A Assembleia Municipal de Fronteira aprovou uma moção de oposição e profunda preocupação relativamente ao processo de instalação do novo Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa no concelho de Alter do Chão. O documento, apresentado pelos eleitos da coligação PS/MPT, visa defender os interesses do Alto Alentejo face à ausência de informação pública suficiente e à falta de estudos sobre os impactos territoriais, ambientais, económicos e sociais da nova infraestrutura militar, que se destina a substituir o actual campo de tiro localizado em Alcochete.
Os eleitos locais sublinham que a área prevista para esta infraestrutura militar poderá abranger milhares de hectares no território do Alto Alentejo, constituindo uma das maiores intervenções territoriais realizadas na região nas últimas décadas. O texto alerta que o território abrangido integra áreas de elevado valor agrícola, florestal, paisagístico e ecológico, assumindo especial relevância para a actividade agro-pecuária, para a exploração florestal sustentável, para o turismo de natureza e para a valorização dos recursos endógenos da região, podendo a realização regular de exercícios militares, utilização de munições, limitação de acessos e condicionamentos de uso do solo afetar actividades económicas instaladas e projectos de investimento em curso. A proximidade da futura infraestrutura poderá gerar impactos directos e indirectos nos concelhos vizinhos de Fronteira, Monforte, Crato e Ponte de Sor.
Através desta deliberação, a Assembleia Municipal de Fronteira exige que o Governo da República, o Ministério da Defesa Nacional e as entidades competentes procedam à divulgação pública dos estudos, pareceres técnicos e critérios que fundamentaram a escolha da localização em Alter do Chão. O órgão deliberativo manifesta a sua oposição à concretização do projecto sem que sejam previamente realizados e divulgados os estudos de impacte ambiental, territorial e socioeconómico legalmente exigidos, defendendo que qualquer decisão final seja precedida de um processo transparente de consulta pública. Por fim, exige que sejam formalmente auscultados os municípios potencialmente afectados, designadamente Fronteira, Monforte, Crato, Portalegre e Ponte de Sor, de forma a garantir a sua participação institucional no processo de decisão.

