O presidente da Câmara de Elvas, o socialista Nuno Mocinha, vai recandidatar-se a um terceiro mandato nas eleições autárquicas deste ano. Aos 49 anos, o autarca é professor de profissão e, entre 2005 e 2013, exerceu a função de vice-presidente no município alentejano, onde, entre 2001 e 2005, desempenhou o papel de vereador.
Licenciado em Economia, Nuno Mocinha passou pelo Instituto Politécnico de Portalegre e pela Escola Secundária D. Sancho II, enquanto docente.
Presidiu a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Alentejo, foi deputado à Assembleia da República pelo círculo de Portalegre e foi membro convidado do Comité Director do Conselho dos Municípios e Regiões da Europa, em representação da Associação Nacional dos Municípios Portugueses.
Casado e pai de dois filhos, Nuno Mocinha, numa entrevista de aproximadamente uma hora, revelou a estratégia, assente em quatro eixos, que definiu para a cidade caso seja eleito nas eleições de 26 de Setembro. Empresas e Emprego, Habitação, Vila Fernando e Saúde são as prioridades estabelecidas.
Diz acreditar que a maior parte dos elvenses estão ao seu lado. “Não vão querer coisas do antigamente”, afiança o autarca que garante falar “verdade às pessoas”. Deixa também uma nota aos eleitores, pedindo-lhes que “não embarquem em populismos”, justificando que “os populistas quando chegam [ao poder] não fazem absolutamente nada”.

Nuno Mocinha está ciente de que a campanha eleitoral, pela primeira vez, não será como em anos anteriores, sendo feita “na exacta medida que o estado da pandemia” permite.
“Elevar ainda mais Elvas” é o mote do projecto socialista e o candidato afirma que “não está completo”, justificando assim o motivo pelo qual se recandidata.
“A questão da campanha está orientada para ser feita de determinada maneira, mais dirigida para a vertente digital e sem ser com contacto físico. Ainda assim, privilegiamos o contacto físico, o falar com as pessoas e é inevitável que o digital prejudica mais as pessoas de mais idade que residem nas freguesias e no centro histórico, por isso, temos de encontrar outras formas de as contactar. Se não pudermos ter contacto directo temos de encontrar outra forma de chegar até elas”, salienta.
Para quem está na cadeira do poder “nunca é dissociado” o facto de ainda estar “em funções na liderança do município”, o que traz uma responsabilidade acrescida: “Não posso pedir uma coisa de 15 em 15 dias e, depois, na prática despir o casaco de presidente de Câmara e ir fazer outra coisa completamente diferente. Isso não posso”.
O apoio do Partido Socialista na campanha é uma certeza. No lançamento da mesma contou com a colaboração do deputado Pedro Marques, esperando-se outra figura da família socialista no encerramento da candidatura.
“É normal. O partido ajuda-nos a vários níveis, seja ele de organização de processos para entregar no Tribunal, que é complexo e existe uma plataforma própria para o fazer, e além disso também nos dá cobertura política que é necessário ter nos diferentes momentos em que seja necessária”, afirma.

