O Festival Terras Sem Sombra, que se realiza há 18 anos no Alentejo, pode estar em risco, devido à falta de financiamento à iniciativa em 2023, alertou hoje a organização do evento.
Em declarações à agência Lusa, Sara Fonseca, da associação Pedra Angular, com sede em Santiago do Cacém (Setúbal) e que organiza o certame, explicou que, a 04 de novembro, a Direção-Geral das Artes (DGArtes) comunicou “que não tenciona apoiar a candidatura” do festival ao Programa de Apoio Sustentado – Programação, na área da Música, para 2023-2024.
Em causa está o facto de, segundo a DGArtes, “ter sido esgotado o montante global disponível para a área artística e/ou modalidade de apoio”, disse a promotora do festival.
“Isto significa que o festival, apesar de considerado elegível, poderá não receber apoio financeiro por falta de verba”, sendo que “a candidatura que apresentámos corresponde ao patamar mais baixo”, no valor de 60.000 euros, acrescentou Sara Fonseca.
De acordo com a dirigente da Pedra Angular, “sem este apoio, fica em risco a continuidade do festival Terras Sem Sombra, até porque a exclusão do Alentejo é algo inesperado” e “nunca aconteceu nos últimos anos”.
Ainda assim, frisou, a associação tudo fará “para prosseguir o caminho iniciado em 2003”, uma vez que a “rede de parcerias com os municípios e outras entidades da região é sólida”.
“Mas, sem o apoio da DGArtes, talvez não seja suficiente para tornar sustentável, atempadamente, uma programação qualificada”, observou.
O festival Terras Sem Sombra, de caráter itinerante, nasceu em 2003, na altura por iniciativa do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja.
A associação Pedra Angular foi coorganizadora desde a primeira edição, tendo assumido, em 2016, a organização da iniciativa, que se destacou, ao longo de 18 edições, por conciliar espetáculos de música clássica com visitas ao património natural e edificado e com ações de salvaguarda da biodiversidade.
A edição deste ano terminou em outubro, depois de ter passado pelos municípios alentejanos de Ferreira do Alentejo, Vidigueira, Beja, Mértola e Odemira (todos no distrito de Beja), Mourão e Montemor-o-Novo (Évora), Castelo de Vide e Alter do Chão (Portalegre) e Santiago do Cacém e Sines (Setúbal).
Na opinião de Sara Fonseca, “descontinuar” o trabalho realizado pelo festival desde 2003 “deixa o território alentejano sem a sua temporada musical e pode comprometer seriamente o desenvolvimento de novos públicos”.
“Além disso, prejudica a internacionalização que tem vindo a ser construída, ao longo de anos e que não admite improvisações”, reforçou.
Por isso, a Pedra Angular vai “solicitar a reavaliação da decisão, até porque, ao que se sabe, o Alentejo ficou fora dos apoios [da DGArtes] na área da Música”, anunciou.
Sara Fonseca disse ainda que a “as regras foram mudadas quando as candidaturas já estavam entregues”, tendo-se gerado “uma acentuada assimetria entre apoios quadrienais e bienais e entre regiões, privilegiando as grandes estruturas, ao invés de projetos mais pequenos, disseminados pelo país”.
Contudo, “confiamos que o ministro da Cultura [Pedro Adão e Silva] atenda ao equilíbrio entre territórios e manifestações artísticas e à qualidade do festival alentejano, reconhecida pela DGArtes”, concluiu.
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