Entrai, pastores, entrai, Por este portal a dentro; Vinde adorar o Menino, No seu santo nascimento. (popular, Alentejo, in Cancioneiro Popular Português de M. Giacometti). O Linhas deseja a todos os leitores um Bom Natal e Feliz Ano Novo
O peso da tradição ainda dita regras no interior do País. Por isso, o madeiro de Natal arde noite fora em muitas aldeias e vilas, assumindo-se como ponto de passagem obrigatório para quem vai à Missa do Galo e como elemento fundamental para recordar o Natal de outros tempos.
Cada terra com seu uso mas com muito em comum na mais celebrada noite do cristianismo.
Missa do Galo | Celebrada desde o século V e iniciando-se pela meia-noite do dia 24, destina-se a comemorar o nascimento de Jesus Cristo. O nome tem origem numa lenda segundo a qual um galo terá cantado para anunciar o nascimento do Messias. O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque, historicamente e tradicionalmente, representa vigilância, fidelidade e testemunho cristão.
Presépio | São Francisco de Assis, em 1223, terá montado o primeiro presépio (em argila), festejando a noite de Natal fora da igreja. A tradição do presépio é feita de muitas tradições, utilizando materiais diversos. Os “presépios-vivos” ganharam igualmente lugar e em muitas paróquias são forma encontrada para, em comunidade, recriar e celebrar o nascimento do Menino. A palavra deriva do latim praesepium – curral, estábulo ou lugar de recolha de gado.
Madeiro de Natal | Ou cepo, ou fogueira, ou lume. No centro da localidade, junto ao adro da igreja, em alguns casos mantido aceso até ao dia de reis, o madeiro de Natal significa festa e celebração. Esta tradição terá origem no culto pagão, na celebração do solstício de Inverno.
Consoada | A “missadura”, para utilizar um termo muito usado em alguns pontos do Alentejo, obriga a rituais mais ou menos conservados nas aldeias de todo o interior. Pelo Alentejo, ou parte da região, a matança do porco é feita antes do Natal para se assegurar o abastecimento de mesa farta na Noite de Natal. Curiosamente, para alguns autores, originalmente a palavra consoada significaria refeição ligeira, tendo “engordado” significativamente depois do jejum na véspera de Natal ter caído em desuso.
Reis Magos | Os três Reis Magos representam os sábios do Oriente que se deslocaram a Belém para venerar o Menino. A referência aos Reis Magos surge no Evangelho de S. Mateus. Os nomes – Gaspar, Baltazar e Belchior – remontam ao século V, mas só dez séculos depois se associa uma raça a cada um deles, que passam a representar todas as raças conhecidas até à data.
Árvore de Natal | É hoje uma tradição comum a católicos, protestantes e ortodoxos e a sua origem remonta a períodos muito anteriores à época cristã. Muitos povos usavam a árvore como símbolo divino, em muitos casos para celebrar o solstício de inverno, tendo entrado, apenas no século XVI, na tradição cristã.
Postal de Natal | Caiu em desuso, depois de inventados o sms e o e-mail. Criado em Inglaterra, em Dezembro de 1843, pelo pintor John Callcott Horsley, por encomenda do director do South Kensington Museum. Sir Henry Cole escrevia a familiares e amigos cartas com motivos natalícios, para lhes desejar boas festas. Mas pelo ano de 1843, com trabalho acumulado, resolveu solicitar a Horsley a criação de um postal com uma única mensagem, que seria e enviada a todas as pessoas do seu círculo.