O mandato que termina, a diminuição do desemprego e proximidade com o Governo

O candidato rosa por Elvas reconhece que, na casa de partida para um possível terceiro mandato, o projecto “não está completo”, comparando-o com a recuperação das muralhas. “No dia em que acabarmos de recuperar as muralhas integralmente temos de começar outra vez a recuperá- -las, portanto, os desafios também se vão sempre alterando”, equipara.
O autarca orgulha-se da diminuição dos números do desemprego. “Nós demonstrámos que é possível, baixámos o desemprego e aquilo que se diz [que aumentou] é mentira. Vejamos os números do desemprego no início deste mandato e no final do mandato… nós baixámos o desemprego em cerca de 800 pessoas”.
A estratégia levada a cabo, de acordo com Nuno Mocinha, “está provada que, paulatinamente, se vai fazendo e mesmo a pandemia, até agora, não tem dado aquela desgraça, a nível de emprego, que todos nós estávamos à espera. Fruto disso também, provavelmente, contribuíram as medidas do Governo”.
O economista admite precisar “muito” do Governo no próximo mandato, lembrando que “a muito boa relação” que existe com os governantes de António Costa e com o próprio primeiro-ministro representa uma “boa ponte” para o concelho.
“Se isso não acontecer [vencer as eleições] a agulha é virada para outros concelhos, pois existem outras candidaturas, e que não estão assim tão longe, com probabilidade de se afirmarem e terem essa muito boa relação. Quer isto dizer que este capital que foi sendo conseguido ao longo dos 20 anos perde-se e quem perde, acima de tudo, é o concelho de Elvas”, antevê o candidato perante um cenário que o próprio afasta.
“Se nós continuarmos com a estrutura que temos, com esta relação que existe e acho que ninguém coloca dúvidas que Nuno Mocinha tem boa relação com este Governo, então nós vamos continuar a poder afirmar os nossos projectos dentro daquilo que nós somos”, referiu, acrescentando que a sua continuidade na condução dos destinos da autarquia elvense evita “uma aventura completa”.
Para o candidato do PS, “uma nova estrutura que agora caísse na Câmara levava um mandato inteiro só para perceber como ela funciona. A Câmara já não é uma Câmara do antigamente, tem novas competências, opções e decisões em termos de gestão que nada tem a ver com o antigamente. A tendência é até de passar a ter cada vez mais competências. A partir de Janeiro começa a ter a área social.
O que está montado, no que respeita a estratégia do próprio governo é que a Câmara seja o centro de tudo, portanto, não podemos deixar o município em quaisquer mãos, principalmente em mãos de pessoas que não fazem a mínima ideia do que é a Câmara, por muito respeito que me mereçam”.
O novo mandato será, independentemente do resultado, uma sequência dos anteriores, cabendo a quem ficar na liderança do município “continuar algumas coisas que vêm de trás”.

Pessoas, empresas e emprego

A demografia e as pessoas são um dos “grandes desafios” que o município tem pela frente, segundo refere Nuno Mocinha.
“Temos de fixar aqueles que ainda cá estão e tentar atrair outros para o nosso território. É sempre esse o objectivo”, garante o candidato.
Sublinha também que “há projectos que se iniciaram neste mandato, mas que não terminam e passam para o outro mandato. Aquilo que eu ouço dizer, às vezes, é que só se fazem obras no ano das eleições e não é verdade. Nós fizemos várias obras ao longo deste mandato, inclusive passamos sempre com obras por fazer. Agora e nessa situação temos, por exemplo, a residência de estudantes e o lar da Boa-Fé.
O projecto eleitoral que defende o PS de Elvas e Nuno Mocinha foca quatro áreas: Empresas e Emprego; Habitação; Vila Fernando e Saúde.
O Parque de Negócios centraliza a força no primeiro capítulo. Requer “esforço financeiro, parceria com o Governo e com os proprietários”, salienta, referindo-se ao terreno de 150 hectares a seguir à Zona Industrial e que se divide em duas fases.
O socialista explica o projecto: “A primeira fase terá 50 hectares, o que já é uma boa capacidade de resposta. Não vale a pena andar atrás das empresas se não tivermos condições para se instalarem e com condições. Os terrenos, actualmente, já não são muitos, por isso, temos de ir sempre projectando para a frente. Esse é um desafio. A negociação com os proprietários não tem sido fácil, mas a última até acabou por dar numa compra, porém não é esse o objectivo da Câmara. Aquilo que pretendemos fazer, e só assim se consegue fazer, passa por transformar um terreno virgem num terreno infra-estruturado. Fazemos uma permuta de terreno, que não tem lá nada, e dar em contrapartida, através de um rácio, aos proprietários a possibilidade de ficaram com lotes para vender. Os proprietários são muitos, a abordagem tem que ser feita aos poucos e, neste momento, estamos a preparar-nos para fazer essa abordagem. Levanta-se uma questão que é o período das eleições e, por isso, acho que devemos fazer essa negociação depois das eleições. Não era ético fazer isso agora e, portanto, este tipo de projecto fica em stand-by”.

