O Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino assinala hoje 25 anos de atividade, tendo acolhido desde a inauguração “cerca de 262 mil visitantes”, que observaram obras de 200 artistas plásticos, foi hoje divulgado.
Em comunicado, a Câmara de Portalegre, proprietária do espaço, revela que vai assinalar, no sábado, o aniversário do museu e também os 80 anos da Manufatura de Tapeçarias de Portalegre.
Em declarações à agência Lusa, a vereadora da Cultura da Câmara de Portalegre, Laura Galão, explicou que, apesar de o museu ter sido inaugurado a 14 de julho de 2001, as comemorações vão arrancar no sábado e vão, depois, estender-se “durante um ano”.
Além de uma sessão solene, agendada para as 18:00, vão ser inauguradas duas exposições no museu, uma subordinada ao tema “25 anos, 25 artistas” e outra intitulada Figueiredo Sobral – “A relação poética entre a arte a e arquitetura”.
De acordo com Laura Galão, estas duas exposições vão estar patentes ao público até ao dia 30 de setembro, sendo a exposição “25 anos, 25 artistas” uma forma de homenagear os 200 artistas plásticos que viram as suas obras transportadas para a tapeçaria.
“É uma forma de homenagear e agradecer a todos os artistas plásticos nacionais e internacionais que foram trabalhando ao longo destes 80 anos na Manufatura de Tapeçarias de Portalegre”, disse.
No sábado será também apresentado “o que poderá ser o projeto” que o município e a Manufaturas de Tapeçarias de Portalegre pretendem desenvolver com a Bienal do Alentejo.
“Nós vamos também lançar uma campanha para celebrar os rostos da tapeçaria e da manufatura, para que as pessoas que tenham tido a sua vida ligada à tapeçaria possam contribuir e enriquecer o que virá a ser, depois, uma exposição com esses rostos. Uma forma também clara da nossa intenção de homenagear todas as pessoas”, acrescentou.
A autarca, que espera “em breve” revelar mais projetos para assinalar esta efeméride, que irá ser assinalada ao longo de um ano, revelou ainda que o município está a “aguardar o último parecer” das entidades competentes para que a Tapeçaria de Portalegre integre o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI).
“Quando tivermos esse parecer do Ponto da Tapeçaria de Portalegre no inventário, poderemos então partir para uma candidatura a Património Cultural Imaterial da UNESCO”, acrescentou.
A arte desenvolvida pelas tecedeiras de Portalegre em meados do século XX, através do denominado “ponto de Portalegre”, centra-se num tipo de tapeçaria assente na manufatura.
Nos últimos 60 anos, foram desenvolvidas pela Manufatura de Tapeçarias de Portalegre peças a partir de obras de mais de 200 artistas portugueses e estrangeiros, como Almada Negreiros, Vieira da Silva, Júlio Pomar, Burle Marx, Lourdes Castro, Álvaro Siza, Rigo, Le Corbusier, Carlos Botelho, Munari, Maria Keil ou Cruzeiro Seixas.
Inaugurado em 14 de julho de 2001, o museu presta homenagem ao industrial Guy Fino, que colocou Portugal na lista dos grandes produtores internacionais de tapeçaria artística, e enaltece também a arte contemporânea.
Ao longo de mais de duas décadas, o espaço tem acolhido exposições consideradas emblemáticas, tais como a “Tapeçaria e desenho”, de Cruzeiro Seixas, “A garota do Calhau”, de Nini Andrade Silva, “Vieira da Silva e outros retratos”, de João Cutileiro, e mostras dedicadas a Almada Negreiros ou Maria Keil.

HYT // MCL
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