A Igreja do Espírito Santo, em Évora, construída pelos jesuítas no século XVI, reabre ao público na quinta-feira, após obras de requalificação urgentes em que foram investidos quase 2,5 milhões de euros, foi hoje anunciado.
Em comunicado, o Seminário Maior de Évora, proprietário da igreja e promotor da empreitada, indicou que o objetivo foi “dotar o edifício de todas as condições necessárias para o tornar num ponto de referência do património cultural, devocional e turístico da cidade”.
A partir de quinta-feira, segundo o Seminário Maior, a igreja vai ter “abertura regular ao público e acesso a espaços antes reservados, como à sacristia e ao extraordinário conjunto de pinturas murais do teto, articulando composições de grotescos com o ciclo de pinturas sobre a vida de Santo Inácio de Loyola”.
Contactada hoje pela agência Lusa, fonte ligada ao projeto de intervenção nesta igreja lembrou que as obras “iniciaram-se no verão de 2020”, tendo ficado concluídas “na semana passada”.
No âmbito da requalificação, foram executadas obras de restauro, de estruturas e consolidações, de infraestruturas elétricas, mecânicas, águas e esgotos, museológicas e de acessibilidades exteriores.
O lançamento do concurso público para o projeto, que visou a salvaguarda e valorização desta igreja, considerada testemunho essencial da arquitetura, arte e missão da Companhia de Jesus, foi publicado em Diário da República em 28 de outubro de 2019.
O projeto de requalificação do imóvel foi candidatado e aprovado pelo Programa Operacional Regional Alentejo 2020, que lhe destinou um financiamento de 75% do investimento, sendo os outros 25% suportados pelo Seminário Maior.


Construída pelos Jesuítas entre 1566 e 1572, a Igreja do Espírito Santo situa-se no centro histórico da cidade alentejana, no Largo dos Colegiais, ‘paredes meias’ com o Colégio do Espírito Santo, o principal edifício da Universidade de Évora (UÉ).
Em 07 de maio de 2020, quando a empreitada foi adjudicada, o vice-reitor do Seminário Maior de Évora, o padre Manuel Ferreira, explicou à Lusa que “a igreja pertence a este vasto conjunto arquitetónico da UÉ e era a única parte deste património, que inclui também o seminário, que há muitos anos não sofria nenhum tipo de intervenção”.
O imóvel não tinha sofrido obras “desde os anos 50 do século passado”, assinalou então o cónego, destacando a importância da intervenção: “Não só vamos estancar todos os problemas que a igreja tem a nível estrutural, a nível de infiltrações de água e de degradação da talha, como todo o espaço vai ficar requalificado e aberto ao público”.
“E, dada a sua riqueza e proximidade da universidade, vai ser um motivo de grande interesse turístico”, sublinhou.
A “urgente intervenção” efetuada nesta igreja contou com a parceria da Direção Regional da Cultura do Alentejo e do Laboratório HERCULES da UÉ.
Durante as obras foram descobertos fragmentos de seis pinturas murais, que estavam ocultos e foram colocados a descoberto pelos trabalhos de restauro. Foram estudados pela UÉ e ficam agora visíveis ao público.
O programa de reabertura, na quinta-feira, inclui uma eucaristia, às 11:30, presidida pelo arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, e um concerto de órgão e canto, às 18:00.

RRL (SM) // MLS
Lusa

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