Habitação e uma centena de casas para recuperar

O plano de trabalho do Partido Socialista inclui a habitação para jovens e para quem não possui condições condignas para viver.
“Muita gente vive em casas que não têm sanitários ou um conjunto de necessidades básicas satisfeitas. É necessário olhar para esta matéria e, por isso, nós assinámos aquilo que foi o 1.º Direito – Programa de Apoio ao Acesso à Habitação, com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), sendo homologado pela secretária de Estado da Habitação e o secretário de Estado da Administração Local”.
O candidato avança algumas directrizes do que será feito em termos práticos. “A ideia é adquirir e recuperar 100 casas no centro histórico. Assenta muito numa lógica daquelas famílias que até já vivem no centro histórico, mas não têm as condições para lá morar. Há também pessoas com alguma idade, e não são só jovens, que não têm capacidade para pagar rendas mais elevadas, mas o que é certo é que têm de mudar de casa porque já não têm condições. Também é a pensar nessas pessoas, nos mais idosos, mas também nos jovens”. Da cidade para a periferia e freguesias existem planos para dar vida a imóveis que permanecem desocupados ou até devolutos.
“Estamos a preparar algumas casas para atrair algumas pessoas que venham de fora. Depois temos que dar condições para que as nossas freguesias rurais possam atrair pessoas, nomeadamente em Santa Eulália, onde queremos construir nova habitação, pretendemos recuperar as casas que temos em Barbacena, em Vila Fernando, os 102 e 30 fogos na Boa-Fé porque estão a precisar de actualizar as condições relativas à eficiência energética. Aqueles prédios requerem um investimento a esse nível e depois gostávamos de negociar o Bairro Fiscal no Caia, com o Tesouro, para ver se existe possibilidade para dar novamente o espaço às pessoas para lá morarem. Assim, não teríamos aquilo abandonado como temos neste momento e, também, fazer algumas intervenções no bairro das Pias para dar algumas condições que não existem. Trata-se de um projecto conjunto, que abarca várias valências, mas estamos sempre a falar de rendas acessíveis e de dar condições condignas para as pessoas morarem”.
Questionado sobre onde cabe a classe média, Nuno Mocinha dá o exemplo do prédio que a autarquia vai adquirir na Estrada de Santa Rita, perto do Jardim. “Aqueles prédios estão há muito abandonados e completamente vandalizados. Adquirimos o mais pequeno, mas ficamos com condições para 10 apartamentos T2. Esses é a pensar tanto nos mais jovens como na classe média que possa ser atraída. Conjuntamente, com um outro projecto na Quinta dos Arcos, vão ser construídos cerca de 60 fogos de tipologia T2 e T3. O que pretendemos é ficar com uma oferta em que fica um preço em que aquelas pessoas que não conseguem comprar no mercado normal possam ter ali uma resposta. Se não quiserem comprar e preferirem alugar também o podem fazer através de rendas que sejam acessíveis a essas pessoas”.
O candidato afiança que o compromisso é dirigir os prédios para os jovens, mas se esta faixa etária não manifestar interesse “ter-se-á de dar oportunidade a outro tipo de agregados”.
Mocinha admite que a questão da habitação se interliga com o emprego e as empresas, realçando ser “um projecto conjunto” e que “um sem o outro não funciona”.
“Não vale a pena dizermos que queremos recuperar casas para depois ficarem vazias, se não nos preocuparmos com as empresas, porque são elas que criam emprego. Temos de estar ao lado das empresas, dando-lhes condições, na medida das competências do município, para que possam vingar, ir para a frente e afirmarem-se no mercado. Mais do que os lotes de terreno, muitas vezes acompanhamos empresas para resolver problemas de licenciamento, para resolver problemas de financiamento, ajudamos a dar os primeiros passos e, por vezes, a estar ao lado nos mais complicados. Essa é também um bocadinho a nossa função. Alguém me dizia um dia destes mesmo que não seja da minha competência é da minha cidade, do meu concelho, portanto, é competência minha”, explicou.

