A actual época futebolística lusa além fronteiras, na Champions League e na Europa League, está a ser a melhor dos últimos cinco anos, estando assegurada a ascensão de Portugal ao sexto lugar do ranking da UEFA para a próxima época.A importância deste facto é tal, que vai ter reflexos na distribuição das equipas portuguesas nas competições europeias de clubes na época 2021/2022. Nesta temporada entrarão em vigor as alterações da UEFA nas provas por si organizadas e em simultâneo, por cá, está em cima da mesa, a curto prazo, o final da Taça da Liga.Como a maior parte dos adeptos desconhece as regras como é calculado este ranking, deixamos uma breve explicação do mesmo:O ranking de países da UEFA resulta da soma dos pontos que os clubes de cada país contabilizam nas últimas 5 épocas.O ranking do país é calculado dividindo o número total de pontos das suas equipas pelo número de equipas nacionais participantes nas competições europeias, numa determinada época. A soma deste valor das últimas 5 temporadas resulta então na pontuação total do país para o ranking global.Para o ranking de países, os jogos de qualificação para competições europeias, as chamadas pré-eliminatórias, têm a seguinte pontuação: 1 ponto por vitória, 0.5 pontos por empate e 0 pontos por derrota.A classificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões vale quatro pontos de bónus, enquanto a qualificação para a fase a eliminar após a fase de grupos resulta em mais 5 pontos de bónus.Cada vitória vale dois pontos, cada empate vale um ponto e a derrota zero pontos, sendo que a classificação para os quartos-de-final, meias-finais e finais da Liga dos Campeões e da Liga Europa vale um ponto extra.Quanto mais alto for o ranking de um país, mais equipas das suas provas internas (Liga e Taça) têm direito a participar nas competições europeias, distribuídas da seguinte forma:1º a 4º classificado – Quatro clubes na UEFA Champions League e três clubes na UEFA Europa League;5º a 6º classificado – Três clubes na UEFA Champions League e três clubes na UEFA Europa League;7º a 9º classificado – Dois clubes na UEFA Champions League e quatro clubes na UEFA Europa League;10º a 15º classificado – Dois clubes na UEFA Champions League e três clubes na UEFA Europa League;16º a 51º classificado – Um clube na UEFA Champions League e três clubes na UEFA Europa League;52º a 54º classificado – Um clube na UEFA Champions League e dois clubes na UEFA Europa League;55º classificado – Um clube na UEFA Champions League e um clube na UEFA Europa League.Paralelo ao ranking de países da UEFA, com a mesma fórmula de cálculo, existe o ranking de clubes em que o lugar de cada equipa é estabelecido pelos pontos somados nos jogos das competições europeias dos últimos cinco anos, acrescidos de 20% do coeficiente do país.O ranking de clubes existe essencialmente para definir a distribuição das equipas nos sorteios das respectivas competições em que participam, seja nas pré-eliminatórias seja na fase de grupos.No início desta época Portugal começou com cinco equipas, em que os pontos somados em cada jogo são a dividir por cinco, a partir de 2021/2022 teremos seis equipas, e os pontos conquistados serão a dividir por seis, ou seja, até à próxima época cada participante nacional na UEFA Champions League e na UEFA Europa League contribui, para o bem ou para o mal, com 20 % para o ranking do país, daqui a dois anos cada equipa representa 16,66 %. Cada representante nacional corresponde a uma fatia do bolo mais pequena (É como passar a dividir o bolo por seis pessoas quando até aqui dividíamos o mesmo bolo por cinco pessoas).O 5º e 6º lugares do ranking da UEFA têm sido prendas envenenadas para os ocupantes destas cadeiras, quer para Portugal num passado recente (O 5º lugar foi até à data a nossa melhor classificação de sempre, há dois anos), quer para França e Rússia, respectivamente, no início desta época.Para a Rússia, esta época foi o “annus horribilis”, dado ter ficado sem representantes nas competições europeias em Dezembro, e a França, dos seis representantes, sobrevivem apenas dois clubes na UEFA Champions League.Qualquer destes três países não tem actualmente clubes com capacidade financeira, e com um quadro de jogadores de elevada qualidade (excepto o Paris Saint Germain) para somar pontos suficientes para ultrapassar com regularidade a fase de grupos da principal prova europeia.A UEFA Champions League, ano após ano, está a tornar-se numa prova de elite para os grandes clubes europeus, e pela primeira vez na sua história, nos oitavos-de-final, só estão representados os cinco principais países do ranking europeu.O fosso entre os “big five” (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França) e os restantes cinquenta países europeus está a acentuar-se, o que tem gerado um crescente descontentamento, pois 65 % dos filiados da UEFA (restam 19 países nas competições europeias) ficam sem representantes após as fases de grupos da Europa League e da Champions League.A UEFA, atenta a este fenómeno, anunciou em Outubro passado uma nova prova europeia – a Conference League (Liga Conferência) – que surgirá a partir de 2021/2022 não