Devido à pandemia de Covid-19, este ano não se realizam as tradicionais Aleluias na Terrugem. No entanto, estão a ser preparadas algumas iniciativas para assinalar a celebração, nomeadamente o tocar dos sinos à meia-noite e o soar dos chocalhos à porta dos residentes.Paralelamente estão a ser partilhadas, num página de Facebook, fotografias de outros anos.Jorge Peixoto também já deu o seu contributo, escrevendo os seguintes versos:
Covid-19 – As Aleluias
Um bem-haja, a todos vós,Saúde, à malta infectada,Uma tradição, do tempo dos bisavós,Será hoje homenageada!!! 
Penso que sabem, ao que me refiro,Porque tem criado alguma agitação,Recolhidos no retiro,Vamos manter a tradição. 
Agora avivo as memórias,Porque é bom recordar,Cada qual com as suas histórias,Nem sei por onde começar!! 
Aquilo que me foi contado,Pelos mais entendidos,Era uma gratificação do pessoal abonado,Aos mais desfavorecidos. 
Ao início, com bolos e pão,Celebravam bons anos de colheita.Era essa a razão,Ficava toda a gente satisfeita!!! 
Depois alguns anos passados,Na celebração deste diaApareceram os rebuçados,Para nossa alegria!!! 
Minha e de toda a gente,Com grandes sorrisos no rosto,Os campeões apanhavam pegodente,Quem não apanhava, era um desgosto!!! 
Mas vamos ao início,Logo a seguir ao jantar,Aqui começava o vício,Vamos lá recordar!!! 
Tudo à procura de um saco de plástico,O maior, o ideal,O resultado era bombástico,Se tivesse cheio no final. 
Aqueles mais impacientes,Iam logo para o “Patilhas”,Quase eles todos clientes,Já conheciam as armadilhas. 
Zero consumos, do que tivesse na prateleira,E pelo meio uma rima,Um amigalhaço, à maneira,Por quem tenho muita estima. 
Com o aproximar da hora marcada,Começava o burburinho,O Romualdo avia mais uma rodada,Mais uma mini, para o caminho. 
Nem todos tinham este ritual,Nem todos gostam de cerveja,Mas o objectivo era geral,Estar perto do Adro da Igreja. 
Idosos, casados e solteiros,Pelo meio muitas crianças,Agora, faltavam juntar-se os ponteiros…Mas que belas lembranças!!! 
Começam os sinos a tocar,Começa tudo a correr,Sai o Sr. Padre com o alguidar,Tá prestes a acontecer!!! 
E pronto, chegou o momento!!Rebuçados e amendoins pelo ar,Começo a ficar rabugento,Acabaram de me pisar!!! 
Aqueles mais atrevidos,Tentam andar encostados,Não respeitam os maridos,Quanto mais os namorados. 
A aldeia em rebuliço,Muita malta forasteira,Já levei com um rebuçado no totiço,Foi o “Patilhas”, com a saca da sementeira. 
A sequência, toda a gente conheceEu vou já, para o parque de merendas,Pois correr não me apetece,Vou conferir as oferendas. 
Mas que grande saquilada,Bolas de neve, frutas e amendoins,Pegodente quase nada,Mas não fui dos mais ruins!! 
Agora, punhos bem cerrados,E o saco bem atadoNão vão ser assaltados,Por alguém mais depenado. 
O suor corre em bica,Vai quase tudo dormir,Mas há malta que ainda fica,Vai para o pavilhão curtir. 
Vai ser até de madrugada,O DJ é o “Tonho Zé”,Agora não posso dizer mais nada,Mas é “Remember Matiné”. 
E assim me despeço,Por hora não digo mais,Mas ainda vos peço,Participem, nas ALELUIAS VIRTUAIS!!!

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