Com o calor que se fez sentir durante o dia, convidativo a não abandonar a beira-mar, umas cervejitas, de preferência bem acompanhadas, pelas tão “apetecíveis e frescas” ameijoas algarvias, virámos costas ao litoral e rumámos até à vila do Redondo, para ali assistir à corrida de toiros, cujo cartel reunia três jovens cavaleiros da primeira linha: Marcos Bastinhas, João Telles jr e Miguel Moura. Em boa hora o fizemos, assim como todos os outros que tal como nós, marcaram presença no Coliseu do Redondo, esgotando a sua lotação. Para além dos cavaleiros que compuseram o cartel desta corrida, outro dos polos de interesse foi a mudança de cabo dos Amadores do Redondo e o facto de pegarem os seis toiros da corrida, facto raro hoje, mas normalíssimo há uns anos atrás. Quanto aos toiros, o curro lidado pertenceu á ganadaria de “S. Martinho” de Frei Elias, tendo ficado além das expectativas, não só pelo seu comportamento, mas também pelo tipo e desigual apresentação. No entanto a terna de cavaleiros superou o facto rubricando atuações de grande nível, tendo o espectáculo redondeado num enorme êxito artístico, quanto a nós, a melhor corrida da temporada 2015 a que assistimos. Toureiros com tauromaquias diferentes “jogaram todas as cartas” possíveis, entregando-se com verdade, desafiando-se em cada ferro; reafirmaram-se como toureiros e definitivamente os cavaleiros não só da actualidade, mas também das próximas temporadas. Cuidem-se pois as figuras, porque os ídolos não são eternos. A Marcos Bastinhas coube lidar primeiro e quarto toiros da ordem. Se o primeiro cumpriu, já não se pode dizer o mesmo do seu segundo, um manso reservado. Recebeu os toiros vistosamente, dobrando-se com eles de forma brilhante, cravou de largo e seguro. Nos curtos, no primeiro da noite, surpreendeu tudo e todos quando saiu á praça, montado no lusitano, castanho, de nome “Amoroso”, com o qual esteve enorme não só a cravar, mas também na brega. Os adornos toureiríssimos tiveram epílogo em ladeares preciosos na cara do toiro. No quarto da noite a receita foi idêntica, desta feita prolongando a sua actuação dos compridos aos curtos, montando o mesmo cavalo de nome “Capa Negra”, arrebatou o público. Encerrou a sua actuação com a imagem de marca Bastinhas, cravando dois pares de bandarilhas a preceito. João Telles jr foi o mais bafejado pela sorte no sorteio, cabendo-lhe lidar dois toiros que investiram, proporcionando-lhe também duas boas actuações. Sempre muito seguro e “pinturero” no seu toureio, chegou fácil ao público, pela maneira e formas vistosas que pôs nas sortes. Com o castanho que ostenta o ferro “Ventura” alcançou os melhores momentos da sua actuação nesta corrida. Fácil nos ferros em sorte de violino. Encerrou ambas actuações com esta sorte, não lhe resgatando o público aplausos. Miguel Moura teve a coragem de se intrometer nesta peleia. E afirmamos que teve coragem, porque a sua quadra não tem nem de perto, nem de longe, o nível artístico dos seus colegas. Sentiu dificuldade para vencer o seu primeiro, andarilho e a não lhe dar sítio, enquanto no que fechou a corrida esforçou-se, diante um toiro que lhe exigiu muita entrega e esforço para o vencer, o que nem sempre conseguiu. Miguel esteve digno e mereceu por isso mesmo também os aplausos que o público lhe concedeu. Momentos emotivos viveram-se também quando da passagem de testemunho de Domingos Jeremias a Hugo Figueira, agora o novo cabo do Grupo de Forcados Amadores do Redondo, que não tiveram as suas pegas facilitadas pelos de “S. Martinho”. Contudo o muito querer do Grupo e a sua coesão aliaram-se ao êxito desta nocturna redondense. Dirigiu com acerto e sem dificuldades o senhor Marcos Gomes.
Francisco Santos
Marcos Tenório bisa. Agora na Póvoa de Varzim
Muito público na praça de toiros da Póvoa de Varzim a qual registou três quartos da sua lotação preenchida. Um cartel constituído pelos cavaleiros Joaquim Bastinhas, Rui Salvador, Sónia Matias, Marcos Tenório, Tiago Carreiras e Tomás Pinto, os quais foram os responsáveis por bons momentos de toureio, em especial Marcos Tenório, nesta noite de toiros, na praça da Costa Verde. Os “Prudêncios” lidados variaram em peso (entre os 450 Kgs e os 500?? Kgs) na balança dos curros Poveiro. Estavam bem apresentados, mas foram pobres no tocante ao seu comportamento: pouca investida e reservados, sendo o pior o de Sónia Matias. Bastinhas e Salvador estiveram em bom plano, com Joaquim Bastinhas sempre muito conectado com o público, um público que de há muito se entregou ao cavaleiro de Elvas, arrancando este assim para mais um sucesso no primeiro da noite. Rui salvador sempre um “poço de entrega”, venceu o seu inimigo, sendo premiado no final com sonoras palmas. Sónia Matias com o pior da noite, mostrou todo o seu valor e o querer dar a volta a um toiro, com poucas hipóteses de lide. Marcos Bastinhas voltou a “arrear” ontem na Povoa do Varzim, com uma lide compacta e brilhante, tendo com o “Amoroso” escutado os maiores aplausos da noite. No entanto nem só os ferros curtos afirmam os êxitos e Marcos Bastinhas, logo nos compridos agarrou o seu inimigo, dobrando-se e levando o toiro toureado com a garupa do cavalo com mando e classe, pô-lo á medida para os curtos. Tiago Carreiras optou por um toureio cambiado. Apesar de alguma irregularidade conectou com o público e agradou. Tomás Pinto lidou o último da noite, que tal como os outros, teimou em não investir. O mais novo dos de Paço de Arcos esteve bem com o toiro, entendeu-o e deu-lhe a lide correta, agradando á assistência, fechou o espectáculo em bom plano. Noite difícil para os Grupos de Forcados, sobretudo para os Amadores de Beja, tendo sido os mais castigados pelos toiros, em relação aos seus colegas – os Grupos do Montijo e Coimbra.
Francisco Santos
Ferrel esgotado: êxito artístico e de bilheteira
Muita gente. Um verdadeiro êxito de bilheteira, com a praça cheia na localidade de Ferrel, ali pertinho de Peniche. Cartel: Joaquim Bastinhas, Marco José, Paulo Jorge Santos, David Gomes, Nelson Limas e Francisco Parreira e Grupo de Forcados Vila Franca. Lidaram-se toiros da ganadaria de Nuno Casquinha. Espectáculo entretido face às diferentes lides dos cavaleiros e jogo dos toiros. O público aplaudiu, gostou e o Maestro uma vez mais foi o centro das atenções. Bastinhas já não é um nome. Bastinhas é uma referência, uma marca do toureio a cavalo à portuguesa. Das jaquetas de ramagens temos assistido este ano a grandes pegas, quer de grupos mais “modestos”, quer da primeira linha. Os Amadores de Vila Franca Xira fizeram-no também e o público premiou-o com os seus aplausos.
Pedro Barata