O Bloco de Esquerda (BE) do distrito de Portalegre manifestou a sua satisfação com a reabertura do Bloco Operatório do Hospital de Santa Luzia, em Elvas, marcada para o próximo dia 20 de julho, considerando que a reposição desta valência representa “um momento de enorme relevância” para as populações do concelho e de toda a região.

Em comunicado, o partido felicita a Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULSAALE) e o Município de Elvas pelo trabalho desenvolvido para concretizar a requalificação daquele serviço hospitalar, sublinhando a importância da cooperação institucional para reforçar a resposta do Serviço Nacional de Saúde no distrito.

O BE destaca ainda a cooperação transfronteiriça e intermunicipal desenvolvida no âmbito da EuroBEC, considerando que os projetos na área da saúde entre Portugal e Espanha constituem um exemplo de como a partilha de recursos humanos e infraestruturais pode melhorar o acesso aos cuidados de saúde das populações de fronteira.

Apesar de saudar este avanço, o partido considera que a reabertura do bloco operatório “não pode servir para branquear outra realidade dramática” vivida nas urgências da ULSAALE.

Segundo o comunicado, continua por concretizar a anunciada requalificação das urgências do Hospital de Santa Luzia, um investimento estimado em cerca de cinco milhões de euros que o Bloco de Esquerda considera essencial para garantir melhores condições aos utentes e profissionais de saúde.

O partido aponta ainda para aquilo que classifica como “falhas graves e estruturais” na resposta das urgências da ULSAALE, recordando a recente morte de um homem de 63 anos na sala de espera das urgências, após recorrer ao serviço com dores no peito. Para o BE, casos como este evidenciam insuficiências na assistência prestada e na capacidade de resposta do serviço de urgência.

Face a esta situação, o Bloco de Esquerda exige a realização de uma auditoria à gestão das urgências da ULSAALE, a execução das verbas destinadas à requalificação do serviço e o reforço urgente da contratação de profissionais de saúde.

No final da nota, o partido reafirma o compromisso de continuar a denunciar o desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde e defende que o acesso aos cuidados de saúde no distrito de Portalegre deve constituir um direito efetivo para todos os cidadãos.

Leia o comunicado na íntegra:

Bloco de Esquerda Saúda a Reabertura do Bloco Operatório do Hospital de Santa Luzia, mas exige fim das falhas graves nas Urgências da ULSAALE

O Bloco de Esquerda (BE) do Distrito de Portalegre vem, por este meio, expressar publicamente o seu profundo regozijo com a anunciada reabertura do Bloco Operatório do Hospital de Santa Luzia, em Elvas, agendada para o próximo dia 20 de Julho.
Este é um momento de enorme relevância para as populações locais, que vêem reposta uma valência de saúde essencial para o bem-estar e segurança de toda a região. O Bloco de Esquerda endereça os seus sinceros parabéns à Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULSAALE) e ao Município de Elvas pelo empenho e coordenação demonstrados para que esta requalificação se concretizasse.

Mais se congratula o BE pela cooperação transfronteiriça e intermunicipal prevista no âmbito da EuroBEC, envolvendo os cuidados de saúde. A implementação de novos projectos nesta área — alguns dos quais já em plena fruição e em benefício directo dos cidadãos — constitui um exemplo claro de que a proximidade e a partilha de recursos infra-estruturais e humanos salvaguardam o direito constitucional à saúde em territórios de fronteira.

Contudo, este avanço local não pode servir para branquear outra realidade dramática que se vive no distrito.

O Bloco de Esquerda relembra que as infra-estruturas não salvam vidas de per si: o há muito desejado projecto de requalificação das urgências do Hospital de Santa Luzia – avaliado em cerca de cinco milhões de euros – continua a ser uma promessa adiada que
urge concretizar para dar dignidade aos utentes e aos profissionais de saúde. Em claro contraponto com a celebração de hoje, o Bloco de Esquerda não pode calar as falhas graves e estruturais que continuam a assolar as urgências sob a alçada da ULSAALE. É inadmissível que o desinvestimento resulte em tragédias inaceitáveis, como a recente morte de um homem de 63 anos na sala de espera das urgências, após dar entrada com dores no peito. Situações desumanas como esta provam que os utentes
continuam desamparados por falta de assistência atempada e de triagem eficiente. A celebração de hoje não apaga a urgência de amanhã. Exigimos uma auditoria profunda à gestão das urgências da ULSAALE, a execução imediata das verbas de requalificação e a contratação urgente de profissionais de saúde. O Bloco de Esquerda continuará firme na denúncia do desinvestimento no SNS e não abdicará de lutar para que o direito à saúde no distrito de Portalegre seja uma garantia real e não uma lotaria dependente do dia da semana”, concluem.

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