O vice-presidente da Câmara de Évora, Alexandre Varela, manifestou “bastante preocupação” com a suspensão do funcionamento nocturno do helicóptero local do INEM, que pode pôr em causa a celeridade do socorro para salvar vidas.
“Vemos a situação com bastante preocupação, como é evidente, porque, no limite, poderá estar em causa a celeridade com que se chega a um determinado local para salvar uma vida humana”, argumentou.
Segundo o vice-presidente do município, que tutela também a Protecção Civil, os helicópteros do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) conseguem, “em poucos minutos, colocar-se num local para prestar assistência imediata numa situação grave”.
Por isso, o facto de o helicóptero de Évora, assim como aquele que está estacionado em Viseu, deixar de operar à noite é uma situação “que contraria a ideia e a convicção dos governantes quando decidiram, em boa hora, dispor de um conjunto de meios aéreos” para o socorro, criticou Alexandre Varela (CDU).
E, acrescentou, quando “outro helicóptero estacionado numa outra base é que fica com a responsabilidade” da área de actuação do de Évora – não apenas o distrito, mas todo o Alentejo -, “se acontecerem duas situações de emergência que necessitem de um meio aéreo, vai haver dificuldade em dar resposta às duas”.
Na quinta-feira, o Ministério da Saúde anunciou que dois dos quatro helicópteros de emergência médica ao serviço do INEM, concretamente os estacionados em Viseu e em Évora, vão deixar de operar à noite, a partir de 1 de Janeiro.
Em declarações à Lusa, o presidente do INEM, Luís Meira, afirmou que “a situação se deve manter no máximo durante seis meses”, sendo que os outros dois helicópteros, baseados em Macedo de Cavaleiros e Loulé, vão continuar a operar 24 horas por dia.
Em Viseu e Évora, nos períodos nocturnos, “as respectivas equipas médicas garantirão a operacionalidade de duas Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER)”.
O INEM salientou que o dispositivo está 100% operacional no período diurno e explicou que o ajuste resulta de, numa consulta de mercado, o instituto só ter recebido duas respostas, uma delas com a solução que se vai implementar a partir de Janeiro.
De acordo com Alexandre Varela, a Câmara de Évora soube desta decisão do INEM em relação ao helicóptero sediado no aeródromo municipal, a poucos quilómetros da cidade, através das notícias veiculadas pela comunicação social.
“Parece-me que, eventualmente, poderia ter havido aqui outro cuidado da parte de quem toma estas decisões, no sentido de informar o município sobre a situação”, defendeu, indicando que o município vai procurar contactar a direcção do INEM “para saber exactamente quais são as perspectivas em relação a este cancelamento” e se se trata de “uma suspensão temporária com ou sem fim à vista”.
O presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, também se manifestou hoje preocupado com o não funcionamento nocturno do helicóptero do INEM na região, sobretudo numa altura em que a resposta do Serviço Nacional de Saúde nos hospitais está condicionada.

RRL (IYN/FP) // VAM
Lusa

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