“O drama e a incerteza” figuram na agenda do professor contratado, para quem Agosto é normalmente um mês particularmente difícil. É assim ano após ano para um grupo de profissionais para quem o Verão é, acima de tudo, um período stressante.
“Em Junho, quando alguns começam a pensar em férias, outros já as marcaram, os professores contratados iniciam a pior fase. Em primeiro lugar, porque o ano lectivo está a acabar. A tensão das avaliações, a pressão das datas, pois aproximam-se os exames nacionais, o trabalho administrativo duplica ou triplica em alguns casos…”. Este ‘retrato’ foi traçado ao Linhas por um professor que há uma dúzia de anos vive nesta incerteza.
Leia na edição impressa do Linhas desta semana a reportagem sobre o regresso às aulas
E, desabafa, não é só disso que se trata a pressão do professor contrato. Inclui ainda um elevado número de interrogações: “O seu contrato de trabalho (para quem o tem), está a chegar ao fim. Começa a altura de se candidatar para o próximo ano lectivo. Puxar do mapa, contabilizar os quilómetros, a distância de cada escola, qual a oferta formativa, haverá horário para o grupo de recrutamento a que o docente pertence? Quantos horários? Quantas horas? Será que fica perto de casa? Ou nem por isso, e apenas poderá vir a casa na época das pausas lectivas, ou então se existir este ano, um feriado prolongado. Terminadas as aulas, os exames, as correcções, as reuniões, as avaliações. E agora? Este ano, as colocações saem quando? Quais os critérios? Em que lugar estou, subi na tabela de ordenação? Desci? Mas como, se tenho mais tempo de serviço? ”
O drama, a incerteza e a pressão de ser ou não ser colocado, acrescenta, dura todo o mês de Agosto: “Enquanto alguns aproveitam e desfrutam das férias, os professores contratados desesperam e a ansiedade aumenta dia para dia. ?Habitualmente os resultados chegam no final do mês de Agosto. Mas nem sempre uma colocação é sinónimo de felicidade completa. Por vezes é um doce amargo?, pois significa a saída, ficar longe da família. É assim a vida de um professor contratado. A incerteza é constante, instabilidade profissional ano lectivo após ano lectivo, e sobretudo a frustração de saber que, independentemente de ser competente, empenhado e merecedor de estabilidade, tem pela frente apenas mais um concurso. E é assim ano após ano”.