A Plataforma Alentejo reuniu terça-feira, 9 de Julho, com o conselho de Administração da Infraestruturas de Portugal (IP), no âmbito da sustentabilidade da região no que respeita à ferrovia e rodovia.
Leia na íntegra as considerações da Plataforma Alentejo:
“A exposição havida entre as partes clarificou o seguinte: a Plataforma Alentejo está disposta ao diálogo enquadrado por objetivos de Sustentabilidade da Região do Alentejo, enquanto a IP só se ouve a ela própria ou a voz do Governo.
Para a IP, as intervenções nas infraestruturas ferroviárias só são feitas quando ditadas pelo “Mercado”, quando há “Procura”. Para a Plataforma Alentejo, as intervenções ferroviárias e rodoviárias são feitas no contexto de desenvolvimento sustentável da Região, do combate à desertificação e à desigualdade demográfica e na defesa intransigente da coesão social e territorial de interesse nacional.
Para a IP, é preciso reduzir os “custos” para o Estado, seguindo a lógica do período da Troika, isto é, o que estava preconizado no PETI3+ com pequenas alterações e ordem de prioridades. Para a Plataforma Alentejo é preciso romper com a lógica de mercado e criar condições de desenvolvimento sustentável, combate às alterações climáticas e às desigualdades sociais e económicas.
Para a IP, as prioridades são definidas pelo Governo e assentes numa lógica meramente economicista. Para a Plataforma Alentejo, as prioridades de política económica devem ser definidas com a participação efetiva de quem conhece a Região, isto é, a partir das propostas das CIM (Comunidades Intermunicipais) e associações cívicas e profissionais. Na ausência de políticas sociais e económicas a ser preconizadas para o território (PNPOT2018 – Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território ) e de PROT_A, (Plano Regional de Ordenamento do Território – Alentejo) este a ser revisto e que deve ser aprovado pelos municípios, centros de saber, e agentes económicos e sociais, a Plataforma Alentejo propõe mais democracia, mais responsabilidade, mais cidadania e mais ecologia.
Para a IP, as prioridades são a construção do eixo ferroviário ÉvoraElvas (pelo Poceirão) e a ligação SinesGrândola (variante cuja prioridade é questionada no quadro financeiro do País) e a Linha do Alentejo só tem intervenção entre Casa Branca e Beja. BejaOurique fica em espera não sendo sequer confirmada a informação de que a mesma estaria em consideração como redundância à solução ÉvoraElvas pelo Poceirão. Para a Plataforma Alentejo, toda a rede ferroviária do Alentejo merece outro tratamento estratégico e operacional, a começar pela integral eletrificação da Linha do Alentejo, da Linha do Leste com o ramal de Cáceres e reabertura faseada dos ramais tendo presente os interesses das populações e as necessidades do tecido empresarial.
Para a IP, o que é determinante são as ligações para “mercadorias” e o “Corredor Sul”, (Sines-Poceirão-Évora-Caia/ Badajoz) definido no PETI3+ e agora plasmado no PNI2030. Para a Plataforma Alentejo, o sistema ferroviário do Alentejo é para servir a Região nas ligações nacional e internacional, salvaguardar o interesse Nacional   através da construção de uma verdadeira Rede Ferroviária em alternativa à lógica de corredores que não garantem uma resposta eficaz ao transporte de  pessoas e mercadorias, que ignoram investimentos como Alqueva ou infraestruturas como o Aeroporto de Beja pondo em causa a sustentabilidade de toda a Região que só é possível com o aproveitamento integral do sistema ferroviário. 
Balanço
A política económica não é da competência da IP. De facto, ela “faz” o que lhe mandam fazer. Ao contrário, a política económica deve ter uma componente regional. O PNPOT e o PNI2030  (Programa Nacional de Investimentos 2030) devem ser o reflexo dessa política económica. No Alentejo, a política económica regional falha.
A política de ordenamento do território e acessibilidade regional não é da competência exclusiva da IP mas, ao evitar esse enquadramento, enviesa a avaliação e a decisão de prioridades.
