A Câmara de Vila Viçosa, no distrito de Évora, pretende recorrer a um empréstimo de 1,8 milhões de euros para adquirir uma unidade industrial de uma empresa declarada insolvente, revelou hoje o presidente do município.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Vila Viçosa, Inácio Esperança, indicou que o município já aprovou o recurso ao empréstimo e manifestou a sua intenção de exercer o direito de preferência sobre o imóvel.
“É apenas uma intenção, mas estamos a preparar-nos para poder fazer a aquisição”, afirmou.
Segundo a autarquia, o recurso a um empréstimo no valor de 1.810.000 euros para a aquisição do complexo industrial da Marbrito – Indústrias Reunidas de Mármores SA, situado em Vila Viçosa, já foi aprovado em reunião de câmara.
Esta proposta, assinalou a câmara municipal, “carece ainda da autorização prévia da assembleia municipal”, órgão no qual a gestão PSD/CDS-PP/PPM/MPT do município tem a maioria dos eleitos.
A unidade industrial para a transformação de mármore da Marbrito, incluindo os imóveis e os bens móveis, foi a leilão, em maio passado, com um valor base de 4,9 milhões de euros.
Após o final do prazo, uma fonte da empresa Leilosoc referiu à Lusa que ainda estavam a ser recebidas propostas e analisadas as licitações registadas no leilão.
Nas declarações à Lusa, o presidente da câmara realçou que “o município só está interessado na compra dos bens imóveis” daquela unidade industrial para ali instalar equipamentos de que o concelho não dispõe atualmente.
“É uma área grande dentro de Vila Viçosa com muitas opções”, frisou, apontando que o espaço pode ser reconvertido em pavilhão multiúsos, parque de feiras e exposições, centro de eventos ou estaleiro municipal.
Inácio Esperança salientou que o município está “a negociar diretamente com o proprietário” a aquisição dos bens imóveis, tendo comunicado à leiloeira a sua intenção de exercer o direito de preferência.
Aquando do leilão, a Leilosoc destacou que a unidade industrial da Marbrito era constituída por dois armazéns com uma área total de 36.133 metros quadrados, máquinas e equipamentos, e que a venda decorria no âmbito do processo de insolvência da empresa.
Fundada em 1982, a Marbrito foi, durante décadas, “uma empresa de referência na indústria portuguesa de mármores e usufruía de avançada tecnologia de transformação de pedras naturais”.
“A produção da empresa centrava-se principalmente na chapa serrada, chapa polida, pavimentos, revestimentos, ladrilhos de diversas medidas e espessuras, encomendas especiais ou trabalhos por medida”, acrescentou a leiloeira.
A Marbrito foi declarada insolvente pelo Tribunal de Vila Viçosa em 10 de janeiro deste ano, segundo a decisão consultada pela Lusa no portal de justiça Citius.
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