Cerca de 200 estudantes da Universidade de Évora (UÉ) concentraram-se ontem no principal edifício da academia para exigir a criação de acessibilidades para que uma aluna de Teatro com mobilidade reduzida possa frequentar as salas do curso.
O protesto arrancou com um desfile, até aos claustros do Colégio do Espírito Santo, o principal edifício da UÉ, com a participação da família da aluna com mobilidade reduzida e da deputada do Bloco de Esquerda Diana Santos, que é tetraplégica.
Alguns dos estudantes colocaram fita-cola e corda à volta das pernas para dificultar a sua mobilidade e outros foram transportados em cadeiras de rodas para alertar para o problema da falta de acessibilidade nos edifícios da academia.
Os participantes empunharam faixas em pano que tinham frases como “acesso ao ensino superior é um direito + obras + acessibilidade” ou “obras de fachada onde estão os 68 mil euros?”.
Luana Calheiros, do 1.º ano do curso de Teatro e porta-voz do grupo de manifestantes, afirmou à agência Lusa os colegas “quiseram ser solidários” com a aluna com mobilidade reduzida, por não ter “acesso a 90% [dos espaços] da universidade”.
“Queremos ter aulas e ensaios com todos os colegas e ela tem direito a estar no edifício de Teatro no Colégio dos Leões”, mas “são sempre soluções temporários e nunca na nossa sala, que tem um chão e uma acústica específicos”, realçou.
Esta estudante adiantou que o grupo reuniu com a reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas, a quem entrou um documento com “assinaturas de alunos de quase todos os cursos que estão sensibilizados com este problema”.
Também em declarações à Lusa, Madalena Pombeiro, a aluna que tem mobilidade reduzida, devido a uma doença degenerativa, contou que, no edifício dos Leões, só tem acesso a “duas salas de aulas e ao bar” e que “não há uma única casa de banho adaptada”.
“Mudamo-nos para uma sala que é das únicas salas a que eu tenho acesso”, mas este espaços “tem chão em cimento e não é boa para trabalhos de voz e de corpo”, pois existem “cadeiras e postes no meio”, referiu.
Madalena Pombeiro assinalou que este edifício da UÉ até tem “caixa do elevador” e que “não há é o elevador”, lembrando que quando fez a matrícula na academia deram-lhe a garantia de o curso “estava totalmente adaptado”.
Num comunicado enviado à Lusa, a reitora da UÉ, Ana Costa Freitas, reconheceu que “algumas das aulas do curso de Teatro funcionavam no piso 1 do edifício dos Leões”, o qual “não tinha acesso para alunos com mobilidade reduzida”.
“Apesar de a universidade possuir cadeiras de rodas adequadas para o acesso aos pisos superiores do edifício, optou-se por transferir a totalidade das aulas para o rés-do-chão, garantindo assim o acesso a todos os estudantes”, frisou.
Contudo, a reitora da UÉ referiu que “o edifício vai entrar em obras ainda este ano, estando prevista a instalação de um elevador”.
Garantindo que tem “acompanhado de perto” o assunto, Ana Costa Freitas disse ter recebido um contacto da diretora da Escola de Artes a manifestar que “as aulas estão a decorrer com normalidade” e faltava “apenas colocar um linóleo no chão de uma das salas”.
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