quem precisa de estar ligado à internet.

Através do relatório de cobertura 5G emitido pela Anacom em julho de 2022 é possível verificar como tem progredido a instalação desta rede no país. Algo que é possível notar, desde logo, é que a instalação da rede no interior do país está consideravelmente atrasada em relação ao litoral.

Assim, no primeiro semestre de 2022, apesar de 64% dos concelhos do país já contar com cobertura 5G, uma grande parte do interior, incluindo grande parte dos concelhos do Alto Alentejo, ainda não dispõem desta tecnologia que oferece velocidades cerca de 10 vezes mais rápidas que o 4G.

Os números da Anacom mostram ainda que 79% das estações existentes ficam em Áreas Predominantemente Urbanas, enquanto apenas 11% estão localizadas em Áreas Mediamente Urbanas e 10% em Áreas Predominantemente Rurais.

Para fazer face a esta realidade, o próprio governo português prevê interferir e contribuir para a cobertura total do território nacional, recorrendo para isso a fundos provenientes do programa Portugal 2030, para instalar fibra ótica e a tecnologia 5G nas áreas não cobertas pelas redes das operadoras.

As previsões governamentais preveem que até 2025 todo o país deverá estar coberto por redes de Internet de alta velocidade, algo que é considerado fundamental para a coesão territorial.

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