O espaço Chiado 8, em Lisboa, acolhe a segunda exposição de peças da Colecção António Cachola, desta feita com obras de duas das maiores artistas de arte contemporânea portuguesa: Fernanda Fragateiro e Ângela Ferreira.

A mostra foi inaugurada na passada sexta-feira, dia 24 de Julho, na presença de Nuno Mocinha, presidente da Câmara Municipal de Elvas e da vereadora Vitória Branco, neste espaço direccionado para as artes e numa parceria entre a Companhia de Seguros Fidelidade e o Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE), que compreende a apresentação, entre 2015 e 2017, de oito exposições da Colecção António Cachola, com curadoria de Delfim Sardo.
As obras de Ângela Ferreira pertencem a dois momentos diversos do seu trabalho: a obra mais recuada, Marquise, de 1993, parte de um elemento muito comum da arquitectura vernacular em Portugal, os acrescentos e fechamentos informais das habitações que expandem o espaço interior cortando a permeabilidade em relação ao espaço público. A mais recente foi especificamente concebida para a exposição sobre o Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL) apresentada na Fundação de Serralves no final de 2014.
A colecção António Cachola possui um particular envolvimento com esta obra, na medida em que aceitou produzi-la ainda antes de existir um projecto, possibilitando assim à artista desenvolver o trabalho nas condições pretendidas.
Já no que respeita ao trabalho de Fernanda Fragateiro, este possui uma relação muito intensa e permanente com a arquitetura, um dos tópicos fundamentais no desenvolvimento do seu processo criativo e que alimenta o seu trabalho. As suas intervenções estão densamente ligadas a dois aspectos que se conjugam: a construção de um campo de negociação, participado e que envolve frequentemente o espectador e o centramento da experiência estética no espaço colectivo, ou no confronto entre este e o espaço íntimo.
A obra que apresentamos, uma das peças da artista que integram a Coleção Cachola, é, muito literalmente, um chão – um pavimento. Ao contrário da tradição da escultura, vinculada à ideia de monumento, Fernanda Fragateiro interessa-se pela anti-monumentalidade do solo, do nosso campo comum. Este chão é, no entanto, dúctil e adaptável: configura-se ao espaço, adapta-se e pode assumir diversas configurações, e nesta versão a sua morfologia adaptou-se às condições do espaço de apresentação.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais artigos por Redacção
Carregar mais artigos em Uncategorized

Veja também

Procissão do Corpo de Deus reuniu dezenas de fiéis nas ruas de Elvas

Dezenas de fiéis participaram, na tarde desta quinta-feira, feriado do Corpo de Deus, na t…