Agricultura e investigação para revitalizar Vila Fernando

A localidade de Vila Fernando tem vivido um verdadeiro calvário desde que viu encerrar o Centro Educativo que dava emprego e vida a esta aldeia. De uma mão cheia de promessas dos sucessivos executivos autárquicos elvenses a uma realidade cheia de nada vai uma ténue linha que corrói a crença da população.
Nuno Mocinha, nesta entrevista, opta por não olhar para trás, mas circunscreve o futuro às potencialidades agrícolas dos 1.100 hectares das duas propriedades.
“Queremos aproveitar a dinâmica do CoLAB do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) tendo em conta as sinergias das universidades, do politécnico e das empresas que nele estão integradas”, começa por dizer o candidato.
O actual presidente da Câmara de Elvas admite que o empreendimento permanece “há quatro anos” no Revive, programa de reabilitação e valorização de património do Estado, mas até ao momento “não houve interessados” na estrutura.
Não esconde que terá sido outra oportunidade gorada para Vila Fernando. “Será muito difícil decorrido esse período de tempo que, coincidentemente, tem sido mau para o turismo e alguns projectos nesse sector esfriaram”, assegura Nuno Mocinha, dando inclusive o exemplo do prédio da antiga fábrica da Ameixa.
O primeiro passo para as duas propriedades de Vila Fernando centrar-se-ia “num empreendimento de fins múltiplos, de várias valências, mas muito virado para a agricultura e para a investigação”.
O candidato prossegue o raciocínio: “gostávamos de desenvolver serviços e, também, investigação que pudesse ir até ao protótipo de determinado tipo de coisas. É nisto que estamos a trabalhar, já está constituído um grupo que é liderado pela Universidade Nova cujo objectivo é estudar a zona e ver como é que conseguimos fazer o cronograma”.
Mas Mocinha adverte que não basta o município comunicar ao Estado que pretende ficar com a herdade, porque “a partir desse dia é preciso cuidar dele. Não pode estar ao abandono, como agora está, e, por outro lado, é preciso ter consciência que que o orçamento não dá para tudo”.
O autarca vinca que é crucial “acordos com privados e, também, com iniciativa pública, desde a própria autarquia, passando pelo Estado e, paralelamente, fundos comunitários”.
A questão de virar Vila Fernando para a agricultura “não é por acaso”, esclarece o candidato socialista, pois este sempre foi um sector “principal” na economia, que “é de base” e que merece que estejamos ao lado dos agricultores, apoiando-os com a investigação”.

Requalificar e expandir o Hospital

A saúde é o quarto desafio que o actual presidente do município e recandidato ao cargo ambiciona no seu plano de trabalhos para os próximos anos.
Nuno Mocinha lança farpas a quem teima em dizer que não existe qualquer clínica de alta resolução no Hospital de Santa Luzia. “Ela existe, é mentira quem diz o contrário, e está apetrechada”, refere, acrescentando que a Câmara “sempre se predispôs a colaborar com a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA) para que a unidade de saúde andasse para a frente e se esbatesse aquela ideia de que é para fechar”.
O autarca enumera o que há de novo: “um equipamento de Tomografia Axial Computorizada (TAC), um Raio-X, Ecógrafo, Mamógrafo e uma sala de operações completamente nova”.
O projecto futuro inclui “forçosamente alargar o hospital, requalificando o que existe e ampliar na exacta medida que seja necessário numa projecção a 20 ou 30 anos. Estamos, neste momento, numa fase de estudo de um contrato inter-administrativo com uma instituição do Estado para realizar o projecto”, assegura.
A ideia, numa primeira abordagem, define a ampliação para o lado do actual parque de estacionamento e justifica-se depois de Nuno Mocinha ter conhecimento de uma máquina de ressonância magnética ter sido alocada a Portalegre por falta de condições físicas em Elvas.
“Um dos últimos processos que andei atrás há muito tempo era o de Elvas poder ter uma ressonância magnética. Lutámos por isso, em conjunto com a ULSNA e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo. Foi aprovado, mas a ressonância vai ser instalada em Portalegre e porquê? Porque em Elvas não existem condições para a instalar. Eu quando ouvi isto disse para não me dizerem isto nunca mais. Hei-de lutar para que Elvas tenha todas as condições para que ninguém me venha a mim dizer que esta máquina ou aquela não fica em Elvas porque não há sítio para a colocar porque não existe mais espaço. De uma vez por todas vamos fazer um protocolo com a ULSNA, isto está falado com o Conselho de Administração, para que se possa, no fundo, pensar com a própria ULSNA e com os profissionais de saúde, que são quem sabe destas matérias – pois são eles que trabalham todos os dias na unidade e os especialistas em termos de projectos nesta área – para que se possa dar condições ao hospital, podendo atrair outras especialidades que agora não existem”, explica.
A finalidade desta hipótese surge a pensar, primeiramente, “em quem vive no concelho, a quem está dentro do raio de acção do hospital, mas numa perspectiva de prestar cuidados de saúde ao lado de lá [da fronteira]”, frisa o candidato socialista, estando em crer que esta será “a única forma” de fazer “crescer o hospital”.
Nesta matéria o assunto é delicado pois o objectivo passaria por “entrar no serviço público espanhol com mais uma oferta”, dando a hipótese aos cidadãos vizinhos de poderem optar por se deslocar ao hospital de Elvas para uma determinada especialidade.

