A enxurrada de água, lama e pedras que ocorreu no dia 05 deste mês em Portalegre, na sequência do mau tempo, foi provocada por “causas naturais”, concluiu a peritagem independente ordenada pela câmara municipal.
O resultado da peritagem foi apresentado na sexta-feira à noite, no decorrer de uma sessão ordinária da Assembleia Municipal de Portalegre pela vereadora Laura Galão, tendo a agência Lusa tido hoje acesso à transmissão da reunião, nas páginas do município na Internet.
“A conclusão deste estudo preliminar relativamente à ocorrência é que esta situação teve uma causa natural, que decorreu da saturação dos solos, proporcionada pela precipitação e pelo escoamento da mesma”, disse a autarca.
De acordo com Laura Galão, a “primeira impressão” com que o executivo municipal ficou quando a enxurrada oriunda da serra de São Mamede ocorreu, “foi confirmada” pelos especialistas.
“Não havia nenhuma estrutura edificada a montante do deslizamento e, portanto, o deslizamento teve uma causa completamente natural”, acrescentou.
A autarca indicou ainda que a peritagem foi desenvolvida por Rodrigo Proença de Oliveira, especialista em hidrologia, planeamento e gestão de recursos hídricos e por Manuel Lacerda, mestre em engenharia agrícola, drenagem e recuperação de solos.
Também na sessão, a presidente da Câmara de Portalegre, Fermelinda Carvalho, explicou que a enxurrada partiu de uma zona pertencente a um terreno privado, onde o solo estava “completamente embeberado em água e a pessoa [proprietário] não se apercebeu do problema que ali tinha”.
De acordo com a autarca, nesse terreno privado formou-se “quase uma míni barragem” com “uma cobertura de solo”.
“Aconteceu ali, podia ter acontecido num sítio ao lado, podia ter acontecido em três locais, portanto o que ali aconteceu não era possível evitar”, alertou.
No dia 05, o mau tempo em Portalegre provocou uma enxurrada de água, lama e pedras oriunda da Serra de São Mamede e abrangeu três avenidas da cidade, provocando danos em pelo menos 10 casas, em caves (número por apurar) e em 52 carros, além de ter causado três desalojados.
A Câmara de Portalegre ativou no dia 08 o Plano Municipal de Emergência e de Proteção Civil, na sequência da enxurrada ocorrida naquela cidade, entre outros danos provocados pelo mau tempo em todo o concelho, tendo o mesmo plano sido desativado no dia 16.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou em 15 de fevereiro.
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