sofrendo alterações no seu formato até 2023/2024.Será a terceira competição de clubes europeus em termos de importância, que decorrerá em simultâneo com as suas irmãs mais velhas Europa League (Liga Europa) e Champions League (Liga dos Campeões).Os jogos da Champions League mantêm-se à terça e à quarta-feira, os jogos da Europa League e da Conference League serão à quinta-feira em horários diferenciados.A Europa League deixa de ter 48 equipas na fase de grupos.As três competições terão pré-eliminatórias, play-offs e fase de grupos com 32 equipas cada, divididas em oito grupos de quatro clubes.A Champions League manterá o seu formato com os dois primeiros classificados da fase de grupos a transitar para os oitavos-de-final, e os terceiros classificados passam a disputar uma eliminatória adicional com os segundos classificados de cada grupo da Europa League.Os vencedores desta eliminatória disputarão os oitavos-de-final da Europa League com os primeiros classificados da fase de grupos desta competição.A UEFA Conference League vai funcionar nos mesmos moldes, ou seja, os oito primeiros classificados da fase de grupos passam para os oitavos-de-final.Os segundos classificados de cada grupo da UEFA Conference League vão disputar uma eliminatória adicional com os terceiros classificados da Europa League, para aceder aos oitavos-de-final da nova competição europeia.Ficam eliminados das competições europeias os últimos classificados da fase de grupos da Champions League, últimos classificados da fase de grupos da Europa League, e os terceiros e quartos classificados de cada grupo da UEFA Conference League.A UEFA, com esta reformulação, pretende uma distribuição equilibrada das equipas pelas três provas e ter o máximo de países possíveis representados, quer na fase de grupos, quer na fase posterior, nas eliminatórias.Com esta medida, a UEFA também pretende estancar a criação de uma Superliga europeia ao estilo da NBA, desejada pelos clubes mais ricos da Europa.Portugal, sendo o actual sexto classificado do ranking da UEFA, passará a ter seis equipas nas competições europeias a partir da época 2021/2022 distribuídas da seguinte forma nas três provas:1º e 2º classificados da Liga com acesso directo à fase de grupos da Champions League;3º classificado da Liga com acesso à 3ª pré-eliminatória da Champios League, seguida do play-off;4º classificado da Liga ou vencedor da Taça de Portugal com acesso directo à fase de grupos da Europa League;5º classificado da Liga com acesso à 3ª pré-eliminatória de acesso e play-off de acesso à UEFA Conference League;6º classificado da Liga com acesso à 2ª pré-eliminatória, 3ª pré-eliminatória de acesso e play-off de acesso à UEFA Conference League.Na prática, com a redução de equipas na Europa League, o quinto e sexto classificados da Liga passam a disputar a 3ª e 2 ª pré-eliminatórias e ainda play-off de acesso à UEFA Conference League.O surgimento de uma eliminatória adicional e o aumento de datas nas provas europeias, nomeadamente na UEFA  Europa League e na UEFA Conference League, vai levar à reformulação ou eliminação de competições internas nos países europeus que têm o calendário mais sobrecarregado, de forma a criar condições para os seus representantes efectuarem nas provas europeias percursos o mais longos possíveis, o que se traduzirá num aumento da receita angariada.Actualmente, a lista dos dez países que têm o maior número de jogos possíveis numa época é liderada pela Inglaterra com 50 jogos, seguida da França e Bélgica com 49, Espanha com 48, Portugal com 47, Itália com 44, Turquia com 42, Alemanha com 41, Ucrânia com 38 e Rússia com 36.Se formos analisar as receitas geradas nos dez principais campeonatos europeus, Portugal é o nono classificado, sendo, do “Top Ten”, o país mais dependente das receitas obtidas nas competições da UEFA, pois representam 23 % dos ganhos obtidos.Não será por acaso que a França já decidiu acabar com a Taça da Liga, Inglaterra e Portugal estão a ponderar seguir o mesmo caminho, sendo que no caso luso especificamente, isso está pendente do término do contrato existente entre a Liga e o actual patrocinador da prova.Os ventos de mudança no futebol europeu estão a caminho e Portugal, de forma a defender os seus interesses desportivos e económicos, já tomou medidas antecipadamente, pois quem antevê cenários a longo prazo está melhor preparado para o futuro e mais perto do sucesso.Desejo a toda a equipa do LE e aos seus leitores um 2020 cheio de sucessos pessoais e profissionais.
P.S.:No final de 2019 partiram dois amigos, Norberto Deolindo Vidigal, o “mestre” Beto, que aprendi a admirar nos relvados, e Jorge Cirne, um dos mais conceituados navegadores de Ralis da década de 70, com o qual aprendi tudo sobre a função de starter no Motor Clube do Estoril e no qual formámos dupla durante uma década em provas de automobilismo nacionais e internacionais, no Autódromo do Estoril e no Autódromo de Portimão.Onde quer que estejam, estarão a partilhar histórias ou a ensinar o melhor que sabiam fazer com a paixão e a alegria que lhes eram características. Até sempre mestres.

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