As escolhas e o resultado eleitoral

Com todas as listas a serem validadas pela Concelhia de Elvas do Partido Socialista, a escolha reflecte várias nuances consoante os órgãos autárquicos em questão.
A nível da vereação, a proposta parte de Nuno Mocinha, e integra uma equipa que “é votada colegialmente” no seio do partido. “Para a Assembleia Municipal (AM) digo quem gostaria de ver no cargo, mas é o PS local que valida e organiza”, revela o candidato que não faz as listas para as juntas de freguesia e restantes membros da AM. “Quem lidera as listas são os cabeças-de-lista, essencialmente nas freguesias tem de ser assim”, frisa. Nas listas dos candidatos do Partido Socialista notam-se poucas mudanças em relação ao elenco actual, excepção feira a Barbacena que terá Patrícia Peixoto a candidatar-se.
“Há um princípio que nós aplicamos e que o próprio PS, em termos nacionais, também aplica. Quem está na execução do mandato, tal como seja com um cabeça-de-lista à Câmara que se queira recandidatar, está automaticamente validado pelo próprio partido. Se isto acontece com os presidentes de Câmara do PS porque é que não havemos de fazer o mesmo para os presidentes de Juntas de Freguesias ou para a Assembleia Municipal? Pusemos isto à discussão dentro das nossas reuniões concelhias. Foi assim que foi decidido, ou seja, com muita naturalidade. Todas as listas têm que ser validadas à concelhia, foi o que aconteceu”, aludiu.
Questionado sobre o que seria um bom resultado eleitoral, Nuno Mocinha é peremptório: “gostava de continuar a ter a confiança das pessoas com maioria absoluta. Considero-me uma pessoa democrata, sempre fiz pontos e recordo-me de um tema que está sempre muito na voga, como é o caso da concessão das águas em que fizemos a ponte com o próprio PSD, que na altura votou connosco e porquê? Porque teve acesso aos processos, logo, pôde votar. Lembro-me de ter feito pontos com o vereador Tiago Abreu, do CDS-PP, quando dizia o que queria verter no orçamento do município e, aquilo que era possível, era integrado no orçamento. Penso que duas cabeças a pensar pensam sempre melhor do que uma, como tal eu não quero a maioria absoluta para dizer que ‘quero, posso e mando’, ou seja, que não quero saber dos outros para nada. Não, não funciona assim. Mas, por outro lado, não posso correr o risco de, não tendo essa maioria, ter alguém que, depois, vai travar determinados tipos de projectos que considero fundamentais para o nosso concelho.
É importante, e faço este alerta, este projecto só foi possível fazer, nos últimos quatro anos ou oito, porque houve condições para o fazer. Eu recordo, no caso da escola, se não fosse haver maioria, neste caso socialista, a nova escola não existia”, salientou.
Nuno Mocinha mantém a confiança no eleitorado que o elegeu nas duas anteriores eleições. “Eu acredito em Elvas e nos elvenses. Acredito que as pessoas são inteligentes, porque se calhar, às vezes, fazem delas parvas, mas de parvas não têm nada e sabem aquilo que querem. Por isso sabem aquilo que foram os últimos 8 anos, sabem aquilo que foram os últimos 30 anos, sabem aquilo que querem e aquilo que não querem. Como tal estou descansado a esse nível porque acho que fiz o melhor para o meu concelho. Se não fiz mais foi porque não consegui fazer mais. O dia que as pessoas acharem que devem mudar elas próprias vão dizer que querem mudar, não é porque aparece