Foi há quase dois anos que o Presidente da Comissão Europeia nos desafiou a todos para em conjunto pensarmos e debatermos aquilo que queríamos para o futuro da Europa. Desde então, a Europa não deixou de enfrentar tempos incertos e desafios difíceis, que foram acompanhados por muitos debates sobre a União Europeia (UE). Mas, independentemente da natural diversidade de opiniões, a nossa base comum fortaleceu-se: segundo os dados do último Eurobarómetro a maioria dos cidadãos europeus acredita que as suas opiniões são ouvidas e respeitadas no seio das instituições europeias. E cada vez é maior o número de europeus com uma visão positiva da UE.Quanto aos portugueses, os resultados do estudo são igualmente animadores. Os cidadãos nacionais estão, em geral, mais otimistas, confiantes e mais satisfeitos com a situação económica do país e com a qualidade da nossa democracia. É claro que ainda há algumas preocupações, mas o estudo mostra-nos que aquilo que no passado recente mais nos preocupava, como o desemprego, já é considerado menos grave. Por outro lado, e em contraste com os dados dos restantes países da UE, questões como o terrorismo, a imigração e o crime são as que menos afligem os portugueses.No que diz respeito aos media, é muito positivo que os portugueses tenham confiança no trabalho dos jornalistas e que percebam o papel fundamental que estes desempenham na nossa sociedade. O trabalho dos jornalistas e a confiança que os cidadãos neles têm são ainda mais importantes numa altura em que conhecemos os perigos da desinformação – um tema ultimamente em destaque e sobre o qual a Comissão Europeia tem desenvolvido diversas iniciativas. Infelizmente, este Eurobarómetro também indica que cerca de metade dos portugueses declaram ser incapazes de identificar as chamadas fake news.Este valor torna-se ainda mais preocupante no contexto atual. É essencial que, no meio de tanta informação, consigamos filtrar a verdade. É fundamental que consigamos saber onde encontrar informação fidedigna e confiável. Só assim poderemos fazer escolhas ponderadas. Se esse esforço não for feito por cada um de nós, o impacto deste fenómeno na sociedade torna-se muito mais alarmante.Acredito que, se conjugarmos os nossos esforços, enquanto cidadãos, com os que têm sido desenvolvidos pelas diversas organizações da sociedade civil, pelos Estados-Membros e pela Comissão Europeia, seremos capazes de ir mais longe no combate à desinformação.É para nós motivo de orgulho o facto de a maioria da população portuguesa confiar nas instituições europeias e ser otimista em relação ao futuro do Projeto Europeu. Agrada-me que estes dados reflitam aquilo que eu tenho testemunhado no terreno. Sinto que os portugueses estão cada vez mais sensibilizados para aquilo que a UE faz por eles, pelas suas comunidades, pelas suas regiões e pelo seu país. O impacto real que as políticas da União Europeia têm nas nossas vidas é evidente, quer a nível económico quer social. O facto de a maioria dos portugueses ter noção disso e o reconhecer com um voto de confiança, de facto, isto sim, são boas notícias!

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