As políticas de ordenamento do território, da agricultura, do ambiente e do transporte do Alentejo são da competência do Governo, a ser coadjuvado pela CCDRA em articulação com os cinco ministérios (Território, Infraestruturas, Economia, Mar e Agricultura). O planeamento integrado e estratégico destas áreas falha porque não tem resposta ao nível social, económico, ambiental e energético. A competência da IP não é só executar e gerir, deve, também, chamar à atenção para o Estado da Arte das infraestruturas e preconizar melhorias. A Plataforma Alentejo quis chamar a atenção desta situação mas, a IP só se ouve a ela própria.
A política de transporte está definida em função de ligações nacional e internacional, subvertendo a política regional de acessibilidade, apesar de haver uma tentativa de diálogo com sete municípios ligados ao Alentejo centro, na lógica do corredor sul – terminais de mercadorias. Neste caso específico, a Plataforma Alentejo só não compreende porque é que a IP não dialoga com todos os municípios do Alto Alentejo, Alentejo Central, Baixo Alentejo e Alentejo Litoral.
À IP podem faltar o “input” de instrumentos de planeamento e gestão do território que deviam ser transmitidos pela CCDRA e dos vários ministérios. Há instrumentos preconizados na lei, os planos intermunicipais e há o PROT_A (não aprovado pelos 47 municípios). Mais uma razão para as avaliações e decisões serem trabalhadas com mais democracia e menos autocracia. Essa avaliação regional não está a ser feita, pelo contrário, só se está a aplicar o programa de Governos anteriores com uma estratégia errática. A Plataforma preconiza outro método de planeamento e de trabalho. As infraestruturas hoje são avaliadas pelo seu WEB (Benefício Económico Global) e não pelo seu BCR (Rácio Custo/Benefício). A IP erra porque mantém a orientação que levou à destruição do sistema ferroviário nos últimos 30 anos. A Plataforma preconiza a abordagem do planeamento estratégico, com a interoperabilidade ferroviária e para a Região.
Perspetivas
A Plataforma Alentejo tem uma petição entregue à Assembleia da República no passado dia 12 de Abril. Nessa petição está plasmada a estratégia de acessibilidade sustentável para a Região, defendendo-se um aproveitamento integral do sistema ferroviário, do aeroporto de Beja e do Porto de Sines, tendo em consideração que essa proposta só avança com o maior debate democrático entre a administração central e a administração regional/local.
A Plataforma Alentejo continuará a desenvolver este esforço de mais democracia, cidadania e ecologia apelando às CIM e às associações cívicas e profissionais à participação para um Alentejo com menos desigualdades sociais e económicas, de combate à desertificação, ao dramático envelhecimento e perda de população e às alterações climáticas. Esse esforço deve ser consubstanciado noutra visão estratégica do Alentejo que está para além da competência duma IP que só se ouve a ela própria e enviesa as avaliações e decisões da administração central.
A Plataforma Alentejo, irá prosseguir a sua ação de sensibilização quanto à importância da consideração das propostas avançadas na sua “Estratégia Integrada de Acessibilidade Sustentável do Alentejo no plano Nacional e Internacional” estando já agendada para o próximo dia 17, uma reunião com representantes do Conselho de Administração da CP.
A Plataforma Alentejo continuará a desenvolver o espaço de debate democrático com todas as CIM e associações cívicas e profissionais, para se apresentar ainda no próximo Quadro Comunitário de Apoio (PNI2030) e H2030 (Horizonte 2030), um plano de acessibilidade integral entre sistema aeroportuário, ferroviário, marítimo e rodoviário nas ligações nacional e internacional que garanta o desenvolvimento sustentável de todo o Alentejo, reforçando a defesa da transição ecológica da Região e os compromissos internacionais no combate às alterações climáticas tendo sempre presente o superior interesse Nacional”.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais artigos por Redacção
Carregar mais artigos em Região

Veja também

Professor de Portalegre retirado de hotel em chamas na República Dominicana

Um homem, de 40 anos, natural de Portalegre e professor em Castelo Branco, é um dos oito c…