um candidato ou uma candidatura. É ao contrário. São as próprias pessoas que pedem essa mudança e, até ao momento, nunca senti isso. Eu acredito que Elvas ainda está comigo e que os elvenses estão comigo, pelo menos a maior parte deles. Como tal acho que vou ter as condições necessárias porque as pessoas não vão embarcar em populismos nem vão querer coisas do antigamente. Por isso estou tranquilo. A mim conhecem-me e sabem que eu não sou do nim, ou seja, ou digo não ou digo sim e com aquilo que me comprometo faço. Tenho essas provas dadas. Há coisas que, por vezes, tenho que dizer que não porque não é possível fazer. Se tivesse do outro lado eu gostava que me dissessem um sim ou um não, porém, estarem-me a enganar é que não vale. É isto que nós fazemos todos os dias, dizer verdade às pessoas”, explica.
Quanto a coligações, o candidato socialista afasta esse cenário e justifica que “isso não se coloca” em termos de resultados.
Numa campanha eleitoral, como afirma Nuno Mocinha, “é simples para um determinado candidato dizer que quando ganhar vai acabar com uma determinada coisa, mas não quero que as pessoas embarquem nos populismos, porque os populistas depois quando chegam não fazem absolutamente nada e, essa coisa, só serviu para a campanha”.
Ainda sobre possíveis alianças, o candidato do PS diz “não antecipar cenários” que está “em crer “não vão acontecer, mas relativamente aos populismos ou coisas do antigamente, acho que para bom entendedor meia palavra basta”, sintetiza.
“Gostava que as pessoas que concorrem a uma Câmara Municipal por qualquer força política demonstrassem o que é que sabem da gestão diária de um município. Há pessoas que não sabem nem o número de funcionários que a Câmara tem (que são quase 500), não sabem o orçamento, não sabem as regras de funcionamento e, às vezes, pensam que uma câmara funciona só por aquilo que o presidente diz e não é assim. Acham que se candidatam, vão fazer isto e aquilo e, no primeiro dia que lá chegam, vêem que não é possível fazer isto, aquilo e o outro, seja porque a lei não permite, seja porque não há dinheiro para um determinado projecto”, adiantou.
Se Nuno Mocinha não fosse candidato votaria, “com certeza absoluta”, no candidato do Partido Socialista. “Se eu não fosse candidato…o Cláudio Carapuça, por exemplo, podia ser candidato e eu votaria nele”.
A fechar a entrevista, o recandidato explica que “o que está em causa nas próximas eleições é o nosso futuro. Não é igual ter uma Câmara Municipal e Juntas de Freguesia da mesma cor do Governo do que ser de cor diferente. Depois não é igual ter o Nuno Mocinha à frente ou outros candidatos que se perfilam. Têm estilos diferentes de actuação. São más pessoas? Não, são todos boas pessoas, não é isso que está em causa, mas quem vai a eleições são os projectos e eles diferem. Há algumas candidaturas que é voltar para trás outra vez, é voltar mais 10 anos para trás e continuar a fazer mais do mesmo. Não é isso que Elvas precisa, o concelho precisa, de uma vez por todas, que as pessoas acreditem que tem potencial para ir para a frente. Corre-se o perigo dos populismos fáceis, de andarem a dizer aquilo que as pessoas querem ouvir, mas na prática depois não fazem em concreto aquilo que é necessário fazer”, conclui.

Entrevista conduzida por João Alves e Almeida com Pedro Trindade Sena

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