Terminou há poucos dias – ou mais propriamente algumas noites – no ringue do Centro de Recreio Popular da Boa-Fé a edição deste ano do tradicional torneio de futebol de salão daquela colectividade elvense. A competição decorreu ao longo de várias semanas e contou com a participação de equipas dos escalões de seniores e veteranos.
O torneio anual no CRP do bairro da Boa-Fé é uma das manifestações desportivas mais antigas e carismáticas da nossa cidade. Com hiatos muito pontuais, a prova realiza-se há mais de quatro décadas e por ela passaram ao longo dos tempos equipas e jogadores que marcaram o desporto local.
As noites de futebol de salão fazem parte da nossa memória colectiva. Eu próprio me incluo no pelotão dos nostálgicos – neste caso até admito que me chamem saudosista… – dos muitos serões da minha adolescência que passei sentado na pequena bancada do ringue da Boa-Fé. Ou de pé atrás de uma das balizas porque foram muitas as jornadas em que chegar em cima da hora do primeiro encontro da jornada implicava já não ter lugar sentado.
Todavia a minha experiência no já mítico torneio de futebol de salão do CRP não se resumiu à condição de espectador. Vesti a pele de jogador numa equipa da antiga RDP Rádio Elvas, formada em jeito de brincadeira e cujos resultados foram para esquecer. Joguei escassos minutos, justificados pela minha fraquíssima qualidade futebolística e o que melhor guardo na memória são os magníficos equipamentos da marca Puma com camisola azul-celeste e calção branco. Um dos tais casos em que o continente era bem superior ao conteúdo…
Regresso às mais gratas memórias das noites de Verão no ringue do bairro da Boa-Fé, agora na condição de adepto da equipa do meu bairro de origem, S. Roque, que tinha no saudoso Júlio “Padeiro” o seu mentor e líder. Relembro aqui os nomes de Zeferino Moedas, Francisco Pina e Francisco Mexe, que, entre tantos outros, envergaram com êxito a garrida camisola de listas verticais laranja e amarelas.
Eram tempos de enorme rivalidade entre emblemas que ficaram para a história do torneio. Além do S. Roque, evoco com particular saudade as equipas da colectividade anfitriã e do Instituto de Vila Fernando, que em anos a fio apresentaram plantéis de enorme qualidade e que, por norma, discutiam os títulos. De vez em quando o ambiente aquecia mas tudo acabava em bem, na maioria das vezes com os jogadores de ambas as equipas a beber umas bejecas no bar da sociedade, outrora também designada por Centro Popular de Trabalhadores da Boa-Fé.
O futsal ocupa hoje o território do futebol de salão e as regras deste último apenas se aplicam no torneio do bairro elvense. Daqui saúdo a actual direcção do Centro de Recreio Popular da Boa-Fé que, com os apoios da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Caia e S. Pedro e Alcáçova, prossegue esta salutar “teimosia” de manter acesa uma tradição elvense. E saúdo também as equipas participantes, em particular as formações do CRP e Alvarrão Seguros, vencedores do torneio deste ano em veteranos e seniores, respectivamente.
Já agora, vem a talhe de foice uma referência ao torneio de futsal que a Associação Desportiva do Bairro das Caixas está a promover uma vez mais no recinto polidesportivo do Jardim Municipal. Este ano a organização resolveu dar à prova o nome do malogrado Ricardo Gama “Pita”, falecido subitamente em Fevereiro passado, num gesto que engradece os responsáveis daquele colectivo elvense. Parabéns, pois, à Associação do Bairro das Caixas por este gesto que revela amizade, memória e grandeza de espírito.
Sob o formato de futsal ou futebol de salão, Elvas volta a estar em destaque por boas razões. É caso para dizer: sejam todos bem-vindos ao nosso salão… de festas!

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